Meu nome é Artu Mendes, tenho 21 anos e atualmente sou vocacionado da Comunidade Católica Shalom, na Missão de Natal. Minha experiência com o meu Seminário de Vida, minha experiência com Deus, foi assim:
Eu já era de caminhada, já era coroinha na igreja há muito tempo. Minha mãe me levou para a igreja, eu gostei e aprendi. Enfim, aprendi a gostar. Fui coroinha e tudo mais. Já tinha vivido diversos retiros e já sabia como era. Retiro carismático, coisas de paróquia — esses retiros carismáticos eu já tinha vivido.
Aí, eu recebi esse convite para ir. Aliás, fui eu quem procurei o Instagram do Shalom. Eu nem sabia que tinha Shalom na Zona Norte. E em Natal também não sabia que tinha Shalom.
Procurei na internet e falei com o pessoal do Shalom. Eles me indicaram o Shalom da Zona Norte. Fui para o grupo aberto numa quinta-feira, e depois desse encontro, já ia ter o Seminário de Vida no outro final de semana. E aí veio esse convite para ir ao retiro, isso foi em 2021, no dia 12 de setembro.
O Encontro que Mudou Tudo
Eu não fui no sábado, fui apenas no domingo. Acordei do nada e decidi: “Vou para o retiro.” Fui para o retiro. A gente ainda usava máscara e tudo mais. Fui achando que era um retiro normal, como todos os outros que eu já tinha vivido.
Chegando lá, me deparei com aquele pessoal muito feliz, me acolhendo de uma forma que eu nunca tinha sido acolhido em nenhum retiro. Fiquei ali, constrangido, mas entrei. Eu não sou tímido, como dá para perceber, mas fui. Uma irmã fez o meu check-in, e eu fui sentar na primeira cadeira da primeira fileira.
Começou a animação, e eu estava meio assim. Quem estava animando olhava para mim. Eu sentia que me acolhiam, mas eu me sentia intimidado, sabe? Peguei e fui para a arquibancada, fiquei lá isolado. Passei o dia todo no retiro, sem saber direito o que estava acontecendo. Eu achava tudo muito diferente, muito estranho. Era um povo muito animado, e eu me sentia constrangido. Ficava meio tímido vendo os irmãos tão íntimos uns dos outros.
Um Acolhimento Transformador
E aí uma pessoa foi uma pedra fundamental nessa minha experiência. Um irmão que é da Comunidade de Vida chegou perto de mim, começou a conversar, perguntou sobre a minha vida e começou a partilhar a dela. E foi me evangelizando ali.
Me tocou muito a partilha dele. Eu nunca fui uma pessoa de expressar meus sentimentos por outra pessoa, assim, de afeto e tal. Enfim, nunca soube demonstrar sentimentos, de dizer: “Ah, eu gosto de você”, ou algo assim. Eu era uma pessoa muito dura, então fiquei ali meio ressentido.
Fui só no domingo. Fomos para a efusão, e eu fiquei: “Meu Deus, o que vai acontecer aqui?” Esse povo todo fazendo fila, e eu fiquei com medo, fiquei nervoso. Uma pessoa subiu lá na arquibancada e outra estava tentando me convencer a descer. Disse que só ia sair dali quando eu fosse. E eu dizendo: “Não vou, não vou, não vou.” A pessoa sentou do meu lado e disse: “Pois eu vou ficar aqui com você.” Aí eu falei: “Aff…” Peguei e desci.
O Dom da Oração em Línguas
A pessoa desceu também comigo. Fizemos aquelas filas. Eu estava com muito medo, nervoso, não sabia o que ia acontecer ali. Mas achava muito bonita a oração em línguas. Eu falava: “Meu Deus, eu não sei o que vai acontecer aqui, mas me dê a graça de rezar em línguas.” Eu falava isso o tempo inteiro.
Aí um irmão começou a rezar por mim. A efusão começou. Aqueles cantos, suplicando ao Espírito Santo, e eu comecei a sentir meu corpo diferente, como se não fosse eu no meu corpo. Sentia como se a minha mão triplicasse, como se estivesse envolvida por alguma coisa. Enfim, sentia que minha mão era muito maior do que era, meu corpo também. Tive uma sensação muito doida, sobrenatural.
E eu pedia: “Meu Deus, me dê a graça de rezar em línguas, me dê a graça de rezar em línguas.” Eu não sabia o que ia acontecer, só sabia falar isso. O irmão começou a rezar em línguas, e depois eu também comecei. Mas era muito embolado. Eu pensei: “Não, eu devo estar imitando, não tem condição.” E ele confirmava: “Artu, recebe esse dom de rezar em línguas.”
Um Encontro Profundo com o Amor de Deus
Eu fiquei: “Meu Deus, é real.” Ali eu tive uma experiência profunda com o amor de Deus. Uma experiência profunda, de fato, com esse amor pessoal. Com esse ser ouvido por Ele. Com esse ser atendido por Deus.
Deus foi abrindo meus olhos para entender que ser católico não é só estar numa paróquia, servindo e vivendo a missa. Porque até então, eu só servia na missa, servia, rezava o terço, mas não tinha uma vida de oração. Eu sabia que Deus estava lá em cima, enfim, que estava presente na missa e tudo mais. Mas eu não sabia que Deus estava comigo. Que Deus estava dentro de mim.
Ali, eu fui tendo essa certeza. Deus foi, de fato, mostrando o seu amor por mim. E foi muito forte. Depois disso, eu não queria mais sair dali.
Uma Vida Transformada
Enfim, fui partilhar o que Deus tinha feito na minha vida. A minha experiência foi simples, mas foi isso. Acho que o mais forte foi essa graça de rezar em línguas. Eu pedi a Deus e, de fato, foi como que instantâneo. Ele me deu essa graça.
Depois do meu Seminário de Vida, eu voltei para minha paróquia, para minha capela. Fui servir no mesmo dia, no turíbulo — minha função favorita na festa. Quando cheguei e botei os pés na igreja, as pessoas me olhavam e diziam: “Nossa, como você está diferente.”
Eu achava que o mundo tinha mudado. Mas era eu. Deus que tinha me mudado. Eu olhava para as pessoas e elas falavam: “Como você está diferente! Como você está diferente!” Eu passei a semana, o mês inteiro feliz. Eu não sabia qual era o sentido dessa felicidade.
Artu Mendes
Vocacionado Shalom – Missão Natal
