Desde ainda prometidos em casamento, Maria e José constantemente recebiam “notícias” que, venhamos e convenhamos, nada fáceis de absorver: Maria engravida do espirito Santo, José tem que discernir o que era mais santo a se fazer; José recebe instruções por sonho e eles vão pra Belém; o menino Deus nasce em um estábulo; reis pagãos o veneram à medida que outro O quer matar; fuga para terras desconhecidas também anunciadas em sonhos, profecias acerca do que aquela criança causaria…
No nosso dia a dia, com o montante de informações que vão e vêm diante de nossos olhos, naturalmente ficamos em um estado de ansiedade que nos paralisa diante de tantos planos que fazemos para que tudo “ocorra bem”, confiando em nossas habilidades.
Porém, ao contemplar a Sagrada Família, especialmente hoje no dia que a Igreja a celebra, podemos aprender sobre uma confiança, pobreza e fé que precisa ser o alvo de nossos corações.
Consigo facilmente imaginar José, que era Justo, e Maria, Imaculada, o tempo todo pondo em oração todas as expectativas e confiança no Deus que nunca abandonou o seu povo. Se a confiança já estava em Deus, o que mais lhes restava? A fé de que viver o hoje bastaria para realizar a vontade d’Ele.
Com muita clareza, as Sagradas Escrituras nos apresentam uma família que, apesar de santa, apesar de ter o menino Deus com eles (que por ser Deus estava acima de tudo), se submetiam à lei. Faziam cada coisa em seu devido tempo, vivendo o hoje, sem se perturbar que o que viria. José e Maria se preocupam como qualquer pai e mãe, mas diante dos mistérios o silêncio e a adesão sempre foi a resposta deles.
Não consigo imaginar que outra explicação se possa dar a tal benevolência que não seja os corações pobres, humildes e castos que José e Maria portavam, que jamais puseram confiança em algo da terra, mas apenas no Deus que sempre cumpriu o que prometeu por muito amar. E que lugar perfeito para Ele mesmo nascer, não é?
Vendo a vida deles por esta perspectiva, é impossível dizer que carregamos sobre nós qualquer exigência ou compromisso que tenha um potencial de pressão que possa chegar ao menos perto da de gerar e criar o filho de Deus e ser obedientes e fieis até o fim nessa missão.
Em contraste, podemos também realizar a grande discrepância na nossa resposta a tudo que nos exige compromisso, claro, fruto de uma condição humana limitada que não pode ser ignorada. Mas, assim como o nascimento do Menino Jesus no seio da Sagrada Família era um desejo maior do coração de Deus Pai do que de qualquer outra pessoa, assim também é o anseio Dele de que alcancemos tais virtudes, que confiemos, tenhamos fé e sejamos abandonados em Suas mãos.
Assim como o Menino Deus foi educado, cresceu em estatura e sabedoria nesta família, neste dia peçamos que eles também nos tomem como filhos, intercedam por nós e nos eduquem para a santidade.
Jonas Fernandes
Consagrado da Comunidade de Aliança na Missão de Natal
