Formação

São José: A Figura do Justo

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Damião Cândido de Sousa

"O justo viverá pela fé" (Rom 1,17).

     É-nos de fundamental importância conhecer o que nos circunda, principalmente, em se tratando de religião, sabermos em quem estamos colocando nossa devoção, pois é a partir de nossa fé que estruturamos o nosso viver, e esta baseia-se em nossos conhecimentos e experiências que são enriquecidos mediante uma unidade em Deus no irmão.

      Em 8 de dezembro de 1870, o papa Pio IX declarava São José, Patrono da Igreja. Numerosos movimentos e congregações trazem o seu apadrinhamento. Porém, nem todos percebem o sentido e a importância das virtudes de São José, que são acessíveis a todos os homens contemporâneos.
Vivemos numa sociedade onde a justiça tomou-se o paradigma orientador e norteador dos seus diversos segmentos, principalmente das camadas mais populosas. Portanto, entramos na questão do que seja justiça e, nada melhor do que perceber um aspecto dessa justiça, observando pela ótica de São José, que é justo, não pelo que disse, mas pelas virtudes que praticou.

      Mateus caracterizou José de "justo" (Mt 1,19). Essa é a principal virtude que o caracteriza nos poucos fatos retratados nos evangelhos de Mateus e Lucas. A sua justiça não consistia na simples observância das letras da Lei, mas numa profunda escuta à vontade de Deus.

      O homem justo para os judeus era aquele que não participava da culpa dos outros, ou seja, aquele que estava separado do pecador (Lc 7,39). José, como bom judeu e sendo da descendência de Davi, sabia como proceder em caso de infidelidade da mulher prometida em casamento (Dt 22,20s). Ora, Maria apareceu grávida e nada contou a ele sobre sua gravidez. Isto leva-o a tomar uma atitude mas, em nenhum momento questiona a fidelidade de Maria, antes silencia diante deste grande mistério de Deus, como em outros momentos da manifestação de Jesus (Lc 2,33.50). José sabia que este mistério ultrapassava seus limites de compreensão. Sua atitude é de agir, não conforme as prescrições da lei, mas segundo a intenção de seu coração de homem prudente, que espera em Deus quando nada entende.

      Sua espera não ficou sem resposta. Imediatamente, Deus se revela a ele (Mt 1,20-24), eliminando toda barreira que o separava da nova e definitiva manifestação de Deus no meio dos homens. Faz entender que nada é impossível, basta acreditar. E foi isto que o levou a assumir todas as conseqüências daquela revelação, mediante um abandono à providência de Deus.

      Isto faz dele, não o companheiro de Maria ou simples pai adotivo de Jesus, mas principalmente o responsável pela efetivação da revelação de Deus (Rm. 16,25) que consistia na assistência direta ao Verbo encarnado: Jesus Cristo. Assim, sua fé era a única condição de possibilidade para enfrentar os problemas da vida. Dali em diante, sua vida de simples carpinteiro ganha um novo sentido. A vida é a mesma, a profissão também, mas na sua entrega, a nova humanidade estava surgindo. Esse tesouro os simples vêem (Lc. 1,41- 45).

      José rompe, ou melhor, Deus faz romper, a consciência humana da paternidade de Jesus (Lc 2,49), portanto, sua conduta e atitudes devem ser direcionadas pela revelação de Deus (Mt 1,13.19s), pois essa nova realidade divina supera em todos os aspectos os direitos legais de paternidade (Lv 19,3a; Prov 1,8), cabendo a ele ficar disponível às exigências do momento.

      Essa nobre virtude de escuta da Palavra de Deus, tomava-o o patriarca do cristianismo, ou seja, aquele que vive a partir da “Obediência da fé” (Ef. l,5). Em nenhum momento ele fala, basta executar aquilo que Deus está querendo dele. Sua postura é de serviço. Jesus é a revelação, então, o papel de José é deixar Jesus manifestar-se no meio dos homens.

      Portanto, nada de extraordinário circundou a vida de São José, somente a sua vontade sincera de assumir, com responsabilidade, aquilo que experimentava na busca de uma vida justa. Isto o fez o mais honrado do homens, porque soube honrar as posições que a ele foram confiadas: pai, esposo, amigo, trabalhador.


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