
“Tu nunca me lavarás os pés!”, exaltou-se Pedro. Mas Ele, depois de tantas provas de paciência, insistiu mais uma vez com o discípulo, como pai com o filho, em querer fazer-lhe o bem. E como se não bastasse, ensinou de novo a amar: “Compreendeis o que acabo de fazer? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz”.
Verdade é que o amor nunca se basta. Ao menos não quer se bastar. Quer superar-se em bondade, quer dar-se, não se deixa vencer em generosidade. Como é infinito, Ele mesmo é o seu limite.
“É anseio do Coração do Amado que nos dediquemos a dar provas de amor uns para com os outros (…) Devemos enxergar nos irmãos excelente oportunidade de darmos provas de amor ao nosso Rei. Aceitando as suas ofensas, ouvindo os seus queixumes, amando os que não são amados, perdoando os que são difíceis de perdoar, vivendo o Seu Amor” [2]. Provas sem limites, na alegria e na tristeza, na dor e em meio a sorrisos. Provas, a providência divina, na sacralidade do cotidiano, encarrega-se de nos oferecer oportunidade para dá-las. Provas de amor, o amor que vai até o fim, que não se basta.
[1] Diálogo de Jesus com seus discípulos no Lava-Pés, narrado em Jo 13,1-15
[2] Moysés Azevedo. Escrito Amor Esponsal.
Emanuele Sales