Hoje cedinho, li um artigo no site da Comunidade Shalom que dizia assim:
“De repente, uma situação nos sacode e muda tudo de lugar. O primeiro sentimento é angústia e desespero. Com o tempo, porém, percebemos a necessidade da paciência e, quando cultivada, ela dá origem à esperança. Da esperança, nasce o louvor.”
E foi exatamente assim a nossa semana. Segunda-feira, tudo fluía normalmente. Na terça, o Mateus amanheceu com uma rouquidão. Da rouquidão, rapidamente evoluiu para um desconforto na garganta, que logo evoluiu para uma tosse cheia, que em pouco tempo começou a evoluir para um cansaço. Corremos para o hospital quase meia-noite e, depois de uma madrugada sendo medicado, veio a internação. Logo na manhã de quarta, o diagnóstico: início de pneumonia.
Mas como assim? Do nada? Uma pneumonia do nada? Em menos de oito meses, o Mateus está na sua segunda internação. E é claro que vem muita insegurança, medo, preocupação. É um rebuliço! Tudo fica fora do lugar. A rotina — não só da minha casa, mas de toda a nossa rede de apoio — mudou bruscamente. Totalmente do nada! Mais uma vez, “saímos do controle”. Aliás, na verdade, nunca estivemos, né? Mas aqui, quando paramos em um leito de hospital, a gente realmente se dá conta disso. Parece que cai a ficha!
O que cultivar no meio da dor?
Tenho pensado muito nisso nos últimos quatro dias: o que cultivar aqui? Iniciamos o tratamento do Mateus e várias vezes me peguei pensando: “Como viver esses dias aqui? Como não me desesperar, não somente quando olho para a realidade do meu filho, mas também quando tudo ao meu redor é sofrimento, é dor, é enfermidade, é um constante questionamento entre viver ou morrer?”
Li esse primeiro artigo e depois lembrei de outro que já havia lido, do Papa Francisco, quando ele falou sobre o sofrimento humano, como esse lugar não é apenas de dor, mas também de encontro com Deus. É muito difícil pensar assim, né? Muito desafiador estar vivendo uma realidade de sofrimento, independentemente do nível, mas que nos tira do nosso conforto ou comodismo, e visualizar isso como um lugar de encontro com Deus.
Na minha vida e na vida da minha família também é assim. Somos uma família consagrada, vivemos a experiência do encontro com Deus. Nossos filhos nasceram dentro dessa realidade de fé, de missão. Mas sempre que o sofrimento bate à porta, nós também precisamos escolher como viveremos essa experiência.
Somos convidados a escolher pela via do encontro com Deus, deixar Deus falar também aqui, nesse lugar, nesse leito, nesses corredores; no segurar o filho chorando enquanto a equipe médica procura a veia certinha; no acolher os profissionais; no se deixar conhecer; no olhar para as famílias que estão ao nosso redor e que também vivem sofrimentos iguais ou muito maiores que os nossos… Ah! Deus pode falar de tantas formas!
Louvar da cruz
Mateus segue em tratamento, evoluindo bem! Mas permanecemos aqui, dia e noite, no leito. E entre os horários de medicações, de aferição de temperatura, de nebulizações e de fisioterapias, eu sigo pedindo a graça de cantar o meu louvor na cruz, de honrar o Deus poderoso que me ama aqui, da cruz, da nossa cruz de hoje.
Peço a graça de reconhecer a bondade e a grandeza de Deus não quando tudo estiver ótimo, no seu devido lugar, mas hoje, peço a graça de reconhecê-Lo daqui, da nossa cruz. Cruz que não é eterna, é passageira, mas que é de onde hoje sou chamada a louvar.
Finalizo com uma citação do Papa Francisco:
“Em tempos de doença, sentimos nossa fragilidade humana nos níveis físico, psicológico e espiritual. Mas também experimentamos a proximidade e a compaixão de Deus, que, em Jesus, compartilhou nosso sofrimento humano. Assim, o sofrimento se torna uma ocasião para um encontro transformador — a descoberta de uma rocha sólida à qual podemos nos agarrar em meio às tempestades da vida.”
Eu não sei qual é a sua cruz hoje, nem que tipo de sofrimento você pode estar vivendo, mas eu sei que Deus tem feito muito aqui e com certeza tem feito aí também. Conto com a sua oração pela saúde do Mateus e também para que vençamos essa batalha com muito louvor e alegria, porque é assim que os filhos de Deus vencem suas lutas: unidos a Ele, com louvor e alegria!
Quero cantar meu louvor daqui, de onde tudo é incerto, mas de onde também, durante esses dias, já contemplei tantas graças, tantos milagres. Quero cantar meu louvor porque é aqui onde Deus também me ama, me ensina e me faz crescer hoje.
Luciele Hortencio
Consagrada da Comunidade de Aliança
