Formação

Santo Efrém, um doutor da Igreja com alma e coração de artista

É venerado neste dia 9 de junho, data de sua morte, por sua santidade, tanto pelos católicos do Oriente como do Ocidente.,

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Hoje a Igreja apresenta para uns e recorda a outros o testemunho de um grande homem, Santo Efrém. Mesmo sendo um dos heróis da história da Igreja, por diversos fatores, alguns detalhes importantes de sua trajetória de vida desapareceram dos arquivos e registros oficiais. Porém, atenção, desapareceram dos arquivos dos homens, mas estão eternamente registrados na memória e no coração de Deus.

Apesar da carência de informações e registros, é possível ter uma noção da intensidade e da beleza do que foram sua vida e testemunho. Efrém nasceu em Nisibi, na Mesopotâmia setentrional, no início do século IV, provavelmente no ano de 306. Era uma pequena criança de apenas sete anos de idade, quando Constantino emanou o edito de Milão. Nesse documento, havia diretrizes que formalizaram a neutralidade do Império Romano com relação ao credo religioso, acabando oficialmente com toda forma de perseguição promovida por instâncias oficiais do Império.

Não teve o apoio, nem mesmo de quem deveria amá-lo

Apesar da aparente liberdade do estado, esse fiel coração encontrou uma perseguição ainda mais dolorosa dentro de sua casa. Torturas emocionais, feitas por uma pessoa que deveria amá-lo e protegê-lo, seu próprio pai. Efrém, assim, não dispunha de liberdade de culto a Deus e ao Senhorio de Jesus, nem mesmo no seio de sua família. Seu pai era um sacerdote pagão, naturalmente pouco propenso a aceitar a formação cristã que a piedosa mãe procurava comunicar ao filho. Desse modo, acabou sendo expulso de casa, no entanto, nem isso intimidou esse jovem discípulo e ministro da Paz.

Logo pediu para ser batizado, na época, aos 18 anos de idade. Começou a trabalhar e viver às próprias custas. Tudo parecia calmo e tranquilo na vida desse coração apaixonado por Deus, até que sua região Nisibi é fortemente atacada por soldados persas e ele se dispõe a ajudar seu povo, era o ano de 338.

Apesar dos esforços, Nisibi sucumbe e é derrotada pelos inimigos. Efrém, no entanto, sem esmorecer seu ardor e espírito de serviço, pede para ser ordenado diácono e se estabelecesse de modo definitivo na região de Edessa. Ali, continua sua vida de dedicação, serviço e amor. Essa alma esposa de Deus tem, então, seu encontro definitivo com a paz que tanto havia anunciado. Morreu no dia 9 de junho de 373. Não demorou para que seus escritos e testemunho de vida fossem analisados e reconhecidos. Séculos depois, recebeu o título de Doutor da Igreja, em 1920. Na ocasião, o então Papa Bento XV apresentou-o como um homem austero.

Um fato curioso é que Efrem não participou dos debates e controvérsias teológicas sobre a teologia Trinitária. Alguns biógrafos acreditam que isso se deva ao seu pouco domínio da língua grega, no entanto, foi, sem dúvida, um dos maiores transmissores da doutrina cristã na Igreja antiga. Outra particularidade dele é que fazia vasto uso da poesia para expressar com profundidade suas intuições teológicas espirituais.

Poeta da mãe de Jesus e da Igreja

Na sua época, cresciam e se desenvolviam belos recursos artísticos, que eram explorados também nos ritos litúrgicos. Esses meios, além de instrumentos de estímulo à contemplação dos mistérios da fé, eram também ótimos recursos de catequese. Suas aulas eram alternadas com celebrações e cantos, tanto que foi, sem dúvida, um dos pioneiros dessa ousada e criativa didática de fé.

Compôs em sua língua nativa poesias de conteúdo didático ou exortativo, de natureza lírica e própria para o canto coletivo. O caráter popular de suas poesias propiciou logo grande publicidade. Não demorou e sua metodologia de fé e amor chegou a várias regiões. Segundo seus críticos, Efrém não escrevia buscando glória ou status literários.

Em suas homilias e sermões podiam ser notados profundos conhecimentos das Sagradas Escrituras e da doutrina da Igreja, comunicada de forma rica e com veia poética. Amava compor versos com temáticas marianas, honrando a Mãe de Jesus. Tanto que dedicou a ela mais de 20 hinos, que expressavam de modo terno seu amor filial. Invocava Maria como: A “mais resplandecente que o sol, conciliadora do céu e da terra, paz, alegria e salvação do mundo, honra das virgens, toda pura, imaculada, incorrupta, santíssima, inviolada, venerável e honorífica”.
Supliquemos a Deus para que, neste dia, sejamos iluminados pelo testemunho desse grande Servo. Que a seu exemplo, também nós não tenhamos medo de colocar nossos potenciais de fé, razão e sensibilidade, a serviço do Senhor.

Santo Efrém, rogai por nós!


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