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Vice-Presidente do Pontifício Conselho para América Latina participa de encontro com jovens cariocas

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img_0071Em visita ao Brasil, o vice-presidente do Pontifício Conselho para América Latina, o uruguaio Gusmán Carriquiry, visitou a missão Shalom do Rio de Janeiro. Em um encontro com os jovens, Carriquiry partilhou sobre os desafios da Igreja na atualidade e respondeu a perguntas da juventude carioca. No Vaticano há 45 anos, o professor Guzmán Carriquiry teve a oportunidade de trabalhar com cinco Pontífices (Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II, Bento XVI e Francisco). “Vocês podem imaginar um jovem de 25 anos sendo chamado para trabalhar no Vaticano. A Providencia de Deus nos dá dons proporcionais e a mim me reservou o dom extraordinário de trabalhar por 45 anos no Vaticano, o dom de trabalhar com 5 santos sucessores de Pedro. De Paulo VI a Francisco, cada um deles com uma sensibilidade e um estilo diferente do outro”, disse aos jovens.

Veja alguns pontos abordados por Carriquiry.

SÍNODO DA JUVENTUDE
“O que posso apontar sobre o Sínodo da Juventude é que será um aporte precioso a experiência da Comunidade Shalom. Todo verdadeiro Carisma da Igreja suscita um método criativo de educação e crescimento da fé. Como a Comunidade Shalom, outras comunidades vão partilhar desta experiência de aporte e crescimento da fé que Deus suscitou. Assim, me parece que essa vai ser a riqueza. Não inventar nada novo e sim reconhecer os métodos que fazem a fé crescer e dar toda a vida ao Senhor. Isso me parece é que fundamental. A Igreja precisa de uma nova geração de jovens. Eu assisti a todas as Jornadas Mundiais da Juventude. Quando assistimos a este itinerário surpreendente, a gente percebe a potencialidade que existe dentro do coração do jovem que busca algo que vai muito mais do que aquilo que essa sociedade de consumo pode oferecer. A potência do coração do jovem que quer mais, quer ser amado com mais verdade. A única resposta superabundante, superior a toda expectativa é aquele que se dá no encontro com a Pessoa de Jesus Cristo. Nós temos que mostrar com a nossa vida que nosso coração só pode ser satisfeito plenamente com este encontro com Cristo”.

EVANGELIZAÇÃO DA EUROPA E PAPEL DA IGREJA LATINA
“A Europa foi a grande responsável pela evangelização do mundo. É um mistério para nós o porquê dessa Europa, tão fundamental a inspiração do Concilio Vaticano II, viver uma inesperada descristianização. É um mistério doloroso. A eleição do primeiro papa latino-americano, as circunstâncias de Francisco é também um sinal de um declínio cultural, econômico e de fé da Europa. Termos um Santo Padre da América Latina deve encher o nosso coração de alegria, mas também de responsabilidade. Deve nos encarregar de exigências e responsabilidades de comunicar o dom da fé que nos foi dada. Sabemos de todos os problemas e limites que há na nossa Igreja latina. Por isso, temos que estar à altura que nos impõe as exigências do primeiro pontificado latino americano”.

TER VIDA POLÍTICA E SOCIAL SEM SER ENGANADO POR FALSOS MESSIAS
“Quando olhamos os governantes da América Latina vemos uma contradição. Como um povo católico tradicionalmente não pode encontrar governantes com estes valores? Vemos governantes que contradizem o amor preferencial aos pobres e o valor da vida. Como que o povo majoritariamente católico pode ter elegido governantes marxistas, populistas? Esse é um grave problema que as Igrejas da América precisam pesquisar a fundo. Tem que haver forte correntes de leigos que abram caminho para o Evangelho na vida econômica, acadêmica, comunicação social, política. A fé que recebemos devemos depois confrontar com nossas responsabilidades seculares. Claro, não como franco-atiradores, não para sermos assimilados pela lógica mundana. Essa é uma necessidade urgente para que a nossa Igreja cresça na America Latina. Mas temos um grande vazio de líderes”.

EVANGELIZAÇÃO NO MUNDO ISLÂMICO
“Esta é uma questão muito difícil. Em um país de tradição árabe muçulmana não há diferença entre política e religião. Não passou por eles a palavra de Jesus de dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Em muitos desses países ser cristão é estar submetido a pena de morte. As vezes, só nos resta o testemunho. O Papa diz que a transparência de Cristo deveria ser tal que bastaria somente o testemunho para evangelizar. É muito importante o diálogo inter-religioso. Mas, como evangelizar o mundo árabe muçulmano? Para mim, não basta só o diálogo inter-religioso. A revelação plena de Deus é Jesus Cristo. Precisamos ir a fundo nessa pergunta. Precisamos rezar muito. Mais do que nunca há de depositar isso no fundo do coração de Deus”.

A visita do professor Guzmán foi acompanhada do fundador da Comunidade Shalom, Moysés Azevedo, e do bispo auxiliar do Rio de Janeiro, Dom Antônio Augusto.


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