Quarta-feira, 30 de setembro de 2020. Acordo com muita pressa. Tive uma ótima noite de sono e levantei querendo lavar e arrumar a casa inteira. Faço tudo o possível, vou para a missa na Catedral, compro um vaso no centro e volto pra casa a tempo de almoçar para ir a mais pré-natal. É véspera do dia de Santa Teresinha, o dia em que nos primeiros meses de gestação eu pedi para receber nossa Rosa.
Estava ansiosa como se de fato o parto estivesse marcado para o dia seguinte, mesmo sem ter nenhum sinal de um trabalho de parto até então. Às 15h entrei no consultório. Minha obstetra, chamada Lisieux (sim, a cidade de Teresinha) me aguardava. Tudo parecida normal e ela quis marcar nossa próxima visita para a semana seguinte, mas ansiosa como eu estava, perguntei se ela podia me examinar.
A providência de Deus pela intercessão de Santa Teresinha
Na hora do exame de toque, uma expressão de surpresa. “Doutora, está tudo bem?” E ela me respondeu que eu estava com 3cm de dilatação e o colo do útero “bem molinho”. Mesmo sabendo a resposta, perguntei o que isso queria dizer. E ela sorridente, lembrando qual dia seria o dia seguinte, me respondeu: “que a Rosa deve chegar até amanhã”. Começamos a chorar, ambas emocionadas com a providência de Deus.
Ela me confirmou que estaria de plantão na madrugada, e eu a assegurei que ia fazer minha parte para acelerar o trabalho de parto e ir encontrá-la no hospital. E, a partir daí, começou o trabalho de parto mais alegre e festivo que eu poderia pedir a Deus.
“No fim da novena que eu ganhe uma rosa em sinal que alcançarei a graça”
Ao chegar em casa fiz minha última aula de fisioterapia pélvica. Raylane, uma amiga querida que foi minha fisio e doula na gestação, me colocou pra dançar e gerar muita endorfina para aceitar a dilatação. Combinamos de que eu a acionaria pelo telefone quando as contrações chegassem. E enquanto o Rodolfo, meu marido, arrumava a casa, eu fui arrumar o quartinho dela. Limpando e desempacotando, deixando tudo prontinho para o retorno da maternidade, enquanto chorava de alegria agradecendo a Deus pelo momento que estávamos vivendo. Antes das meia-noite, fizemos o último dia da novena de Santa Teresinha e consagramos nossa filha, o seu nascimento diante de Deus no altar da nossa casa.
Disse ao meu esposo e a minha doula que fossem dormir, pois eu precisaria muito em breve da ajuda deles. E segui organizando os preparativos, dessa vez em frente ao computador. Enviando e-mails, separando arquivos, organizando o possível que ainda faltava para viver um puerpério mais tranquilo. Fechei o computador e ainda fui arrumar o cabelo para tentar estar mais digna para chegada da minha filha (rs). Desde cedo comecei a monitorar as contrações (até então sem dor) por um aplicativo no celular, e finalmente elas começaram a ter frequência por volta das 3h da manhã. Era a hora de colocar em prática o que mais meditei ao longo dos novos meses de gestação: acolher a dor.
Nas aulas sobre o parto a minha doula já havia me explicado que nossa reação natural é nos retrair diante da dor. Mas que o trabalho de parto nos ensina o contrário: quanto mais você relaxa o corpo, mais rápido a dor se intensifica, o corpo dilata e o bebê nasce. Uma amiga querida me deu um livro (Tempo de Esperas, do Pe. Fábio de Melo) de aniversário onde havia uma frase que tomei como rhema do meu ano: quando acolhida, a dor se dissipa. E assim, a cada contração, eu acolhia aquela dor, rezando (ou tentando) em silêncio, por todas as intenções que trazia no coração.
A cada contração, uma intenção
Tentamos que eu ficasse na bola de pilates enquanto meu esposo fazia uma massagem na lombar (aprendizados também da aula sobre parto), mas as dores se intensificavam muito rápido. Recorri então ao banho quente, onde permaneci até a chegada da nossa doula, por volta das 5h30 da manhã. Os intervalos entre as contrações eram mais curtos, a dor muito forte, ouvi meu corpo e pedi para irmos ao hospital.
Era por volta das 6h da manhã quando chegamos, a recepção estava vazia, enquanto meu esposo dava entrada na recepção, eu vomitei por conta da dor no banheiro mais próximo. Quando me ofereceram uma cadeira de rodas, olhei pra minha doula e pensamos juntas a mesma coisa:
Aproveitamos o intervalo das contrações para, ao invés de ir de cadeira de rodas, correr até o elevador (rs). Sabia que tudo o que me movimentasse ajudaria que o nascimento chegasse mais rápido. E de fato os intervalos entre as contrações são essa sabedoria de Deus pera recuperarmos nossa energia, a dor vem e desaparece como uma onda, que vai cobrindo o nosso corpo. Ao chegar na sala da médica, minha obstetra me recebeu fazendo festa: “Pedi muito a Deus para que fosse você! Como eu queria acompanhar esse parto!”. Já estava com 8cm de dilatação. Minha médica pediu para estourar a bolsa para ver a cor do líquido amniótico, depois verificaram o coração, tudo como esperado. E aí meu corpo começou a fazer uma força involuntária, e eu soube que estávamos chegando ao final.
Aos relatos sobre Teresinha, nasce uma nova história: Maria Rosa
Quando chegamos na sala de parto meu coração ficou em paz. Sabia que ali eu testemunharia o cumprimento daquela promessa, que era a vida da nossa filha. Eu já deitei na maca no período expulsivo, onde o corpo naturalmente faz força para o bebê nascer. É o auge da dor, onde o corpo alcança o máximo de dilatação, mas tudo ficou mais suave quando minha médica falou: “eu já estou vendo a cabecinha”.
E meu esposo disse “amor, ela é bem cabeludinha, igual a você”. Eu coloquei a mão e toquei na cabeça da minha filha, o toque mais inacreditável que já senti na vida. Enquanto ela coroava, e eu sentia o chamado “círculo de fogo”, minha médica contava a equipe sobre a vida de Teresinha, sobre a devoção da nossa família, e sobre a escolha do nome da Rosa…
E nesse pedaço de céu que eu vivi na sala de parto, ao som de “Viver de amor” (poesia de Santa Teresinha), a Maria Rosa nasceu, às 7:48 da manhã, com 3,5kg e 51cm, evangelizando seus pais e toda equipe médica, e provando pra todos nós que Teresinha, assim como todos os Santos, vivem o céu para fazer o bem na terra. Desejo que esse breve testemunho seja pra você bem mais que um relato de parto, mas um relato de como é bom confiar em Deus e abrir sua vida e sua família para ser amiga dos Santos.
Larissa Moura

Que belo testemunho. Uma Rosa de Sta Teresinha.