Penso que nenhum órgão do corpo humano possui um significado tão profundo quanto o coração. Seu simbolismo é explorado nos discursos de poetas, músicos e escritores. Ele não passa desapercebido nem mesmo nas reflexões de grandes filósofos, teólogos e místicos da Igreja. Sua imagem e sentido são usados para falar de sonhos, esperanças, alegrias e tristezas, perdas e ganhos, prazeres e dores.
Sem dúvida, o coração é um órgão especial, um verdadeiro ícone dos anseios profundos e insubstituíveis da alma humana. Talvez, por isso, ele sempre esteve tão presente nas narrativas bíblicas, ou mesmo ilustrando os discursos dos grandes santos e místicos da Igreja. Enquanto o cérebro fica ansioso por pegar na mão, responder com cálculos matemáticos os mistérios divinos, o coração envolve e se deixa envolver por esse mesmo mistério.
Reconheço que essa minha introdução foi insuficiente embora esforçada. Meu esforço e intuito foi o de levar você que lê a contemplar ainda que de longe, de modo impreciso, mas extasiado, a profundidade e intensidade da relação entre o coração de Jesus e o de Maria sua mãe. No mês de junho, a Igreja, como grande pedagoga dos mistérios de Deus, propõe e oferece a nos, seus filhos e discípulos, por meio da liturgia essa especial oportunidade. Qual seja? Fazer memória de dois corações, duas grandes e amorosas decisões.
O Coração de Maria e o Coração de Jesus
O coração materno e fiel de Maria e o Coração adorado, bendito, santo e Divino de Jesus. Se o coração é a cede das decisões mais profundas, qual foi a decisão mais profunda desses dois corações que celebramos? Para responder a essa pergunta, vamos recorrer ao Evangelho. Diante da saudação e do anúncio do anjo, olhe só, o que o primeiro coração responde: “Eis aqui a Serva do Senhor, Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lucas 1, 38). O coração de Maria expressa de modo claro, objetivo e sem titubear qual era o seu anseio mais profundo. Seu anseio mais íntimo não era outra coisa senão a vontade de Deus.
Veja essa outra passagem, agora sobre o coração de Jesus: “Quando chegaram a Jesus, tendo visto que já estava morto, não lhe quebraram as pernas; mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança, e imediatamente saíram sangue e água (João 19, 34). Olha só que fenômeno significativo, ao ser ferido, o coração de Jesus jorrou Sangue e Água. A água sacia a sede e o sangue é símbolo de vida e de fecundidade. Sangue ainda lembra família, parentesco, herança. A decisão mais profunda e íntima do coração de Jesus foi saciar a sede dos corações dos homens. Foi oferecer ainda a magnifica possibilidade de se tornarem filhos de Deus, herdeiros do Reino do céu.
Oração aos corações de Maria e de Jesus
Talvez, por isso, ao verem a chaga do coração de Jesus aberta, seus olhos antes confusos pela cegueira dilatam-se. O anseio do coração de Jesus era quebrar o muro de inimizade e de desconfiança que nos separavam Dele. Se você é grato faça comigo essa oração de súplica e louvor:
“Santíssimo Coração de Maria, adorado e Divino Coração de Jesus, me ajudem nesse dia e ao longo de toda minha vida. Quero que as decisões mais profundas e essenciais da minha existência sejam tua bendita, perfeita e amorosa vontade. Que eu aproveite, mesmo os aparentes fracassos e noites escuras encontradas no caminho, para me unir de modo mais profundo, definitivo e íntimo a ti. Amem!”
Se essas palavras fizeram bem a você, empenhe-se para que outros corações bebam dessa graça. Faça com elas cheguem até aqueles que precisam. Deus abençoe você sempre, Shalom!
Por Rodrigo Santos
