Já faziam uns trinta minutos que ela estava de pé. Não importa que horas ela vá se deitar, no dia seguinte sempre levanta cedo. Nesta madrugada, Mainha veio ao meu quarto reclamar de uma dor que a estava impossibilitando de realizar as tarefas domésticas.
Pelo seu semblante abatido e desapontado percebi que eu precisava fazer algo. Ela precisava descansar. E bendito descanso dela que me pôs numa rotina ousada e feliz. Durante duas semanas, enquanto ela se recuperava, eu assumi todas as suas responsabilidades com a casa.
A cada louça lavada, almoço preparado, conversa partilhada, na responsabilidade com os outros membros da nossa família, o meu suor era purificado por Deus.
“Isto é agradável ao Senhor!” Esta era a certeza que ecoava em meu coração. A cada dia em que eu fui “a mãe da casa” fui percebendo a ação divina a me ajudar no ordinário.
Encontrei nesse cuidado com a minha mãe, na vivência da sua rotina, a sabedoria de uma vida ordenada como consagrada: empenhar o tempo e dons em vista do outro, comprometendo-me.
Tive que ficar no lugar dela para perceber o quanto sua oferta diária é imprescindível ao meu SIM a Deus.
E foi assim, fazendo o que ela faz, que compreendi que as mães têm um relógio próprio. É o relógio do amor! Em que a cada fração de segundo se exala o perfume da oferta.
O tempo delas não é como o nosso, tantas vezes egoísta e frio. O tempo na rotina de uma mãe é repleto de cuidado, amor, dedicação, zelo, tudo isso em meio ao cansaço, as dores, os medos e as inquietações.
Mães desconhecem a linguagem do individualismo, do “cada um por si”. Elas planejam seu dia não em vista de sua satisfação pessoal, mas de um todo chamado família – que a faz uma mulher inteira.
Biológicas, adotivas, espirituais, somos mães. Mães de uma humanidade sedenta pelo amor paterno do Senhor.
Todas nós mulheres nascemos com um relógio especial no pulso de nossas almas que nos alerta que o tempo de amar é o presente, o agora, o hoje! E é com a vivência da maternidade que esse relógio se torna visível.
Se o trabalho das mães é amar, qual seria então seu salário? Acredito que é a felicidade dos filhos, que para nós facilmente pode ser traduzida como a busca pela santidade deles.
Mães, perfeitas escolas de amor tecidas pelas mãos do Pai das Providências. Mães são expressão concreta do amor paterno de Deus por nós.
São colo, consolo, alegria, firmeza, são o abraço do Senhor a nos dizer: “estou aqui filhinho!”.
E aconteça o que acontecer, mesmo com as distâncias, mesmo que os filhos sejam indiferentes, as mães sempre continuarão “por perto”, pois sua maternidade não vem do exterior, está cravada no íntimo de si e recebe a força do Alto.
Por Socorrinha Mouta
