Formação

São Beda, o venerável

Neste dia 25 de maio, celebra-se a memória do conhecido também como Venerável Beda, foi um monge inglês que viveu nos mosteiros de São Pedro; “Eu não era mais o centro da minha vida e, portanto, em tudo podia ver Deus.”

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O nome do santo que a Igreja celebra hoje, Beda, vem da língua saxônica e significa “oração”. São Beda, “o pai da erudição inglesa”, como o definiu o historiador Peter Burke, morreu aos 63 anos, na Abadia de Jarrow, na Inglaterra, após ter ditado a última página de um de seus livros e ter recitado a oração do Glória ao Pai. Era a véspera da solenidade da Ascensão do Senhor, 25 de maio de 735. Na ocasião, esse santo, sentindo que sua páscoa estava próxima, fez a seguinte declaração: “Vivi bastante e Deus dispôs bem da minha vida”.

Esse gigante da fé nasceu no ano de 672. Era de família simples, pertencente à classe operária de Newcastle, e recebeu uma profunda formação cristã. Essa educação na fé se deu nas mediações de dois mosteiros beneditinos: Wearmouth e Jarrow. Inclusive, foi neste último que se consumou sua ordenação presbiteral. Na ocasião, tinha apenas 22 anos.

Essa alma esposa de Deus teve três grandes realizações em sua vida, graças essas que ele mesmo as definia com o uso de três verbos: aprender, ensinar e escrever. Quando olhamos para sua vida, parece que esses três verbos são um resumo de sua missão pessoal no mundo e na Igreja.

Ele tinha como referência um grande santo espanhol, Santo Isidoro. Tanto que suas reflexões giravam em torno de questões relacionadas a filosofia, cronologia, aritmética, gramática, astronomia, música, medicina, etc. De modo que expressavam uma profunda teologia, porém, de linguagem simples e acessível a todos.

Conhecimento a serviço da fé e do amor

No senso comum, muitas vezes as ciências humanas são vistas quase que como inimigas da fé. Tanto que já conheci professores universitários de várias áreas que ficavam todos desconcertados quando o assunto era religião e fé. Atenta a isso, a Igreja sentiu a necessidade de se pronunciar sobre esse assunto, originando um profundo e riquíssimo documento, chamado “Fides et Ratio“. Ali, dentre outras coisas, a Igreja vai dizer:

“A fé e a razão (Fides et Ratio) constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade. Foi Deus quem colocou no coração do homem o desejo de conhecer a verdade e, em última análise, de conhecer a Ele, para que, conhecendo-O e amando-O, possa chegar também à verdade plena sobre si próprio (cf. Ex 33,18; Sl 27(26),8-9; Sl 63(62),2-3; Jo 14,8; 1 Jo 3,2)”.

Essas intuições e ensinamentos da Igreja expressam muito bem a vida e missão de São Beda. Ele não via oposição alguma entre a fé e a razão. Tanto, que foi definido pelo Santo Padre em sua canonização como: “Venerável e doutor admirável dos tempos modernos”.

Beda, foi autor de uma volumosa obra de história. Ao concluí-la, deixou no final essa linda oração: “Suplico-te, meu Jesus, que me concedeste atingir com delícia as palavras da tua sabedoria, conceder-me na tua misericórdia chegar um dia a Ti, fonte da sabedoria, e contemplar o teu rosto”.

Numa certa ocasião, o Papa Gregório II convidou-o para comparecer a Roma, mas ele pediu para que não fosse interrompida sua solidão. Seu pedido foi atendido, de modo que saiu do mosteiro apenas por poucos dias, para cumprir tarefas intransferíveis. Após ter ditado as últimas páginas de sua obra sobre o apostolo João, disse ao monge escrivão, que o auxiliava: “Ajude-me agora a voltar-me para o lugar santo onde rezarei, porque sinto na alma uma grande doçura”. Pouco tempo depois, consumou sua entrega definitiva e eterna a Deus.

Peçamos ao Senhor, por intercessão de São Beda, a graça de colocarmos nossos potenciais de razão, trabalho, enfim, todos os nossos dons, a serviço do essencial. O essencial é amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.

São Beda, rogai por nós.


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