Através da santa tradição da Igreja e dos santos padres da Igreja oriental, São Epifânio e São Gregório de Nissa, poderemos conhecer as particularidades e as virtudes da vida de São Joaquim e Santa Ana, que foram os avós de Jesus Cristo.
Joaquim, nome que vem do hebraico e significa “preparação de Javé”, era um homem de posses, descendente direto do Rei Davi e parente próximo de São José, que viria a ser esposo de Maria e pai terreno de Jesus. Joaquim e Ana eram estéreis e a partir do momento que souberam, decidiram guardar a castidade em uma decisão mútua de oferta à Deus, já que não tinham a possibilidade de ter filhos.
Certa vez, quando São Joaquim estava no templo, foi repreendido pelo sacerdote chamado Ruben por não ter filhos. E por conta desta repreensão, ele ficou bastante transtornado por sua esterilidade. Santa Ana, sua mulher, já era idosa e também era estéril.
Confiando no poder divino, decidiu ir para o deserto para orar e meditar. Orava e jejuava ofertando sua vida e a de sua esposa a Deus. Foi quando um anjo do Senhor lhe apareceu, dizendo que Deus tinha ouvido suas preces e revelou que ele teria um filho.
O milagre
Por conta desta revelação e pela obediência à Vontade de Deus, voltou para casa e partilhou o acontecido com sua esposa Sant’Ana. Desta forma, voltaram a ter relações sexuais e algum tempo depois Ana ficou grávida da Virgem Maria. Segundo a tradição cristã, a filha de Joaquim e Ana recebeu o nome de Miriam, que em hebraico significa Senhora, Soberana, traduzido para o latim como Maria.
Deus preparou Sant’Ana delicadamente para receber sua filha, que seria a Arca da Nova Aliança. O Senhor preparou aquele casal com agraciadas virtudes para serem instrumentos na formação da jovem Maria, aquela que nos traria o Salvador.
Sant’Ana educou a filha com a caridade do Amor Divino e foi assim, que tendo a consciência que Maria foi um presente do Pai e com o coração inflamado pela gratidão, que eles ofertaram de bom grado sua filha para ser consagrada a Deus. E mesmo sem saberem, estavam sendo um instrumento dócil ao Espírito para que se cumprisse as Escrituras. E desta oferta, Deus faria e traria para cada um de nós a salvação.
Mediadores do Amor
A importância destes dois santos são imensuráveis, pois através deles Deus preparava uma grande história de Amor que nos seria apresentada pelo Divino Filho, o qual o denominamos como o Nosso Salvador.
Diz a Santa Tradição cristã que São Joaquim morreu com a idade de oitenta anos, quando Maria Santíssima era ainda menina com doze anos. Até então, ela era aluna da escola do Templo de Jerusalém, onde fora oferecida aos três anos de idade e foi educada, ficando lá até o tempo de noivar com São José.
O culto aos pais da Virgem Maria foi tardio no Ocidente, com início tímido em torno de 900-1000, enquanto no Oriente cristão já no século VI havia manifestações litúrgicas relevantes, especialmente em ligação com as festas marianas como a Concepção e a Natividade. Foi o Papa Gregório XII que apontou, em 1584, a sua festa litúrgica para 26 de julho, dia este também dedicado aos avós.
Sant’Ana e São Joaquim,
rogai por nós!
Valdo Lacerda
Missionário da Comunidade de Aliança
