Shalom

“Quanto a ti, uma espada te transpassará a alma”

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Celebrar a Memória de Nossa Senhora das dores pode parecer, afinal, um tanto masoquista. “Porque relembrar as dores -poderíamos questionar- Se há tantas coisas boas a serem recordadas? Mas o que talvez tenhamos esquecido é que a dor e o sofrimento fazem parte da vida e que fazer memória da Virgem das dores é colher o testemunho daquela que viveu perfeitamente os sofrimentos que a vida lhe ofereceu e que, por isso, nos serve de exemplo para vivermos os nossos sofrimentos.

Na Liturgia de hoje está Maria “de pé”. Isto não é um mero detalhe que nos apresenta o Evangelista João, mas diz respeito ao modo como Maria soube acolher o momento mais doloroso de sua vida.

Décadas antes, Maria apresentando Jesus ao templo, via o Menino ser erguido nos braços de Simeão e ao mesmo tempo acolhia com os ouvidos sempre atentos a profecia : “uma espada transpassará tua alma” (Lc 2, 35). Depois de muitas dores vividas, era chegado o momento culminante do cumprimento desta profecia. Ela via mais uma vez o seu Menino ser elevado, mas agora Ele estava na Cruz.

Que dor também excruciante viveu Maria. Mas ela permanecia de pé. E mais do que isso, ajudava outros a permanecerem.

Nos diz São João Paulo II:
“Na cruz de Cristo, na união redentora com Ele, no aparente fracasso do Homem justo que sofre e com o seu sacrifício salva a humanidade, no valor de eternidade desse sofrimento está a resposta. Voltai o olhar para Ele, para a Igreja e o mundo, e elevai o vosso sofrimento, completando nele, hoje, o mistério salvífico da sua cruz.”

Foi exatamente este o mistério que Maria viveu: com a sua dor ela se uniu à Cruz de Cristo. Não poderia ser diferente para aquela que viveu toda a vida voltada para Ele.

Que neste dia no qual celebramos Nossa Senhora das Dores possamos deixar que ela, que acolheu São João como filho, acolha a cada um de nós e nos ensine como abraçar nossas próprias dores, fazendo do sofrimento uma força impulsionadora do amor. Isso fará com que cada necessário sacrifício se torne cheio de sentido. Lembremos unidos a Nossa Senhora que também o sofrimento humano foi abraçado e redimido por Cristo.

Virgem das Dores, rogai por nós!

 

 

 

                                                                                                                                                   Por Thalita Lima


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