Formação

Qual a relação entre uma porta e Jesus?

As ovelhas de Jesus entram e saem.

Jesus apresentou-se como o Pastor que cuida ternamente de suas ovelhas, conduzindo-as por entre as tribulações deste mundo para o lugar de uma eterna felicidade. Empregou imagens pastoris: redil, ovelhas, porta, pastor, mas alertou que há também assaltante.

Estes termos haviam sido empregados outrossim nos salmos e pelos profetas, sendo o povo como um rebanho, tendo a Deus como pastor. Imagem bucólica, simpática, pois o termo da comparação é ovelha e não cabrito e Jesus, verdadeiramente, primava pela delicadeza de suas alegorias. Cumpre, porém, sempre ir além da metáfora, por mais afetuosa que seja, para captar a lição, a mensagem.

Tanto isto é verdade que Cristo se diz a porta do redil e também o pastor e são duas funções diferentes que merecem reflexão. Em primeiro lugar, Ele queria deixar claro que os cristãos se separariam do judaísmo e, dissociados do mesmo, formariam um outro grupo. Haveria, contudo, incursões dos chefes judeus que tentariam assaltar o seu rebanho. Foi isto que muitos que o ouviram não entenderam. Jesus, porém, explica, mas firma a mesma imagem: “Eu sou a porta”. Para bem embrenhar-se na mensagem de Cristo é preciso que se fixe o que é uma porta, como é feita e para que serve.

Qual a relação então entre uma porta e Jesus? Seria ele uma porta fechada com uma chave, como proteção, sempre trancada? Nada disto. Quem passasse por esta porta estaria salvo, entraria e sairia sempre encontrando pastagens verdejantes. A imagem empregada por Cristo é de um simbolismo muito forte. Ele não falou em porta de prisões, mas daquela que está sempre aberta para o uso de uma liberdade com responsabilidade. As ovelhas de Jesus entram e saem.

Estão no mundo, mas não são do mundo, mas em todos os lugares conservam sua identidade, espiritualmente crescendo em todas as circunstâncias. Não escutam as vozes dos mercenários, pois distinguem bem a voz do Bom Pastor. Tais ovelhas dão o testemunho de um rebanho, de uma Igreja fiel que dissemina a Verdade sem desgosto, sem julgamento, sem medo, jamais, porém, traindo o seu Pastor.

Esta Igreja não se deixa dominar pelo temor, não recusa ver a realidade, porque é um rebanho que não se refugia na ilusão ou no mito. Eis porque Cristo ressuscitado desejou tantas vezes a paz a suas ovelhas. Esta paz que não procede da força como acontece com a oferecida pelos dominadores, porque paz que não constrange, nem pressiona. Paz que permite resistir à covardia e que se torna a verdadeira liberdade, liberdade dos que entram e saem pela porta do redil, que é o próprio Cristo.

A vida do cristão resgatado, ovelha do Bom Pastor, é uma existência em Cristo e por Cristo, brotando duma união sacramental e sobrenatural com Ele e se traduzindo na fé e no amor. Tudo isto porque Ele é a passagem para a vida eterna. Ele é o guia da humanidade. Está acima de todos os arquitetos de idéias, de todas as ideologias e, fora dele, são vãs as promessas de felicidade. Em Cristo, o único mediador, Deus quer a salvação de todos os homens (1 Tm 2,4-5).

Não há no céu e na terra outro nome pelo qual possamos ser salvos senão no nome de Jesus. Nunca, porém, em período algum da história, como neste início de milênio, a humanidade teima em se afastar daquele que é a porta pela qual todos devem passar para encontrar uma beatitude que, em vão, é buscada na divinização do próprio homem e da natureza, insuflado tudo isto pelas forças sublevadas e organizadas do mal.

Haverá sempre aqueles que recusarão o Bom Pastor, preferindo entrar nos palácios da ilusão pela porta da incredulidade. Entretanto, aquelas ovelhas que deparam a porta da autêntica realização encontram as forças da redenção que estão em Cristo. Estas são as energias da vitória, da vida e da eternidade feliz. Como bem se expressou Karl Adam o homem e Cristo são como a pergunta e a resposta, como o desejo e sua realização. Quem acha em Cristo a resposta à sua pergunta e a realização de seu desejo, este, sim, está salvo! Longe dele só desventura.

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho


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