Minha história com Santa Teresa de Ávila começou quando eu tinha sete anos e voltei a morar com a minha mãe na cidade de Imperatriz – MA, onde ela é a padroeira da cidade. Nesse processo de retorno para casa, lembro que amava a arquitetura da Igreja e me recordava dos castelos que eu fazia com blocos de montar. Sim, foi ainda na minha juventude que comecei a trilhar um caminho de grande amizade com ela. A minha adolescência, assim como a de Teresa, foi marcada pelos livros e pelas vaidades. Cada vez mais que eu conhecia Teresa, mais me via nela.
Eu também posso ser santa!
Na nossa via de amizade, saber que éramos parecidas e que ela foi Santa, foi o primeiro choque da minha vida: Eu também posso ser santa!
Como toda boa amizade, Teresa foi fundamental para a minha conversão e para a minha mudança de mentalidade. É hora de deixar as vaidades!, pensei. E como é difícil deixar as nossas vaidades ainda na juventude: a nossa carne grita! Inúmeros foram os momentos em que eu recorria a ela pedindo a sua ajuda e intercessão.
Teresa me fazia ver a minha verdade diante de um espelho e me dizia: “Vamos lá! É preciso lutar! Seja violenta de coração!”
Vivendo Teresa no teatro
Em 2015, fui convidada para interpretar Santa Teresa no teatro pela companhia de artes Ruah no espetáculo Teresa, a Alma Apaixonada. No prólogo da peça eu recitava um de seus poemas. Eu gritava como se o poema fosse meu:
“Já toda me entreguei,
e ao meu Deus hei me dado,
que meu amado é para mim…
e eu sou para o meu amado!”
Só Deus e Teresa sabiam como andava a minha alma no tempo desse musical: eu passava por uma grande crise vocacional e por um período de grande deserto. Só Deus basta! Esse era o brado de Teresa! Esse era o meu consolo! Só Deus basta! Ela já dizia:
“Nada te perturbe, nada te espante,
tudo passa, Deus não muda.
A paciência tudo alcança,
quem a Deus tem, nada lhe falta:
só Deus basta.”
Não abandonar a via da oração
Todos os dias, Teresa me ajuda a permanecer na via da oração e a abraçar a minha Cruz. Muitas são as estratégias que ela me ensina para nunca abandonar essa via! A vida de oração é como cuidar de um jardim. É necessário tirar água de um poço para regar este jardim, o que nos parece bem trabalhoso. Muitas vezes vamos ao poço e sequer encontramos água para puxar. Teresa diz que essa é a hora em que as nossas lágrimas regam o nosso jardim. Que ela nos ajude a nunca abandonar este caminho rumo ao castelo interior.
Santa Teresa de Ávila, rogai por nós!
Julieth Marques

