Oração

Reze conosco neste sábado a Celebração da descida de Jesus à mansão dos mortos

Medite conosco neste dia em que proclamamos a vitória da Cruz sobre a morte.

comshalom

CELEBRAÇÃO PARA O SÁBADO SANTO

Esta celebração tem o objetivo de nos mergulhar na morte de Cristo e na sua descida à mansão dos mortos para reconhecer que “o Filho de Deus se entregou por mim. ” (Gl 2,20). Por isso é um momento voltado para a cura interior, mas também para o louvor ao Cristo que desceu aos infernos para derrotar a morte.

Diante do contexto da pandemia em que fomos inseridos e no qual podemos ver tanta dor no mundo, essa celebração poderá auxiliar os participantes a compreenderem que o mesmo Cristo que desceu aos infernos, também desce a nossa realidade, para habitar a nossa dor, sofrer conosco e para ser princípio de ressurreição e de esperança.

INÍCIO

V. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Neste momento, com o lugar às escuras e iluminado apenas o ícone da descida à mansão dos mortos, faz-se uma breve invocação ao Espírito Santo e em seguida, sem motivação alguma, a leitura do texto da antiga homilia do Sábado Santo.

Sugestão de Música: Ossos Secos – Comunidade Shalom 

Desce, ó Espírito Santo
Nas profundezas do meu ser
Vem e traz a esperança
Que é possível reviver
 
Vede, então, meus ossos secos ao chão
Dos Teus lábios, ó Senhor, sopra a ressurreição
 
Sopra, Espírito, sopra, Espírito
Faz-nos reviver, nos põe de pé
Sopra, Espírito, sopra, Espírito
Faz-nos reconhecer que Tu és Deus
Aquele que a morte venceu
 
Sopra, Espírito! Sopra, Espírito!
Sopra, Espírito! Sopra, Espírito!
Sopra, Espírito! Sopra, Espírito!
Sopra, Espírito! Sopra, Espírito!
 
Vede, então, meus ossos secos ao chão
Dos Teus lábios, ó Senhor, sopra a ressurreição
 
Sopra, Espírito! Sopra, Espírito!
Faz-nos reviver, nos põe de pé
Sopra, Espírito, sopra, Espírito
Faz-nos reconhecer que Tu és Deus
Aquele que a morte venceu

O Sacerdote do lado de fora, bate três vezes na porta e diz:

= “Ó portas levantai vossos frontões!
elevai-vos bem mais alto antigas portas,
a fim de que o Rei da glória possa entrar!”

R – Dizei-nos: quem é este Rei da Glória?

= É o Senhor, o valoroso, o onipotente,
o Senhor, o poderoso nas batalhas!”

 Bate novamente  três vezes na porta e diz:

= “Ó portas levantai vossos frontões!
elevai-vos bem mais alto antigas portas,
a fim de que o Rei da glória possa entrar!”

R – “Dizei-nos: quem é este Rei da Glória?”

= “O Rei da glória é o Senhor onipotente,
o Rei da glória é o Senhor Deus do universo!”

Tendo encerrado o diálogo, a porta é aberta e o presidente a celebração entra no lugar carregando consigo a Cruz ou a Relíquia da Santa Cruz, ao chegar  ao palco ele a coloca no lugar preparado.  

Enquanto entra a santa Cruz, o povo canta:

Música: Segura a minha mão – Davidson Silva

Sim, eu vou
Onde ninguém vai, eu vou
À mansão da morte
Eu sou teu salvador
Não desisto de ti

Sim, eu sei
O que ninguém sabe, eu sei
E não te condeno, eu vim
Pra te salvar, te devolver a paz

Segura a minha mão
Aqui não é o teu lugar
Segura a minha mão
Eu vim te levantar
Seguro a tua mão
Eu te levo comigo
E onde eu estiver
Lá comigo estarás

Tendo chegado a procissão, após o canto um leitor, do ambão, inicia a leitura:

Antiga Homilia no Grande Sábado Santo – Século IV

(Autor grego desconhecido)

O que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam havia séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos.

Ele vai, antes de tudo, à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Deus e seu Filho vão ao encontro de Adão e Eva cativos, e agora libertos dos sofrimentos.

O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa. Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração: “O meu Senhor está no meio de nós”. E Cristo respondeu a Adão: “E com teu espírito”. E tomando-o pela mão, disse: “Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e Cristo te iluminará. Eu sou o teu Deus, que por tua causa me tornei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram de ti, agora digo, e, com todo o meu poder, ordeno aos que estavam na prisão: “Saí!”; e aos que jaziam nas trevas: “Vinde para a luz!”; e aos entorpecidos: “Levantai-vos!”

Eu te ordeno: acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na mansão dos mortos. Levanta-te, obra de minhas mãos; eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em mim e eu em ti, somos uma só e indivisível pessoa.

Por ti, eu, o teu Deus, me tornei teu filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua condição de escravo. Por ti, eu, que habito no mais alto dos céus, desci à terra, e fui mesmo sepultado abaixo da terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio, abandonado entre os mortos. Por ti, que deixaste o jardim do paraíso, ao sair de um jardim fui entregue aos judeus e num jardim, crucificado.

Vê em meu rosto os escarros que por ti recebi, para restituir-te o sopro da vida original. Vê, nas minhas faces, as bofetadas que levei para restaurar, conforme à minha imagem, a tua beleza corrompida. Vê em minhas costas as marcas dos açoites que suportei por ti, para retirar dos teus ombros o peso dos pecados. Vê minhas mãos fortemente pregadas à árvore da cruz, por causa de ti, como outrora estendeste levianamente tuas mãos para a árvore do paraíso.

Adormeci na cruz e por tua causa a lança penetrou no meu lado, como Eva surgiu do teu, ao adormeceres no paraíso. Meu lado curou a dor do teu lado. Meu sono vai arrancar-te do sono da morte. Minha lança deteve a lança que estava voltada contra ti.

Levanta-te, vamos-nos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te coloco no paraíso, mas num trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore, símbolo da vida; eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como servos, te guardassem; ordeno agora que eles te adorem como Deus, embora não sejas Deus.

Está preparado o trono dos querubins, prontos e a postos os mensageiros, constituído o leito nupcial, preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos adornados, abertos os tesouros de todos os bens e o reino dos céus preparado para ti desde toda a eternidade.

Após a leitura, inicia-se imediatamente este responsório:

Ó Cristo, ó Vida, foste colocado num túmulo,
e os Exércitos Angélicos ficaram estupefatos,
glorificando a tua benevolência.
Como podes morrer, ó Vida, como podes habitar num túmulo?
Na verdade, porém, aniquilaste o poder da morte
e despertaste os mortos nos infernos.

Ressuscita, ó Misericordioso
e ressuscita-nos contigo do bárbaro inferno.

É justo glorificar-te, ó Doador da vida,
que estendendo teus braços na Cruz,
derrubaste o poder do inimigo.
É justo glorificar-te, ó Criador de todos,
pois, por teus sofrimentos,
ficamos livres dos sofrimentos e salvos da corrupção

Ressuscita, ó Misericordioso
e ressuscita-nos contigo do bárbaro inferno.

Adão escondeu-se quando Deus andou no paraíso;
mas agora alegra-se, quando ele chegou aos infernos
pois, levanta-se, depois de ter caído

Ressuscita, ó Misericordioso
e ressuscita-nos contigo do bárbaro inferno.

A partir daqui, utilizando os salmos,  inicie-se uma oração de cura interior, invocando o poder da cruz de Cristo que pode libertar-nos das garras da morte e da corrupção do pecado. Essa oração seja aberta ao uso dos dons e carismas do Espírito Santo.

Ct Isaías 38 (Is 38,10-14.17-20)

Senhor, salvai-me! Vinde logo em meu auxílio,
 e a vida inteira cantaremos nossos salmos, *
agradecendo ao Senhor em sua casa.

Eu dizia: “É necessário que eu me vá *
no apogeu de minha vida e de meus dias;
– para a mansão triste dos mortos descerei, *
sem viver o que me resta dos meus anos”.

= Eu dizia: “Não verei o Senhor Deus †
 sobre a terra dos viventes nunca mais; *
 nunca mais verei um homem neste mundo!”

– Minha morada foi à força arrebatada,
desarmada como a tenda de um pastor.
– Qual tecelão, eu ia tecendo a minha vida, *
mas agora foi cortada a sua trama.

– Vou me acabando de manhã até à tarde,
passo a noite a gemer até a aurora.
– Como um leão que me tritura os ossos todos,
assim eu vou me consumindo dia e noite.

– O meu grito é semelhante ao da andorinha,
o meu gemido se parece ao da rolinha.
– Os meus olhos já se cansam de elevar-se, *
de pedir-vos: “Socorrei-me, Senhor Deus!”

– Mas vós livrastes minha vida do sepulcro, *
e lançastes para trás os meus pecados.
– Pois a mansão triste dos mortos não vos louva,
nem a morte poderá agradecer-vos;

– para quem desce à sepultura é terminada
 a esperança em vosso amor sempre fiel.
– Só os vivos é que podem vos louvar,
como hoje eu vos louvo agradecido.

– O pai há de contar para seus filhos
 vossa verdade e vosso amor sempre fiel.
= Senhor, salvai-me! Vinde logo em meu auxílio,
 e a vida inteira cantaremos nossos salmos, *
agradecendo ao Senhor em sua casa.

Salmo 15(16)

= 1Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio! †
2Digo ao Senhor: “Somente vós sois meu Senhor: *
nenhum bem eu posso achar fora de vós!”

– 3Deus me inspirou uma admirável afeição *
pelos santos que habitam sua terra.
– 4Multiplicam, no entanto, suas dores *
os que correm para os deuses estrangeiros;
– seus sacrifícios sanguinários não partilho, *
nem seus nomes passarão pelos meus lábios.

– 5Ó Senhor, sois minha herança e minha taça, *
meu destino está seguro em vossas mãos!
– 6Foi demarcada para mim a melhor terra, *
e eu exulto de alegria em minha herança!

– 7Eu bendigo o Senhor, que me aconselha, *
e até de noite me adverte o coração.
– 8Tenho sempre o Senhor ante meus olhos, *
pois se o tenho a meu lado não vacilo.

=9Eis por que meu coração está em festa, †
minha alma rejubila de alegria, *
e até meu corpo no repouso está tranquilo;
– 10pois não haveis de me deixar entregue à morte, *
nem vosso amigo conhecer a corrupção.

=11Vós me ensinais vosso caminho para a vida; †
junto a vós, felicidade sem limites, *
delícia eterna e alegria ao vosso lado!

Salmo 29

Eu vos exalto ó Senhor, porque vós me livrastes!

Eu vos exalto, ó Senhor, pois me livrastes
e não deixastes rir de mim, meus inimigos
Vós tirastes minh’alma do abismo
e me salvastes quando estava morrendo

Salmodiai ao Senhor, povo fiel,
daí-lhe graças invocai seu santo nome
Pois sua ira dura só um momento,
mas sua bondade permanece para sempre
Se a tarde vem o pranto visitar-nos,
de manhã vem saudar-nos a alegria

Escutai-me Senhor, Deus piedade,
sede Senhor o meu abrigo protetor
Vós mudastes o meu pranto em festa,
Senhor meu Deus hei de louvar-vos para sempre.

Terminado esse momento, quem coordena motiva um grande louvor pela descida do Senhor à mansão dos mortos, – pelo Filho de Deus que se entregou por mim -, que cada um reconheça do que foi liberto, do que foi salvo pela cruz de Cristo que abriu definitivamente as portas da região da morte.

Sugestão de música para viver esse momento da Celebração da descida de Jesus à mansão dos mortos: Cordeiro Imolado – Comunidade Doce Mãe de Deus

Na região tenebrosa da morte,
Levantou-se uma luz.
Essa luz para mim, é Jesus, é Jesus.

Cordeiro Imolado, vitorioso,
Meus lábios querem cantar a Tua glória.
Viver a Teu lado, cantar teus louvores,
E proclamar bem alto és Senhor. (2x)

Viver pra te amar, é o meu desejo,
Na cruz me amou, na cruz do amor.
Seu sangue derramado, em nossas cabeças,
Das chagas abertas, feridas de amor.

Encerrado o este momento de louvor o coordenador convida todos a se voltarem para o ícone ou a imagem de Nossa senhora das dores e honrar a Virgem Maria cantando e consagrando a ela a feliz espera da iminente ressurreição de Nosso Senhor.

Salve, Regina, Mater misericordiae
Vita, dulcedo, et spes nostra, salve
Ad te clamamus, exsules filii Hevae
Ad te suspiramus, gementes et flentes
In hac lacrimarum valle
Eia, ergo, advocata nostra, illos tuos
Misericordes oculos ad nos converte
Et Jesum, benedictum fructum ventris tui
Nobis post hoc exilium ostende
O clemens
O pia
O dulcis Virgo Maria

Quem coordena encerra dizendo:

– Bendigamos o Senhor!

R- Demos graças a Deus!

 

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Comentários

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  1. Bendito seja Deus,uma Semana Santa diferente de todas as outras, nesta celebração, fui conduzido a mergulhar na minha miséria e encontrar a misericórdia do Senhor q desceu até mim para me resgatar e dizer ao meu coração “Eu em ti e tu em mim”. Meu Senhor e meu Deus confio em ti.