Vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria. (Jo 16,20)
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Chovia, quando acordei. Os óculos embaçados após a primeira expiração por conta da máscara que vestia, logo denunciaram o clima mais frio que estava lá fora.
Levantei da cama, troquei de roupa, peguei minha mochila e pouco tempo depois já não estava só: Alguém me esperava.
Enquanto rezava, percebi que a chuva não somente havia passado, mas a claridade de um novo céu irrompia por entre as escuras nuvens que antes cumpriam o seu papel no ciclo da água.
Recordei uma frase de um livro antigo: O sol depois da chuva é mais bonito que o sol de todo dia. Abri um meio sorriso. Achei interessante. Acabara de ler sobre outro ciclo: o da Ressurreição. Os discípulos ficariam tristes e depois felizes. Tristes, pela partida e aparente ausência; felizes, como sinal da felicidade eterna, da Vida eterna, da Presença eterna e sempre viva.
Tudo isso aconteceu em alguns poucos minutos. O breve sorriso deu lugar a uma expressão duvidosa quando me pus a pensar se acaso aquelas palavras eram verdade em mim.
Passei a refletir…
Neste tempo de chuva sobre a humanidade, temos medo, é verdade. Eu também tenho. Uns ficam tristes, outros ociosos, outros ansiosos. Alguns, tristes e ociosos e ansiosos. Tudo parece tão escuro…
Corremos o risco de perder o Sentido, quando tudo o que vemos é a escuridão. No entanto, é preciso que se saiba: a experiência da Ressurreição lança os raios necessários para desde já enxergarmos a Luz que há de vir.
Já não há motivo para medo: sempre vem, o sol. E mais bonito que o sol de todo dia. Imagina a beleza deste que virá!
Seja a esperança o fruto desta chuva, que rega as sementes de eternidade mais profundas lançadas em nós.
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Por trás das nuvens, o Sol não deixou de brilhar só porque a terra escureceu.
Maria Luísa de França
