Mais um Renascer tecido em nossa história, um retiro onde colecionamos experiências que tocam a eternidade.
Para muitos, foi o primeiro encontro; para outros, o décimo; há ainda quem já tenha alcançado o vigésimo, e existem aqueles que caminham desde a primeira edição. Mas o que permanece gravado na memória do coração não é o número de vezes que participamos, e sim as experiências de Deus que vivemos em cada Renascer.
Eu me chamo Leandro Vasconcelos e, neste ano, participei da minha décima terceira edição. Doze delas servindo, uma sendo servido, e todas verdadeiramente participando. Porque, seja diante do palco animando, cantando, na lanchonete, entregando um salgado ou até mesmo limpando um banheiro, percebo que ao longo desses anos sempre recebi muito mais do que ofereci.
Quando olho para um jovem, um adulto, uma criança ou um ancião ali, diante de Jesus, fazendo sua própria experiência de amor com Deus, minha alma se ergue em um clamor profundo: vale a pena, vale a vida inteira. Vale cada gota de suor, cada dor nas costas, cada cansaço, cada fadiga, cada instante de desgaste. Vale a pena por aqueles minutos em que alguém, tocado pela graça, se apaixona por Deus. É como contemplar um ícone sendo escrito diante dos meus olhos.
A cada ano, Deus me recorda da minha primeira experiência com o Seu amor. Desde então, caminhei sendo obra, membro de grupo de oração, discípulo, consagrado. Hoje sou noivo e, no próximo ano, serei casado. E algo me alegra ainda mais: em todos os anos vindouros da minha vida, o meu Carnaval continuará sendo no Renascer. Guardo com carinho o lema que mais me marcou: a nossa alegria não termina na Quarta-feira de Cinzas. A nossa alegria é eterna. A nossa alegria tem um nome. A nossa alegria é Deus.
Mas afinal, o que realmente muda de um ano para o outro? A programação parece, à primeira vista, sempre igual. O sábado traz a Missa da Misericórdia, e o domingo, a segunda e a terça seguem o cronograma habitual de pregações, louvores, apresentações artisticas… Porém, o verdadeiro algo novo não está na ordem das atividades, mas no que acontece dentro de nós. Porque o que muda, muito além do tema do retiro, somos nós: às vezes mais maduros, às vezes não; mais orantes, ou tentando reencontrar a oração; mais sedentos de Deus, ou buscando despertar de novo essa sede. Cada Renascer nos encontra em um ponto distinto da nossa história espiritual.
E é justamente por isso que Deus se revela de modos tão diferentes a cada edição. Ele conhece nossos caminhos e nossos cansaços, sabe o que precisamos e onde precisamos ser tocados. E por conhecer tão profundamente o coração humano, Ele nos alcança de maneira particular e delicada, sempre certeira, sempre nova. O “algo novo” é essa abordagem única com que Deus nos visita, nos surpreende e, de forma amorosa e convincente, nos chama de novo para perto d’Ele. É assim que, mesmo com a mesma programação, cada Renascer se torna uma experiência inédita de amor.
Ao final de cada Renascer, costumo me perguntar: e agora? Como estou e o que faço daqui para frente? Com a força dessa experiência, encontro mais coragem para atravessar o deserto quaresmal. Afinal, bebi da água viva, e como um dromedário que carrega em si reservas para longas jornadas, guardo em meu coração essas fontes de graça para nutrir minha oração, meu jejum e minha penitência nos exercícios da Quaresma. O que vivi no retiro se torna sustento, memória que ilumina, alimento que permanece.
O Renascer sempre me aponta uma certeza profunda: o meu Senhor, Aquele que transformou a minha vida e a vida de tantos, Ressuscitou. E é essa verdade que me chama a levantar, a recomeçar, a ressuscitar com Ele. A cada edição, Deus me lembra que a conversão é caminho contínuo e que a vida nova não é promessa distante, mas convite presente. E assim eu sigo, levando comigo a alegria eterna que não termina nunca, porque nasce do próprio Deus.

