Hoje é dia de São Jerônimo, um fiel servo de Deus. Esse grande santo nasceu em 340, numa região onde hoje é a Croácia, numa localidade chamada Estridão da Dalmácia. Sua família era muito temente a Deus, tanto que ele recebeu uma boa base de formação cristã já na infância. Ele morreu em Belém, no ano 420. Na juventude, partiu para Roma, onde deu início aos estudos de grego e latim. No ano 356, pediu o santo Batismo, assumindo a partir dali, uma vida assética, vivendo como eremita na região desértica de Cacilde, ao sul de Alepo. Nesse lugar, unido à oração, dedicou-se cuidadosamente aos estudos das Sagradas Escrituras.
Em 382, Jerônimo transferiu-se para Roma. Naquela época, havia tantas traduções latinas da Bíblia que os leitores se viam confusos a esse respeito. Assim, o Papa Dâmaso escolheu São Jerônimo como secretário particular, pedindo-lhe que fizesse uma revisão dessas traduções, pois Jerônimo possuía um grande conhecimento do latim, do
grego e do hebraico. O Papa desejava uma tradução mais fiel dos textos originais, que pudesse servir de texto único e uniforme para a liturgia da Igreja. Essa missão árdua foi abraçada por ele e durou praticamente toda a sua vida.
São Jerônimo revisou o texto grego do Novo Testamento e traduziu o hebraico do Antigo Testamento, oferecendo à Igreja um texto latino que logo se propagou e foi chamado de tradução Vulgata latina. Este texto tornou-se oficial com o Concílio de Trento e permaneceu com grande autoridade até a realização do Concílio Vaticano II.
Reconhecimento merecido
Por tudo que realizou em defesa da fé e no combate às heresias, São Jerônimo destacou-se entre os maiores Doutores da Igreja, pois foi um excepcional filósofo, teólogo, exegeta, historiador e doutor. Atribui-se a ele cerca 154 cartas que foram enviadas aos amigos e às autoridades eclesiásticas, 64 homilias, inúmeras crônicas e, principalmente, comentários sobre as Sagradas Escrituras.
Defensor infatigável da fé, escreveu com muita sabedoria contra os hereges que se atreviam a questioná-la. Com uma convicção que lhe era própria, orientava outros sacerdotes: “Permanece firmemente apegado à doutrina tradicional que te foi ensinada, para que tu possas exortar segundo a sã doutrina e contrastar quantos a contradizem” (Ep: 52,7).
Dizia ainda: “É melhor não ter pão para comer, do que perder a fé”. Seus últimos anos de vida foram em Belém, onde continuou desenvolvendo um intenso apostolado, corrigindo e ensinando os monges a respeito do caminho da perfeição cristã, acolhendo os peregrinos que visitavam a Terra Santa e transmitindo a beleza da fé, sobretudo aos jovens.
Pastor apaixonado pelos textos bíblicos
Tinha uma atenção especial pelos jovens, tanto que gostava de convidá-los para estudar com ele a Bíblia, motivando a leitura diária da Sagrada Escritura. Ele dizia: “Libertemos o nosso corpo do pecado e nossa alma se abrirá à sabedoria, cultivemos a nossa inteligência com a leitura dos livros sagrados, e a nossa alma encontrará seu alimento diário”. Dizia ainda: “Sejam muito assíduos à leitura e ao estudo, quanto mais te é possível. Que o sono te surpreenda com os livros na mão e que a página sagrada acolha a tua cabeça debruçada pelo cansaço”. (Ep 22 ad Eustochium).
Mesmo hoje há muito o que aprender com esse santo. Entre as lições, está a seguinte:
“Ignorar as Escrituras é ignorar Cristo”. Devemos ler a Sagrada Escritura não como palavra do passado, mas como Palavra de Deus que se dirige a nós na atualidade. “Precisamos procurar compreender o que o Senhor nos quer dizer”(Papa Bento XVI, Audiência, em 07 de novembro de 2007)
Que Deus renove em nosso coração, por intercessão desse servo, um grande amor e zelo por sua Igreja e sua Palavra.
Oração a São Jerônimo:
São Jerônimo, fazei com que, sob vossa poderosa intercessão, a Sagrada Escritura seja
sempre para cada um de nós um precioso manancial de vida e de santidade. Assim seja!
Amém!
São Jerônimo, rogai por nós.
