
Ali eu ia para meu grupo de oração, fazia parte da obra Shalom, participava da missa diariamente. Na Comunidade, eu tive meu encontro pessoal com o amor de Deus, fiz a experiência da efusão no Espírito Santo, e minha vida foi aos poucos tendo mais significado.
Eu frequentava os retiros e cursos da Comunidade, foi assim que aprendi sobre a oração pessoal. Esse foi um tempo de muito aprendizado, porém eu nunca tinha me sentido parte da Comunidade realmente. Sentia-me como se fosse um satélite girando ao redor da Comunidade, mas sempre do lado de fora.
Em 2011, eu e minha pequena família nos mudamos para Noruega, a trabalho. Deixei no Brasil minha casa, meus amigos, as minhas seguranças, e viemos a esta nova terra. Vim morar na Noruega pois foi me oferecida a ideia de uma sociedade orientada à família. Aqui as pessoas nos escritórios trabalham até às 16 horas e depois pegam os filhos na escola e daí para casa.
Eu achei que essa nova proposta para minha vida iria resolver as dificuldades que eu sentia. Mas não foi assim. Passei uns três anos até descobrir uma missa aos domingos em Espanhol aqui em Oslo, mas nem mesmo a missa aos domingos conseguia consolar meu coração. Durante todo esse tempo de solidão e silêncio, Deus me acompanhava, mesmo com toda a minha dificuldade de ouvir, de entender, de rezar, de me render.
Depois de algum tempo, tive a ideia de contactar a comunidade Shalom em Roma para ver se poderia me confessar ou ter alguém com quem conversar, mesmo pelo telefone, pois aqui a Igreja não tem muitos grupos organizados de laicos ou se os tem são isolados ou em norueguês. Tendo tido contato com a Comunidade por e-mail, foi-me oferecida a oportunidade da vinda de quatro missionários para organizar um retiro para a comunidade latina em Oslo.
Foi um tempo de grandes graças para mim. Pela misericórdia de Deus, a Comunidade me alcançou aqui nesta periferia existencial. Foi realmente nesta periferia que Deus quis me alcançar de forma completa, concreta e sem outros apoios. Aqui onde o ser humano tem resolvido os problemas econômicos, mas a falta do consolo de Deus faz grandes estragos na vida das pessoas.
Uma graça especial que abriu as portas para todas as outras graças que foram chegando, foi a partilha material dos bens, não como esmola, mas como quem devolve com alegria algo do que lhe foi dado. E nessa dinâmica da partilha, Deus encontrou a forma de me abençoar e me dar armas para grandes lutas, antigas e novas, muitas já dadas por perdidas e outras lutas impossíveis aos olhos humanos. Esta experiência me concedeu a graça de confiar em Deus em tudo principalmente fazendo parte da Economia do Reino.
Quando damos tudo, quando não nos apegamos a nada, Deus encontra a forma de nos levar para águas mais profundas na espiritualidade, profundidade de quem experimenta, de quem aceita aquele velho convite: “Vinde e vede”.
Para mim, morando na Noruega o vínculo que tenho com a Comunidade é como uma bússola para alguém que está no mar aberto, me mantém no rumo. Estou longe da praia, mas sei que posso com a graça de Deus e minha bússola manter o rumo, o rumo à santidade, ao céu. Agora tenho raízes e não me sinto mais sozinha mesmo estando do outro lado do oceano.
Shalom!
Gladys Nalvarte