A palavra loucura, originalmente derivada do latim “luscus”, significa “cego de um olho”. Com o tempo, passou a designar “aquele que não olha como os outros, aquele que vê diferente, que sai da lógica comum”. Se relacionado às dificuldades emocionais ou espirituais que um sacerdote enfrenta, à falta de reconhecimento ou valorização social e às pressões ou expectativas irreais – como quando alguém entra no seminário por obrigação familiar, religiosa ou social; e não por vocação – o termo expressa algo insensato aos olhos humanos e faz todo o sentido.
Mas você já parou para pensar que todo sacerdote abandona o caminho considerado “normal” para seguir um propósito mais alto? Ele escolhe “ver com outros olhos”. Os olhos da fé, da entrega e do amor que transforma vidas.
O propósito de vida diz respeito à verdadeira vocação de uma pessoa. Sua realização pessoal e espiritual ao servir aos outros e a Deus. Seu chamado mais interior e autêntico, que é capaz de resistir mesmo aos maiores sofrimentos e sacrifícios, em detrimento de uma missão que, apesar dos desafios, dá sentido à própria vida. Dependendo da pessoa a conclusão pode variar, mas em regra geral, o sacerdócio pode se tornar uma “loucura” quando não se trata de um chamado genuíno, assim como pode se tornar um propósito de vida quando se trata de uma experiência pessoal com um amor tão grande que é capaz de se tornar suficiente na vida de alguém.
A loucura para o mundo é um propósito de Deus
Há quem diga que, nos dias de hoje, não vale a pena ser padre. Há quem diga que é um desperdício de tempo, porque te impede de curtir a vida e aproveitar tudo o que puder, como se o fato de não o fazer despertasse arrependimento profundo por uma vida inteira.
No entanto, se você está lendo esse artigo – onde quer que esteja – e se sente chamado ao sacerdócio, não tenha medo! Vale a pena se questionar sobre todas essas coisas e, até mesmo, sentir “tremer as pernas” ao pensar nas consequências de levar a sério o chamado divino de se tornar um “outro Cristo”.
Pode até ser verdade que a sociedade atual, com suas visões de mundo diversas e tantas ideologias, nos ensina a lutar e morrer pelo que ACREDITAMOS. Mas na pessoa de Jesus Cristo, autor de todo o chamado, aprendemos a lutar e morrer por aquilo que AMAMOS.
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Sim, porque se “o padre é um homem para o outro” (São João Paulo II), então cada vocação ao sacerdócio esconde um apelo de amor a Deus e a um povo pelo qual se doa em meio a tantas lutas e graças. Além disso, pensar em uma vocação pode até parecer algo distante para muitos, mas nunca será algo ultrapassado ou irreal, porque a Igreja sempre precisou e continuará precisando de pastores segundo o Coração de Deus.
Homens como você, que talvez só estejam precisando de um empurrão para acolher que um matrimônio te fará feliz, mas que somente o sacerdócio te fará “PLENAMENTE” feliz.
O chamado ao sacerdócio nem sempre é claro no início. É por isso que fatores externos como apoio, formação e acompanhamento podem favorecer um bom discernimento vocacional.
Além disso, não é um chamado para todos, pois Deus, em sua infinita bondade, suscita outros caminhos de santidade dentro da sua igreja.
De toda forma, aos que são chamados, resta não ter medo de olhar diferente e sair da lógica mundana, porque:
“…responder ao chamado de Deus é sempre uma aventura, mas vale a pena correr o risco” (Santa Teresa Benedita da Cruz).
Por Lindemberg R. Santos
Consagrado da Comunidade de Vida e Seminarista.
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