Certamente, muito já escutamos, diante de uma torrente no céu, como diria em minha terra “um toró”, alguém comentar “São Pedro está lavando o céu hoje” ou, quando troveja, que ele “está arrastando os móveis”. Mas o que a chuva tem a ver com o primeiro Papa? Será que é por possuir as chaves do Reino dos Céus ou por ser comemorado na primeira semana do inverno, quando muitos agricultores pedem chuva? Bom, vale ressaltar alguns momentos de sua vida que até hoje ecoam nas nossas.
Simão, filho de Jonas, possuía uma companhia de pesca, sendo encontrado pelo Senhor que fitou o olhar e chamou para ser pescador de homens (Mt 4, 19). É também nesse encontro que Jesus lhe dá um novo nome: “tu te chamarás Cefas, isto é, Pedra” (João 1,42), tendo assim sua missão designada para ser a rocha, sobre a qual está construída a Igreja de Cristo.
Sempre em primeiro nas ocasiões e o mais citado dos apóstolos nos evangelhos, Pedro, um colérico e líder nato, ora demonstrava coragem para o seguimento ora se amedrontava diante dos ventos que sopravam (Mt 14, 30-32). E quantos de nós, após o primeiro chamado de Jesus em nossas vidas no encontro que nos transformou, não vamos esmorecendo na fé?
Nossa alegria, nossa esperança!
É, contudo, esse valente e frágil pescador de homens que professa “Tu és o Cristo, o filho de Deus vivo” (Mt 16,16). Com essa alegre revelação vinda do Alto, Jesus confirma a eleição do Pai “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do Inferno não prevalecerão (Mt 16, 18s). Eu te darei as chaves do Reino dos Céus e o que ligares na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra, será desligado nos céus”. Essa é a nossa alegria, nossa esperança! Deus confia o seu Reino para os apóstolos na figura de Pedro, hoje o nosso Papa Francisco.
Por outro lado, suscetível ao maligno, tentou convencer o Senhor de não ser crucificado, recebendo dura repreensão de Jesus, “Afasta-te de mim, Satanás”(Mt16,21-23). Também demonstrou sua fraqueza ao, por orgulho, dizer que iria até o fim com o Senhor, mas nem esperou o cantar do galo para três vezes tê-lo negado. Contudo, pouco antes, na última Ceia, o Senhor afirma que mesmo Satanás tendo pedido para peneirar sua alma, Ele tinha rogado por Pedro junto a Deus (Lc 22, 31ss), sucedendo à negação o maior diálogo no silêncio como disse São Tomás de Aquino, o olhar misericordioso de Cristo preso, acorrentado e ferido e o olhar cheio de lágrimas de arrependimento de Pedro. Na humilhação, tornou-se humilde. Assim, Cristo que intercedeu por ele, venceu sua presunção, preparando o coração do primeiro Papa.
Agora já ressuscitado, Jesus pergunta: “Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Respondeu ele: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”. Disse-lhe Jesus. “Apascenta os meus cordeiros” (Jo 21, 15-17)”. Tríplice pergunta que cura os “nãos” por três vezes ditos; confirma sua missão e restaura-o por completo, agora se reconhecendo incapaz de amá-Lo senão com o seu amor humano “Tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo”.
Se muitos, diante de um olhar humano, jamais escolheriam alguém que o tivesse negado publicamente para ser chefe de Sua Igreja, o Senhor ultrapassando nossa compreensão, com o seu amor misericordioso, não somente assim o quis, como continua escolhendo cada um de nós. Assim, após Pentecostes, tornou-se grande evangelizador e, segundo narram, em Roma estava fugindo da perseguição, quando encontrou mais uma vez o Senhor, decidindo voltar, onde foi crucificado de cabeça para baixo, pois não se achava digno de morrer como Cristo.
Que, como São Pedro, o Senhor nos conceda o sustento do nosso frágil sim e o transforme em amor até as últimas consequências, se preciso o martírio.
São Pedro, rogai por nós!
Thayanna Neves
Comunidade de Aliança
