Hoje a Igreja nos convida a ser iluminados pelo testemunho de um grande servo de Deus, São Boaventura. Esse servo do Senhor nasceu no ano de 1218 e recebeu o nome de João de Fidanza.
Era natural de Bagnoregio, região de Viterbo, na Itália. Seu pai era um médico muito respeitado e bem conhecido na região. Médicos, como sabemos, buscam e desenvolvem, por meio dos estudos científicos, exames, recursos de cura e superação de sofrimentos e enfermidades. Porém, há momentos onde nem mesmo todo o esforço e empenho é suficiente.
A vida de João, futuro Boaventura, e o impacto na vida de seus pais, mostra-nos muito bem isso. Ainda pequeno, João teve uma grave enfermidade, o pai, infelizmente deparou-se, apesar dos esforços, com os limites de seus conhecimentos médicos e não conseguiu curar seu filho. Porém, quando o homem depara-se com seus limites e se dobra humilde diante da poderosa mão de Deus, abrem-se portas para grandes e transformadores milagres. A cura aconteceu quando o pai, a mãe e os familiares pediram a Deus a libertação e a cura de seu querido João pela intercessão de São Francisco de Assis. O pequeno foi curado, e o que os familiares nem imaginavam era que ali Deus já estava pensando algo grandioso para essa alma esposa.
Filho e discípulo fervoroso de São Francisco
João cresceu e tornou-se um jovem piedoso, tanto que pediu ingresso na Ordem Franciscana, tornando-se depois um dos grandes reformadores do carisma inspirado por Deus ao pobrezinho de Assis. Dois anos após ter recebido o hábito e adotado o nome de Boaventura, começou a se destacar dentro da Ordem por seus dotes de inteligência e cultura. Foi então designado para estudar filosofia e teologia na famosa Universidade de Paris. Mais tarde, em 1253, foi nomeado professor catedrático em duas disciplinas da mesma universidade, destacando-se por sua sabedoria mesmo nos assuntos mais difíceis.
Amigo de Santo Tomás de Aquino
São Boaventura tornou-se amigo e companheiro de Santo Tomás de Aquino, outro grande santo e intelectual católico, um doutor da Igreja. Esta amizade foi frutuosa para os dois santos e para a Igreja, pois, dela, nasceram grandes obras literárias e espirituais que, em boa medida, definiram os rumos da Igreja nos séculos seguintes. São Boaventura viu que a Ordem dos Franciscanos era como uma miniatura da Igreja, porque as duas se originaram a partir de homens humildes e simples. Somente mais tarde é que os nobres e intelectuais se juntaram a elas.
Por isso, São Boaventura defendeu fortemente os franciscanos e as chamadas “Ordens Mendicantes” (muito combatidas pelas ordens seculares). As mendicantes, dizia, representavam as origens da Igreja e isso tinha que ser preservado, mesmo que estas ordens já estivessem presentes nas grandes cidades e universidades da Europa. A origem tinha que ser preservada.
Servo fiel da Palavra e mestre da doutrina
São Boaventura destacou-se como um orador brilhante, que entusiasmava seus ouvintes. Defendeu com amor e fundamentos doutrinários as Ordens Mendicantes, entre elas seus irmãos os frades menores. Mais tarde, em 1257, o Papa Alexandre IV o nomeou Superior Geral dos Franciscanos, função essa exercida por dezoito anos. Seu testemunho foi tão surpreendente, que muitos o chamavam de “Segundo Pai” e “Segundo Fundador” da Ordem Franciscana. Lembrando que os primeiros frades chamavam o “Pobrezinho de Assis” de “Pai Francisco”. O fato é que esse servo fiel conseguiu conciliar maravilhosamente as correntes e intuições mais antigas e novas no interior da Ordem, dando a ela um novo impulso.
Doutor da Igreja
Inspirado por grandes pensadores cristãos ou não, entre eles, Santo Agostinho e Platão, São Boaventura escreveu suas obras teológicas em onze volumes, procurando sempre dar fundamentações teológicas e racionais às grandes verdades da fé. Além de superior geral dos franciscanos e de escritor renomado, esse servo foi nomeado bispo e cardeal pelo Papa Gregório X. Cargo que assumiu com grande senso de responsabilidade. Entre os frutos de seus esforços está o Concílio de Lyon, em 1274.
Boaventura teve papel decisivo nesse Concílio. Conseguiu reconciliar as ordens mendicantes e o clero secular que, a essa altura, ainda viviam em contendas. Este foi um dos grandes legados de São Boaventura para a Igreja. Depois disso, talvez sentindo que sua missão neste mundo estava cumprida, ele veio a falecer, no dia 15 de julho de 1274, estando ainda na cidade de Lyon. Na ocasião, foi atendido diretamente pelo Papa, que tanto carinho tinha por esse servo de Deus. São Boaventura foi canonizado no ano 1482, recebendo ainda o título de Doutor da Igreja por causa de sua sabedoria, fidelidade à doutrina e diligência em comunicá-la a outros. Peçamos a Deus que inflame nosso coração com o mesmo zelo e amor com que esse pastor o serviu.
Intercessão de São Boaventura
“Ó bondoso São Boaventura, por uma especial graça de Deus, foste escolhido para ser zeloso doutor e pastor da Igreja de Jesus Cristo. Tu és agradável diante de Deus. Pela missão de pastor, honraste e defendeste a Igreja de Jesus, pelo encargo confiado de preparar o segundo concílio de Lyon. Pelo crédito que gozam tuas orações junto de Jesus e Maria, encontraste no teu trabalho a expressão generosa da caridade, em favor do bem comum. Soubeste ensinar e vivenciar a caridade, como fundamento da doutrina de Jesus Cristo. Por isso, Deus te abençoou. Por isso, lembrados de tuas virtudes, te pedimos que nos alcances de Jesus, o Filho de Deus, vivermos unidos a Ele, pela vida em família, no testemunho do trabalho pelo Reino e pela esperança cristã. Que os nossos sofrimentos cristãmente assumidos, sejam para nós a garantia da ressurreição. A Deus a honra, a glória e o louvor. Amém!”
São Boaventura, rogai por nós!