Igreja

Santo André Kim e os mártires coreanos: uma fé que acolhe a JMJ 2027

Antes de receber jovens de todo o mundo em Seul, a Igreja sul coreana carrega uma história marcada pela coragem dos primeiros cristãos

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Leigos coreanos olham para estátua de Santo André Kim Taegon na Basílica de São Pedro

Em 2027, Seul será ponto de encontro de jovens de diferentes países durante a Jornada Mundial da Juventude. A cidade, conhecida por sua modernidade e diversidade cultural, também guarda uma história de fé construída em meio à perseguição. 

Para compreender a Igreja que hoje se prepara para acolher a JMJ, é preciso voltar aos primeiros cristãos coreanos e ao testemunho dos mártires.

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Uma Igreja que nasceu entre os leigos

O cristianismo chegou à Coreia de uma maneira particular. No século XVIII, livros sobre a fé cristã chegaram ao país por meio das relações com a China e despertaram o interesse de estudiosos coreanos.

Alguns começaram a estudar a doutrina e a partilhá-la com outras pessoas. Assim, comunidades católicas começaram a surgir antes mesmo da presença permanente de sacerdotes estrangeiros.

Foi nesse contexto que surgiu a história de Santo André Kim Taegŏn, primeiro sacerdote coreano.

Nascido em 1821, em uma família católica, André Kim foi enviado para Macau, na China, estudar e preparar-se para o sacerdócio. Ordenado em 1845, retornou clandestinamente à Coreia para servir aos cristãos perseguidos e colaborar com a entrada de outros missionários no país.

Um jovem entre os mártires

O ministério de André Kim, porém, durou pouco. Preso pelas autoridades, ele foi martirizado em 16 de setembro de 1846, aos 25 anos. Sua história se tornou um dos símbolos da fidelidade dos primeiros cristãos coreanos, que permaneceram firmes na fé mesmo diante da perseguição.

André Kim faz parte do grupo dos 103 mártires coreanos canonizados pelo Papa São João Paulo II em 1984, durante sua visita à Coreia. Entre eles estavam sacerdotes e leigos, homens e mulheres, jovens e adultos. Sua festa litúrgica é celebrada em 20 de setembro.

Suas histórias recordam que a Igreja coreana também cresceu pelo testemunho daqueles que deram a própria vida pela fé.

Da perseguição ao acolhimento

A história de Santo André Kim fala de modo particular aos jovens. Ele tinha apenas 25 anos quando morreu. Sua trajetória recorda que a juventude também pode ser tempo de entrega, coragem e testemunho.

Em Seul, a JMJ com o tema “Tende coragem: eu venci o mundo!”, os jovens do mundo inteiro terão a oportunidade de conhecer a história de uma Igreja que nasceu da iniciativa de leigos, atravessou a perseguição e encontrou nos mártires um testemunho de fidelidade.

Hoje, essa mesma Igreja se prepara para acolher uma nova geração de jovens. De Santo André Kim aos peregrinos que chegarão a Seul em 2027, permanece o convite a fazer da fé recebida uma fé viva, capaz de ser testemunhada e transmitida às próximas gerações.

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