Formação

Santa Isabel de Portugal: Nobreza de nome, de coração e de alma

Isabel de Aragão ou Santa Isabel de Portugal (1271-1336) foi rainha consorte de Portugal, esposa do rei D. Diniz. Reputada como fazedora de milagres foi beatificada pelo papa Leão X, em 1516, e canonizada pelo papa Urbano VIII, em 1625. Era muito formosa, de grande coração e muita caridade.

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Um dos grandes ensinamentos de Jesus, que foi, por assim dizer, a alma de tudo o que viveu e pregou, foi o amor. Quem ama não tem medo de perder e de se abaixar em favor do outro. Perde bens, prestígios humanos, reputação, nome, até a própria vida. Hoje a Igreja nos recorda o testemunho de uma grande serva, Santa Isabel. Essa alma esposa de Deus não teve medo de descer do salto, de se abaixar e se colocar, por amor, a serviço dos outros. A classe que era mais objeto de seu amor e cuidado eram os pequeninos, aqueles que muitos simplesmente fingiam não ver: os pobres e os doentes. Confesso que quando procurei, pesquisar sobre sua vida, vinham constantemente em minha memória alguns significativos ensinamentos de Jesus:

“Aquele que quiser tornar-se grande entre vós, faça-se pequeno e o que quiser ser o primeiro entre vós seja vosso servo. Aquele que quiser tornar-se o maior no Reino de Deus Pai, deverá fazer-se pequeno como uma criança” (Mc 22,24).

Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor; quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo. Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos” (Jo 20,27-28).

Dados de sua vida e biografia

Isabel de Aragão ou Santa Isabel de Portugal (1271-1336) foi rainha de Portugal e esposa do rei D. Diniz. Essa bendita serva nasceu no Palácio de Aljaferia, em Saragoça, Espanha, no dia 4 de janeiro de 1271. Era filha de D. Pedro III, rei de Aragão, e de D. Constança de Hohenstaufen. O que seus pais tinham de nobreza de nome, tinham de fé e amor a Deus, tanto, que educaram sua pequena com palavras e testemunho. Foram tão bem sucedidos, que sua filha, por iniciativa própria, desde pequena, cultivava o exercício da oração e da penitência. Era admirada por todos, devido à sua grande beleza, porém, mais belo que seu aspecto físico, era o seu grande coração. Sua caridade e atenção aos outros, sobretudo aos pobres, eram cativantes.

Serva discreta e sóbria para os padrões de seu tempo, não gostava de música, passeios, nem de joias e enfeites, vestia-se sempre com simplicidade e modéstia. Com apenas 12 anos, foi pedida em casamento por três príncipes, mas seus pais escolheram D. Diniz, herdeiro do trono de Portugal. Apesar de estar mais inclinada a dedicar-se a Deus, num convento, obedeceu aos desejos dos pais. Casou-se e teve dois filhos, Constança e Afonso, o herdeiro. Seu marido, não adepto das mesmas virtudes da esposa, mantinha relações extraconjugais com mulheres de sua corte. O coração dessa serva, porém, era tão grande, que não deixava de dar apoio mesmo aos filhos ilegítimos do rei.

Ministra da caridade, da cura, da paz e da reconciliação

Conhecidos ainda eram seus esforços em apaziguar as negociações de paz entre D. Diniz e seu irmão D. Afonso, que reclamava ser o legítimo herdeiro. O argumento de Afonso era que D. Diniz teria nascido antes de o Papa ter reconhecido o casamento dos pais. Conseguiu, assim, comovê-los, obtendo a paz na família. Com esse espírito, não foi difícil criar em sua volta uma lenda de santidade, atribuindo-lhe diversos milagres, dentre estes, as curas de sua dama de companhia, de diversos leprosos e também de uma criança pobre e cega. Curou, ainda pela oração, em uma só noite os graves ferimentos de um criado.

Um dos mais conhecidos milagres atribuídos a seus méritos diante de Deus foi o das rosas. Conta-se que, durante o cerco de Lisboa, D. Isabel estava a distribuir moedas de prata para socorrer os necessitados da região de Alvalade quando D. Diniz apareceu. O rei perguntou a D. Isabel: “O que levais aí, senhora?” Para não desgostar o marido, que era contra essas doações, ela respondeu: “Levo rosas, meu senhor”. E, abrindo o manto, perante o olhar surpreso do rei, não se viam moedas, mas sim rosas vermelhas.

Houve ainda outros sinais. Conta-se que, certa vez, numa manhã de inverno, D. Isabel, decidida a ajudar os mais desfavorecidos, teria enchido uma dobra de seu vestido com pães para distribuir. Tendo sido, mais uma vez, apanhada pelo rei, que a questionou sobre onde ia e o que levava, ela exclamou: “São rosas, senhor!” Mas o rei indagou: “Rosas no Inverno?” A rainha mostra ao rei os pães e o que ele vê são rosas. O simbolismo das rosas apareceu ainda em outros relatos. Outra muito conhecida, foi a da construção de um templo em Alenquer, quando pagava aos operários com rosas e as mesmas transformavam-se em moedas.

Um amor que não se cansa de amar

Com o falecimento de D. Diniz, seu esposo, em 1325, ela pôde, então, consumar seu anseio esponsal com Deus e retirou-se para o Mosteiro das Clarissas de Coimbra, onde passou a viver como religiosa, sem votos, após ter deposto a coroa real no santuário e haver dado todos os seus bens pessoais aos mais necessitados, consumando sua entrega a Deus.

Peçamos ao Senhor, por intercessão desta Santa Serva, a graça de nos esvaziarmos de nosso orgulho e, por amor, assumirmos os últimos lugares.

Santa Isabel de Portugal, rogai por nós!


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