Quanta vida há na Tua morte
Somente uma humanidade perfeita poderia se deixar ferir.
Somente uma divindade completa poderia suportar tamanha dor.
Somente o Amor pode se deixar ferir por amor.
Nas Tuas feridas vejo os meus pecados, minhas corrupções.
Imersos em sangue. Lavados. Purificados.
E eu mereço? Mesmo assim O fazei.
Eu não suportaria a Tua cruz.
Por fraqueza da carne? Sim.
Mas, mais ainda por fraqueza no amor.
Tu morreste por mim.
Dignificaste o meu desprezível amor.
Morreste também pelos Judas, os Barrabás, os pilatos, os fariseus.
Assim como esse sangue toca minhas feridas,
Toca as feridas de uma humanidade silenciosa, centralizada e triste.
Outra vez, a primeira vez e única vez.
Bebe o cálice da paixão por todos. Todos.
Oferta-se sem aplausos.
Morre pelos que não choram por ti.
Prediletos. Amados.
Doce beijo da reconciliação.
Sinto o Teu cheiro. Exala um perfume suave e forte. Doce e amargo.
Os dois lados do crucificado.
De um lado o Teu corpo glorioso, do outro o meu corpo humilhado.
Humilhado pelo Amor!
Deveria ser eu.
Mas Tu derramaste cada gota por cada um de nós.
Quanto a mim? Inocentado
E Tu? Culpado!
A vítima
Sofreu as minhas culpas
Perdão, Senhor, por tantos pecados…
É o Teu amor.
O Teu amor que torna possível o leito da cruz
Quanta vida há na Tua Morte
Quanta espera há na Paixão.
Marina Pimenta
