Neste Sábado Santo, a Igreja vive um dia de grande silêncio porque o Filho de Deus jaz no sepulcro. É tempo de espera, de plenitude contida, de promessa preservada na escuridão. O Retiro de Semana Santa da Comunidade Shalom seguiu no sábado, 4 de abril, com momentos de oração, meditação e pregação, além de uma celebração mariana. O evento segue até o Domingo de Páscoa, 5 de abril, no auditório Plutão, no Centro de Convenções, com o tema central “Por Cristo, com Cristo e em Cristo”, e conta também com um espaço destinado às crianças. Em parceria com o Hemoce de Sobral, o evento também incentiva ainda a doação de sangue.
O tema da pregação do dia foi “Um túmulo novo”, baseado em Jo 19, 40-41. A pregadora do tema central, a missionária da Comunidade Shalom, Luana Honorato, recorda a preparação do corpo de Jesus e sua deposição no sepulcro por José de Arimateia e Nicodemos, antes discípulos em segredo. “Os discípulos que, até então, estavam nas sombras se revelam no cuidado com o corpo ferido de Jesus. Trata-se da sepultura de um Rei, colocado em um túmulo novo e honrado com todas as dignidades.”
O sepulcro estava situado em um jardim, sinal da nova criação. “No início da criação, Deus plantou um jardim, e agora a nova criação também tem origem em um jardim. O jardim é lugar de recriação. E o sepulcro novo é como um ventre onde a nova vida vai sendo gestada”, reflete a missionária.
Refletindo sobre uma catequese do Papa Leão XIV, proferida por ocasião do Jubileu de 2025, ele medita sobre o Sábado Santo: “E nós, naquele sábado suspenso, aprendemos que não devemos ter pressa em ressuscitar; é preciso, antes, permanecer, aceitar o silêncio, deixar-nos abraçar pelo limite. Às vezes, procuramos respostas rápidas, soluções imediatas. Mas Deus trabalha nas profundezas, no tempo lento da confiança. Assim, o sábado da sepultura torna-se o ventre do qual pode brotar a força de uma luz invencível: a da Páscoa.”
Tempo de descanso
Luana Honorato também recorda que, no livro do Gênesis, após a obra da criação, o Senhor descansou. Do mesmo modo, o Filho, depois de completar a obra da salvação, entra no descanso. “Quando eu me deixo amar, eu descanso. Esse saber parar, esse descansar, é um gesto de profunda confiança.” Esse descanso é selo da obra realizada, confirmação da missão cumprida. Luana destacou ainda a dimensão do tempo e a necessidade de aprender a lidar com ele, sabendo viver de forma positiva cada fase da vida.
A descida de Jesus à mansão dos mortos foi o gesto mais profundo e radical do amor de Deus por nós. Trata-se de um amor que vai até o fim, alcançando até mesmo a realidade da morte. “Nada mais contrário à condição divina, que é vida, do que a morte. Jesus desce a esse lugar para buscar os que ali jaziam. Compreendemos que não se trata apenas de um lugar físico, mas de uma condição existencial, onde reinam a culpa e a separação de Deus e dos outros. Cristo nos alcança nesse abismo”, reflete a missionária. “Cristo entra em todas essas realidades obscuras para nos salvar. Essa dimensão da mansão dos mortos pode permanecer dentro de nós. Peçamos que o Senhor nos visite e nos retire daquilo que, em nós, ainda resiste à vida”, acrescenta.
Retomando a catequese do Papa Leão, ela recorda ainda: “Então, o Sábado Santo é o dia em que o céu visita a terra mais profundamente. É o tempo em que cada recanto da história humana é tocado pela luz da Páscoa. E, se Cristo pode descer até lá, nada pode ser excluído da sua redenção: nem as nossas noites, nem sequer as nossas culpas mais antigas, nem mesmo os nossos laços rompidos.”
Mãe da esperança
O Sábado Santo, segundo a pregadora, “é um dia de resgates impossíveis. É um dia de espera e esperança”. Maria é apresentada como a Mãe da esperança, aquela que guarda um silêncio orante, cheio de espera confiante, pois sabe que as promessas de Deus não falham. “Maria nos ensina que a esperança cristã não nasce no barulho, mas no silêncio de uma espera habitada pelo amor.” Assim, ela ensina e encarna essa atitude de confiança e abandono.

