O primeiro dia é assim.
A timidez não deixa a maioria dançar, nem mesmo escolher os primeiros lugares.
Mas há quem insista, convide, puxe pelo braço e pronto, o corpo louva.
O estranho vira amigo, compartilha a música e o sorriso, este mesmo que esteve ausente em tantas faces.
São muitas novidades para quem chega no início.
Nem tudo é comum. O local. A programação. O repertório então…
Similar em todos mesmo é apenas uma coisa: estão sedentos.
Sim, com sede, como aquela mulher em Samaria, ao lado do poço.
O Renascer é isso. Poço. Profundo. Onde desconhecidos se encontram.
Abismos se abraçam. Dialogam. Trocam confidências.
Parece estranho, mas quem persiste vai se sentindo em casa.
Vai ganhando vestes novas, um anel no dedo.
Percebe que não está só. Tem irmãos.
E o pai o esperava ansioso.
É só o início. O recomeço. O Renascer.
O primeiro dia é assim. Corrido. Alegre. Até deixa cansado.
Mas ele não termina. Ele nunca acaba.
Amanhã tem mais.
Por Felipe Ramos
Missão João Pessoa