Oração

Reze conosco neste sábado a Celebração da descida de Jesus à mansão dos mortos

Medite conosco neste dia em que proclamamos a vitória da Cruz sobre a morte.

comshalom

CELEBRAÇÃO PARA O SÁBADO SANTO

A Celebração da descida de Jesus à mansão dos mortos tem o objetivo de nos mergulhar na morte de Cristo e na sua descida à mansão dos mortos para reconhecer que “Ele nos amou primeiro ” (1Jo 4, 19). Por isso é um momento voltado para a cura interior, mas também para o louvor ao Cristo que desceu aos infernos para derrotar a morte.

Diante do contexto da pandemia em que fomos inseridos e no qual podemos ver tanta dor no mundo, essa celebração poderá auxiliar os participantes a compreenderem que o mesmo Cristo que desceu aos infernos, também desce a nossa realidade, para habitar a nossa dor, sofrer conosco e para ser princípio de ressurreição e de esperança.

INÍCIO

V. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Neste momento, com o lugar às escuras e iluminado apenas o ícone da descida à mansão dos mortos, faz-se uma breve invocação ao Espírito Santo e em seguida, sem motivação alguma, a leitura do texto da antiga homilia do Sábado Santo.

Sugestão de Música: Ossos Secos – Comunidade Shalom 

Desce, ó Espírito Santo
Nas profundezas do meu ser
Vem e traz a esperança
Que é possível reviver
 
Vede, então, meus ossos secos ao chão
Dos Teus lábios, ó Senhor, sopra a ressurreição
 
Sopra, Espírito, sopra, Espírito
Faz-nos reviver, nos põe de pé
Sopra, Espírito, sopra, Espírito
Faz-nos reconhecer que Tu és Deus
Aquele que a morte venceu
 
Sopra, Espírito! Sopra, Espírito!
Sopra, Espírito! Sopra, Espírito!
Sopra, Espírito! Sopra, Espírito!
Sopra, Espírito! Sopra, Espírito!
 
Vede, então, meus ossos secos ao chão
Dos Teus lábios, ó Senhor, sopra a ressurreição
 
Sopra, Espírito! Sopra, Espírito!
Faz-nos reviver, nos põe de pé
Sopra, Espírito, sopra, Espírito
Faz-nos reconhecer que Tu és Deus
Aquele que a morte venceu

 

Antiga Homilia no Grande Sábado Santo – Século IV

(Autor grego desconhecido)

Que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam havia séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos.

Ele vai, antes de tudo, à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Deus e seu Filho vão ao encontro de Adão e Eva cativos, e agora libertos dos sofrimentos.

O Senhor entrou onde eles estavam, levando em suas mãos a arma da cruz vitoriosa. Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração: “O meu Senhor está no meio de nós”. E Cristo respondeu a Adão: “E com teu espírito”. E tomando-o pela mão, disse: “Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e Cristo te iluminará. Eu sou o teu Deus, que por tua causa me tornei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram de ti, agora digo, e, com todo o meu poder, ordeno aos que estavam na prisão: “Saí!”; e aos que jaziam nas trevas: “Vinde para a luz!”; e aos entorpecidos: “Levantai-vos!”

Eu te ordeno: acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na mansão dos mortos. Levanta-te, obra de minhas mãos; eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em mim e eu em ti, somos uma só e indivisível pessoa.

Por ti, eu, o teu Deus, me tornei teu filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua condição de escravo. Por ti, eu, que habito no mais alto dos céus, desci à terra, e fui mesmo sepultado abaixo da terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio, abandonado entre os mortos. Por ti, que deixaste o jardim do paraíso, ao sair de um jardim fui entregue aos judeus e num jardim, crucificado.

Vê em meu rosto os escarros que por ti recebi, para restituir-te o sopro da vida original. Vê, nas minhas faces, as bofetadas que levei para restaurar, conforme à minha imagem, a tua beleza corrompida. Vê em minhas costas as marcas dos açoites que suportei por ti, para retirar dos teus ombros o peso dos pecados. Vê minhas mãos fortemente pregadas à árvore da cruz, por causa de ti, como outrora estendeste levianamente tuas mãos para a árvore do paraíso.

Adormeci na cruz e por tua causa a lança penetrou no meu lado, como Eva surgiu do teu, ao adormeceres no paraíso. Meu lado curou a dor do teu lado. Meu sono vai arrancar-te do sono da morte. Minha lança deteve a lança que estava voltada contra ti.

Levanta-te, vamos-nos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, já não te coloco no paraíso, mas num trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore, símbolo da vida; eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como servos, te guardassem; ordeno agora que eles te adorem como Deus, embora não sejas Deus.

Está preparado o trono dos querubins, prontos e a postos os mensageiros, constituído o leito nupcial, preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos adornados, abertos os tesouros de todos os bens e o reino dos céus preparado para ti desde toda a eternidade.

Após a leitura, inicia-se imediatamente este responsório:

Ó Cristo, ó Vida, foste colocado num túmulo,
e os Exércitos Angélicos ficaram estupefatos,
glorificando a tua benevolência.
Como podes morrer, ó Vida, como podes habitar num túmulo?
Na verdade, porém, aniquilaste o poder da morte
e despertaste os mortos nos infernos.

Ressuscita, ó Misericordioso
e ressuscita-nos contigo do bárbaro inferno.

É justo glorificar-te, ó Doador da vida,
que estendendo teus braços na Cruz,
derrubaste o poder do inimigo.
É justo glorificar-te, ó Criador de todos,
pois, por teus sofrimentos,
ficamos livres dos sofrimentos e salvos da corrupção

Ressuscita, ó Misericordioso
e ressuscita-nos contigo do bárbaro inferno.

Adão escondeu-se quando Deus andou no paraíso;
mas agora alegra-se, quando ele chegou aos infernos
pois, levanta-se, depois de ter caído

Ressuscita, ó Misericordioso
e ressuscita-nos contigo do bárbaro inferno.

Em seguida, inicia-se a procissão da Santa Cruz, a cruz deve passar por todo o lugar com tranquilidade enquanto se canta o Salmo 129 (130). A cruz seja levada por uma pessoa vestindo uma túnica (na ausência de um sacerdote) e, ao final da procissão, seja depositada em um local de destaque apropriado.

A partir daqui inicia-se uma oração de cura interior, invocando o poder da cruz de Cristo que pode libertar-nos das garras da morte e da corrupção do pecado. Essa oração seja aberta ao uso dos dons e carismas do espírito Santo.

Salmo 129(130)

Das profundezas eu clamo
Ele vai salvar o seu povo dos seus pecados (Mt 1,21).

–1 Das profundezas eu clamo a vós, Senhor, *
2 † escutai a minha voz!
– Vossos ouvidos estejam bem atentos *
ao clamor da minha prece!

–3 Se levardes em conta nossas faltas, *
quem haverá de subsistir?
–4 Mas em vós se encontra o perdão, *
eu vos temo e em vós espero.

–5 No Senhor ponho a minha esperança, *
espero em sua palavra.
–6 A minh’alma espera no Senhor *
mais que o vigia pela aurora.

–7 Espere Israel pelo Senhor *
mais que o vigia pela aurora!
– Pois no Senhor se encontra toda graça *
e copiosa redenção.
–8 Ele vem libertar a Israel *
de toda a sua culpa.

Salmo 15(16)

= 1 Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio! †
2 Digo ao Senhor: “Somente vós sois meu Senhor: *
nenhum bem eu posso achar fora de vós!”
– 3 Deus me inspirou uma admirável afeição *
pelos santos que habitam sua terra.

– 4 Multiplicam, no entanto, suas dores *
os que correm para os deuses estrangeiros;
– seus sacrifícios sanguinários não partilho, *
nem seus nomes passarão pelos meus lábios.

– 5 Ó Senhor, sois minha herança e minha taça, *
meu destino está seguro em vossas mãos!
– 6 Foi demarcada para mim a melhor terra, *
e eu exulto de alegria em minha herança!

– 7 Eu bendigo o Senhor, que me aconselha, *
e até de noite me adverte o coração.
– 8 Tenho sempre o Senhor ante meus olhos, *
pois se o tenho a meu lado não vacilo.

=9 Eis por que meu coração está em festa, †
minha alma rejubila de alegria, *
e até meu corpo no repouso está tranquilo;
– 10 pois não haveis de me deixar entregue à morte, *
nem vosso amigo conhecer a corrupção.

=11 Vós me ensinais vosso caminho para a vida; †
junto a vós, felicidade sem limites, *
delícia eterna e alegria ao vosso lado!

Terminado esse momento, quem coordena motiva um grande louvor pela descida do Senhor à mansão dos mortos, pelo Filho de Deus, que nos amou primeiro. Pelas chagas de Jesus que estão abertas para nós compreenderemos que precisamente lá nos buracos mais dolorosos da vida, Deus nos espera com a sua infinita misericórdia. Porque ali, onde somos mais vulneráveis, onde mais nos envergonhamos, Ele veio ao nosso encontro para nos fazer reviver.

Pode-se utilizar também uma música para este momento.

Sugestão de música para viver esse momento da Celebração da descida de Jesus à mansão dos mortos: Cordeiro Imolado – Comunidade Doce Mãe de Deus

Na região tenebrosa da morte,
Levantou-se uma luz.
Essa luz para mim, é Jesus, é Jesus.

Cordeiro Imolado, vitorioso,
Meus lábios querem cantar a Tua glória.
Viver a Teu lado, cantar teus louvores,
E proclamar bem alto és Senhor. (2x)

Viver pra te amar, é o meu desejo,
Na cruz me amou, na cruz do amor.
Seu sangue derramado, em nossas cabeças,
Das chagas abertas, feridas de amor.

Encerrado o este momento de louvor o coordenador convida todos a se voltarem para o ícone ou a imagem de Nossa senhora das dores e honrar a Virgem Maria, cantando e consagrando a ela a feliz espera da iminente Ressurreição de Nosso Senhor.

Sugestão de música: Estás aqui ó Mãe Cantai a Deus com alegria – 2014

Por teus olhos eu aprendo a esperar
Por teus lábios eu aprendo a louvar
Em teus passos eu aprendo a caminhar
Ao ver-te aos pés da cruz aprendo a confiar

Quando a força me faltar
Quando a vida me provar
Eu quero estar em teus braços, ó Mãe
E de ti aprender a crer, a esperar, a amar

Estás aqui, ó Mãe
Estás aqui, ó Mãe
Consolo no caminho
Ternura e carinho
Sob o teu manto encontrei meu lugar
Maria! Sob o teu manto encontrei meu lugar

Quem coordena encerra dizendo:

– Bendigamos o Senhor!
R- Demos graças a Deus!

Além da Celebração da descida de Jesus à mansão dos mortos você pode conferir outros conteúdos para viver esta Semana Santa.

Leia mais:

Reze conosco a Novena à Divina Misericórdia

Semana Santa: símbolos e significados

Como viver o Sábado Santo?

Acorda, tu que dormes, porque não te criei para a mansão dos mortos


Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião da Comunidade Shalom. É proibido inserir comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem os direitos dos outros. Os editores podem retirar sem aviso prévio os comentários que não cumprirem os critérios estabelecidos neste aviso ou que estejam fora do tema.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Bendito seja Deus,uma Semana Santa diferente de todas as outras, nesta celebração, fui conduzido a mergulhar na minha miséria e encontrar a misericórdia do Senhor q desceu até mim para me resgatar e dizer ao meu coração “Eu em ti e tu em mim”. Meu Senhor e meu Deus confio em ti.