Diante da dor do mundo, o coração de Jesus se moveu. O Evangelho nos mostra o olhar do Mestre sobre as multidões: homens e mulheres cansados, feridos, confusos — ovelhas sem pastor.
E então Ele diz:
“A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da messe que envie trabalhadores para a sua colheita.” (Mt 9,37-38)
Essas palavras atravessam os séculos e chegam até nós. Não são apenas um chamado antigo, mas um grito de amor que continua ecoando no coração da Igreja e em cada vocação missionária.
Como não ouvir o clamor que nasce do Coração de Cristo?
Como permanecer indiferentes diante do amor que nos escolheu?
A compaixão que nos escolhe
Deus nos pede, hoje, para falar de compaixão. Não porque a dominamos, mas porque fomos alcançados por ela. Fomos escolhidos quando ainda éramos pecadores (cf. Rm 5,8).
A compaixão de Deus é o primeiro olhar que nos restitui o nome e nos devolve à vida. E quando alguém se descobre amado assim, algo dentro dele muda para sempre. Aquele que foi tocado pela misericórdia não consegue mais permanecer parado.
“A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus.” (Papa Francisco, Evangelii Gaudium, 1)
A verdadeira compaixão não é sentimentalismo; é um fogo interior que move o discípulo à oração e à missão. Não nasce do ativismo, mas do escutar da voz de Deus que envia.
É na oração de intercessão que aprendemos a conhecer o coração de Deus, a conhecer o povo e também a nos conhecer. Porque o missionário é, antes de tudo, um intercessor. Ele se coloca entre o clamor do mundo e a ternura de Deus, e deixa que esse amor o consuma por dentro.
Uma inquietude santa
Há uma inquietude santa no coração daquele que foi encontrado por Cristo. Uma força que o impulsiona a sair de si, a atravessar fronteiras, a levar o consolo que um dia o salvou.
“Ai de mim se eu não evangelizar!” (1Cor 9,16)
Essa inquietude não é ansiedade — é vida que transborda.
É o Espírito Santo que queima por dentro e transforma o medo em anúncio.
Quem experimentou a misericórdia sabe que não pode mais guardar silêncio.
“Cristo não nos tira nada do que é belo e grande; Ele dá tudo, e dá em abundância.” (Bento XVI)
O missionário parte porque ama. Não porque tudo está resolvido, mas porque o amor o tornou livre. Ele descobre, pouco a pouco, que a messe é também o seu próprio coração — onde Deus continua a colher frutos de conversão e abandono.
A resposta que nasce da oração
Na solidão orante, a voz de Deus se faz ouvir novamente:
“A quem enviarei? Quem irá por Mim?” (Is 6,8)
E aquele que foi tocado pela compaixão responde com simplicidade e coragem:
“Eis-me aqui, Senhor. Envia-me.”
A missão nasce dessa resposta silenciosa e cheia de confiança. E mesmo quando o coração se sente pequeno, a alegria do envio é maior. Porque é Ele quem chama, quem envia, quem sustenta.
O Senhor continua a chamar — em meio às dores do mundo, nos becos, nas comunidades, nos corações inquietos que ainda têm sede. E nós, com os olhos fixos n’Ele, queremos responder com alegria: “Envia-nos, Senhor — a messe é Tua!”
Por Noor Gonzalez
Shalom, Comunidade vida – Missão Fortaleza
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