Imagine um casamento! O que se fala amplamente entre os gurus do casamento perfeito – e, nisso eles tem razão – é que casa-se para fazer o outro feliz. Ou seja, o caminho é de um constante esvaziamento do eu em favor da pessoa amada.
Na vida consagrada, religiosa, missionária, a premissa não é diferente. Nos tempos áureos do enamoramento, do vocacional, do postulantado, discipulado, o desejo do coração que almeja consagrar-se é ofertar a própria vida! É morrer – há inúmeras juras de amor nesse sentido – para que outros conheçam a Jesus Cristo.
Porém, nos corredores e bastidores as turmas de formação inicial costumam comentar e observar uma evasão considerável dos membros consagrados, logo após a consagração ou já nos primeiros momentos pós-promessas definitivas. O engano começa a tomar um rosto e uma preocupação que começa justa. O rosto é o do próprio consagrado, não mais o de Cristo a quem se contemplava e com quem se apoiava e configurava. E a preocupação é: para que eu possa me dar melhor preciso cuidar de mim!
Preciso me amar também
Se evoca o Evangelho inclusive: “amar o próximo como a si mesmo… preciso me amar primeiro, não é mesmo? Em pouco tempo já não sou mais uma alma que se oferta, mas um corpo que precisa de atenção exclusiva e prioritária.
Não estou dizendo que saúde mental e física não seja importante. O problema está em esquecer-se que já não sou mais eu o centro, mas Deus. A alma abre – ou melhor, escancara – a porta para crise vocacional. Afinal, já não é mais o Senhor da Vocação quem importa e conduz, mas as necessidades do vocacionado.
Basta um olhar e uma leitura básica às almas consagradas que chegaram aos altares.
O que sustentava Cura d’Ars dormir 4h por noite, entre um combate espiritual e/ou corporal com o demônio? O que fazia Dom Bosco exaurir as forças físicas nas exaustivas horas de trabalho? O que levava uma religiosa idosa, de saúde frágil e comprometida, a passar horas a fio andando e carregando pobres ao colo como Teresa de Calcutá? O que fez Chiara Luce gastar o seu físico enfermo louvado e recebendo pessoas no auge da sua dor? O que leva pais e mães a passar noites em claro? Repetir ordens exaustivamente? Estabelecer hábitos mais saudáveis?
O Esquecimento de si!
Não é mais sobre eu e minha vontade e/ou necessidade de dormir? Mas a preocupação com o Amado e os seus. Será que estou sendo radical demais?
Pergunte aos santos!
Só estou fazendo uma análise a partir de quem foi fiel até o céu, eu e você estamos suscetíveis a desistir do caminho e não recomeçar mais. Só recomeça quem esquece de si!
Heraldo Lima, postulante da Comunidade de Aliança, João Pessoa.

Pancada pesada essa reflexão desse irmão. Obrigado meu irmão.
Ainda vamos ouvir muito falar de vc Heraldo, grande sabedoria. Deus o abençoe e o sustente.