Santa Beatriz foi uma grande serva do Senhor, filha de uma nobre família. Seu pai chamava-se Dom Rui Gomes da Silva e sua mãe Dona Isabel de Meneses. Beatriz, então descendente de nobres tão influentes, foi desde cedo preparada para a vida na corte. Dizem alguns relatos que Beatriz da Silva seria uma jovem de grande beleza, conforme testemunha um relato da época: “Além de sangue real, era muito graciosa, excedia a todas em formosura e gentileza.”
Em 1447, quando Isabel tinha 19 anos, seu tio, um Duque de Coimbra, promoveu seu casamento com João II, um nobre de Castela, que na época estava viúvo. Subindo ao trono, Isabel, ambiciosa, começou por afastar a influência do todo-poderoso D. Álvaro de Luna. Não tardou assim a criar intrigas na corte, algumas das quais envolvendo a jovem Beatriz, cuja beleza não passou despercebida. Embora fosse ama e confidente da rainha, isto não impediu que Isabel se enciumasse dela, maquinando contra a sua própria vida.
Segundo alguns relatos, ela teria fechado Beatriz num estreito baú, onde eventualmente a falta de ar acabaria por dar fim a sua vida. Durante três dias andou desaparecida, até que o seu tio, D. João de Menezes, que também se achava na corte, estranhando a sua ausência, teria questionado a rainha sobre o paradeiro da sobrinha, tendo esta conduzindo-o ao baú onde a havia encarcerado, certa de encontrar já um cadáver.
Para seu grande espanto, Beatriz havia sobrevivido. Segundo os relatos, ela teria invocado a Virgem Maria, e esta apareceu-lhe em sonho comunicado que a salvaria, se esta fundasse uma ordem religiosa que celebrasse o mistério da Imaculada Conceição. Beatriz então perdoou a rainha, que se arrependera, e, retirando-se da Corte, ingressou num mosteiro em Toledo. Neste lugar viveu de forma monástica, sem contudo formalizar os votos, num pequeno grupo de outras monjas, ansiando por dar início a uma nova ordem.
Obstáculos à obra de Deus
Não foi fácil fundar a Ordem, mas com o apoio de uma rainha piedosa, conseguiu enfim estabelecer a Ordem da Imaculada Conceição, com veste azul e branca (as cores de Nossa Senhora), destinado unicamente à contemplação. Por fim, Beatriz faleceu em Toledo, três anos mais tarde.
Não demorou e sua fama de santidade se espalhou, sendo venerada pelo povo mesmo antes de a Santa Sé formalizar a canonização. Por fim, o desejo do povo se consumou, no dia 03 de outubro de 1976 a Igreja, por meio do Papa Paulo VI a canonizou, declarando-a santa. Sua obra em pouco tempo já tinha 120 casas monásticas espalhadas na Europa e América.
Que Deus nos abençoe por intercessão desta serva, para que a seu exemplo, possamos transbordar em obras e
ações fecundas, os efeitos da graça e da relação com Deus em nossas vidas.
Santa Beatriz, rogai por nós.