Dentro da programação do Festival Halleluya que aconteceu em Natal de 02 a 04 de dezembro, existe, tradicionalmente, o Espaço da Misericórdia, onde os visitantes podem rezar na capela com adoração ao Santíssimo, receber oração, aconselhamento ou confissão. Mas a temática da misericórdia vai além do espaço ou do Ano Jubilar da Misericórdia que vivemos em 2016: ela é uma experiência pessoal.
Pensando nisso, fomos ao encontro de pessoas que circulam pelo Festival Halleluya, de diferentes grupos e histórias, e lhes propomos a mesma pergunta: Qual a sua experiência com a misericórdia?
Mercinho Dantas, 33, músico e pintor
“Eu tocava em uma banda de Hardcore, me envolvi com drogas, consumi, cheguei a um ponto de saturar a minha vida tentando preencher o vazio que sentia dentro de mim. Nos shows mesmo, eu ia tocar, e depois ficava aquele vazio. Então passei a sentir uma força que falava comigo e houve um tempo que Deus disse em meu coração: sou Eu, sou Eu quem falta na sua vida. Daí depois disso, pouco a pouco, como eu bebia muito, fumava muito, consegui sair da dependência. Na minha casa hoje, só eu e minha mãe somos cristãos, pois tenho também um irmão que se envolveu no mundo das drogas. Mas é daí que vem a misericórdia para com o próximo, Cristo foi tão misericordioso, né? Devemos nos espelhar Nele”.
Irmã Betânea Maria da Santíssima Trindade, 35, Franciscana
Para mim, como nós temos um carisma para os pobres, isso permite que a gente cada vez mais perceba que o pobre não necessita somente de uma roupa, de um alimento, mas de experimentar da misericórdia de Deus. E ao ajudá-lo nós também experimentamos da misericórdia do Senhor. Um caso que me marcou muito foi ver uma irmã doente, precisar ir para o hospital, porque sempre estamos acostumados com o pobre, mas ver que alguém de casa precisou desta ajuda, de estar ali e dar para ela a nossa atenção, de fazer comida e ter todo um cuidado, experimentamos que nós também somos a misericórdia na vida dela”.
Elisangela da Silva e Jéssica Tavares, 14 anos, estudantes
(Elisangela) Uma vez a Jessica estava interessada em um menino. Daí eu, como amiga, fui tentar ajudá-la, mas só acabei atrapalhando. Contei ao menino que ela gostava dele, mas ele disse que era mais velho e que não estava interessado nela e, ela, que nunca levou um fora na vida, levou justo por minha causa. E ela ficou com raiva de mim por isso e pensei que nunca mais ia falar comigo.
(Jéssica) Quando ela faz raiva eu fico chateada e brigo com ela, mas faz muito tempo que a gente se conhece, uma “arenga” com a outra, bate, xinga, mas eu já a conheço e ela já me conhece, então sempre a perdoo, ela me perdoa, e nunca deixamos de ser amigas.
Rawlinson de Medeiros, 42, bombeiro
“Eu estava trabalhando com meu pai e ele tinha uma fábrica de gelo. De repente eu estava sozinho lá, ele saiu para resolver algumas coisas, e eu era um adolescente de 14 anos. Em um dado momento eu estava em cima da maca tentando tirar uma barra de gelo de dentro da forma, escorreguei e fui caindo para cima do motor da máquina, que estava aberto. E eu segurei em uma serpentina que leva o gás para refrigerar a máquina e me desloquei para o outro lado do motor. Depois, fiquei pensando: eu acho que aquela serpentina foi a mão de Deus que me segurou para me livrar naquele momento do perigo. Eu fiquei muito emocionado depois. Ser bombeiro é uma profissão muito nobre né, você lida com pessoas em perigo, salvando vidas, então me identifiquei muito com essa profissão neste momento e também retribuí. Tento, sendo um profissional bombeiro, ajudar ao máximo que puder as pessoas no momento crítico que elas estiverem, seja ele qual for”.
Larissa Moura



