Formação

Quem reza tem mais saúde…

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beape2chjoqhzgm5twro6y4o3A doença faz parte da história do ser humano. A cada dia vencemos uma doença e aparecem outras que vêm de longe, carregadas não nas nossas malas de viagem, mas bem acomodadas dentro de nós ou escondidas na nossa roupa, invisíveis aos olhos humanos, como a pneumonia asiática que, sozinha, coloca todos os aeroportos e países em estado de alerta máxima. E ela, quase rindo-se de nós, passa tranqüilamente pelos aparelhos mais sofisticados do planeta.

Porém, não é desta doença física que queremos falar, embora esteja comprovado cientificamente que os que rezam encontram mais força para reagir e recuperarem a saúde com mais facilidade. A oração é algo tão forte e positivo que dá força a qualquer desanimado. É muito difícil encontrar uma pessoa orante que esteja desanimada e que perca a visão do horizonte de onde podemos desde já descortinar a vida plena, que é eterna.

Os doentes na Bíblia
O grande doente do Antigo Testamento é Jó, que se debate nas suas dores e luta contra todos que querem lhe convencer de seus pecados, quando ele sabe que no profundo do seu coração nunca se separou de Deus e sempre foi fiel.

Também o profeta Isaías nos oferece um quadro triste, quase que repugnante, do “servo sofredor de Javé”: Ele vegetava na sua presença como um rebento, como raiz em terra seca: Não tinha beleza nem formosura que atraísse os nossos olhares, não tinha apresentação para que desejássemos vê-lo. Era desprezado, era o refugo da humanidade, homem das dores e habituado à enfermidade; era como pessoa de quem se desvia o rosto, tão desprezível que não fizemos caso dele. No entanto, foi ele que carregou as nossas enfermidades, e tomou sobre si as nossas dores. E nós o considerávamos como alguém fulminado, castigado por Deus e humilhado. Mas ele foi traspassado por causa das nossas rebeldias, esmagado por causa de nossos crimes; caiu sobre ele o castigo que nos salva, e suas feridas nos curaram (Is 53,2-5).

Mas o livro dos “doentes” por excelência é o dos salmos. De 150 salmos acredito que não existam 30 que não abordem o pessimismo humano, a doença, o grito de quem está debaixo da dor e não sabe como caminhar. Como não lembrar os salmos que nos falam que o corpo é uma grande chaga que emana mau odor, os ossos estão todos desconjuntados? É grito de dor que corta o coração.

Os doentes nos evangelhos
Os evangelistas relatam que muitos doentes eram levados a Jesus e ele os curava (cf. Lc 4,40). Jesus mesmo, embora filho do Deus, sendo filho do homem não fugiu da dor, do sofrimentos. Também a dor faz parte da sua e da nossa história, relembrando a nossa limitação temporal. Jesus recorda que a salvação não é destinada somente à alma, mas também ao corpo. Por isso os milagres operados por Jesus são significativos.

Devemos colocar a serviço do homem os nossos dons e carismas para que ele possa ter uma saúde física forte e boa. Como é maravilhoso contemplar os cientistas empenhados para descobrir vacinas contra todas as doenças.

A doença é para nós uma constante “interrogação” que nos angustia e faz sofrer, e diante dela somos chamados a dar a nossa resposta: recorrer a todos os meios da ciência para superar a doença e voltarmos a ter saúde. Mas quando os meios da ciência se esgotam, Deus se faz fonte de toda nossa salvação e a doença deve ser vista na ótica da fé. Ao longo da história o ser humano sempre tentou superar as suas limitações, doenças, epidemias, dificuldades… mas ao mesmo tempo ele sabe que a força de Deus lhe dará coragem para carregar a cruz de salvação e de amor.

A doença nos faz dependentes de Deus
A doença nos obriga a renunciar a nossa autonomia, capacidade, auto-suficiência e a colocar-nos nas mãos dos outros; nos humilha e ao mesmo tempo, se vemos isto à luz da fé, nos sentimos amados por Deus e pelos outros. A doença e a velhice, que é considerada a última doença da vida, lentamente nos faz frágeis e nos faz perder a própria capacidade de agir, nos esvazia de toda a nossa força e nos dá uma visão clara da nossa realidade humana.

Assim a doença se faz mensageira da vida e nos recorda que a nossa capacidade de ser “donos” de nós mesmos, de ser auto-suficientes é demasiadamente breve. Na escola da doença se aprende caminhos novos.

Caminho de conversão
Os homens nunca conseguiram derrotar para sempre a doença, mas é preciso transformá-la em caminho de salvação e de vida. A doença nos ensina a verdade sobre nós mesmos e nos abre caminhos novos de amor e de identificação com Jesus de Nazaré.

A maioria dos santos foram provados por Deus através de doenças longas e difíceis. Doenças físicas e espirituais que colocaram dura prova à fé, à esperança e ao amor destes santos. Basta citar Inácio de Loyola que, doente, ferido nos combates e obrigado a ficar na cama, leu a vida de Jesus e se converteu, e tornou-se o grande Inácio, destemido e capaz de enfrentar todas as batalhas contra o mal, em todas as suas várias manifestações.

Como não recordar Francisco de Assis que, preso, sente-se sozinho, desolado e abandonado por todos, então percebe a presença e a voz amiga de Jesus Cristo que o chama e, convertendo-se, se torna o grande santo que, embora de saúde frágil, enfrenta todas as lutas. Francisco foi marcado por Deus com o sinal mais querido e desejado por todos os apaixonados de Jesus crucificado: os estigmas, chagas de amor que faziam sofrer e muito.

Para ficar na minha casa, no meio dos meus santos que penso conhecer melhor, a doença é amiga dos santos do Carmelo. Costumo dizer, com uma ponta de humorismo, que o Carmelo é um hospital perfeito, nele temos três doutores: Santa Teresa, São João da Cruz e Santa Teresinha do Menino Jesus; uma enfermeira da cruz vermelha: Edith Stein; uma outra enfermeira não diplomada mas cheia de caridade, de ternura: Santa Teresa Margarida Redi; e duas doentes: a Beata Elisabete da Trindade e Teresa de Los Andes. Entre os frades, são mais os doentes que os profissionais de saúde.

Quero lembrar outra doença tão presente nos santos e nos místicos: a saudade de Deus. A nossa alma suspira pela verdadeira saúde que é Deus.

Você está doente?
Todos nós estamos doentes. É necessário aprender a diagnosticar as nossas enfermidades, procurar médicos e remédios adequados. A saúde é a plena harmonia que se estabelece entre o físico e o espiritual. Todo o nosso ser é um corpo bem harmônico que é chamado a viver com intensidade a vida. Não podemos fugir da doença nas suas múltiplas manifestações, mas podemos aprender a administrá-la e a transformá-la em amiga do nosso caminho, em companheira que nos aproxima de Deus e dos outros, faz-nos mais ternos e delicados. É preciso passar pelo caminho da doença para compreender os que sofrem e não ter compaixão, mas ser solidários e ter a mão estendida para ajudar os outros, a não se debruçar egoisticamente sobre as próprias feridas, mas saber olhar para o alto de onde vem a nossa salvação.

É necessário fixar o nosso olhar em Cristo Jesus chagado e ao mesmo tempo sereno, porque na dor e no sofrimento realizou por completo o projeto e a vontade do Pai. Os santos adoecem como todos os outros, mas reagem em forma diferente porque percebem que a dor e o sofrimento são caminhos de união íntima com o Senhor.

Rezar é contemplar a vida, quer na saúde quer na doença, como dom de Deus que deve ser vivido com amor. A cruz não pode ser arrastada porque se faz mais pesada, deve ser carregada com fidalguia. Quem reza adoece, mas adoece diferentemente porque carrega a doença com amor e esperança. A saúde é saber amar tudo o que recebemos na vida, ter a certeza de que na dor ou na alegria não estamos sozinhos, Jesus caminha conosco e nos cura, tornando-nos capazes de carregar as nossa doenças.

Frei Patrício Sciadini, OCD

Formação: Abril/2009

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