O amor à Sagrada Família sempre esteve presente na minha família desde muito pequena e meus pais nos faziam entender bem o papel de cada um daqueles santos membros. Jesus, o Salvador que se fez criança, Maria, a mãe do Senhor, mulher exemplo de amor e de doação, e José, homem casto, fiel e provedor da família. Cresci querendo ser como Jesus menino e me tornar uma mulher imitadora das virtudes de Maria, mas ainda não me encantava tanto com São José.
Aos 9 anos, minha mãe adoeceu terrivelmente e com medo de que ela morresse, confiei a vida dela e sua saúde a todos os santos que eu “conhecia”. Claro que estavam lá na minha intercessão de criança minha mãe Maria Santíssima, Jesus, Santa Teresinha e lembrei que São José era o santo da providência e que, se ele tinha sido o provedor da família de Nazaré, também haveria de ser intercessor nesta causa tão importante. Mamãe ficou curada e, além de renovar meu amor à Nossa Senhora e me firmar na oração do terço, também tive minha experiência com o amor de Deus.
Essa experiência me fez desejar conhecer a Deus que é a Palavra. “Descobri” São José ao começar minha leitura dos Evangelhos e me encantei com sua mansidão, sua submissão a Deus, seu silêncio que tanto fala. São José não deu sequer uma palavra em todo o Evangelho, mas sua fé, sua confiança em Deus e sua ação concreta testemunham mais do que mil palavras. E eu, que sempre falei pelos cotovelos, passei a desejar ser como ele também e agir com caridade mais que falar de amor.
Conheci a novena de São José no mês de março, oração que a minha mãe já rezava fielmente, e também passei a rezá-la. A cada novena, cada pequeno e grande milagre da Providência Divina pelas mãos de São José, a amizade ia crescendo. Passei a confiar a ele os meus pequenos projetos de criança e também intenções maiores. O mês de março em honra a São José passou a ter um sentido todo especial em minha vida.
No final da minha adolescência, minha família foi morar próximo a uma Capela de São José, onde participava da missa diária e servia na liturgia. O capelão era um sacerdote muito devoto de São José e também imitador do santo: silencioso, caridoso e sempre atento às necessidades das crianças e adolescentes que serviam na capela.
Quando chegou a fase adulta, São José passou a ser o meu amigo da Providência. Confiei à sua intercessão os primeiros estágios na faculdade, o primeiro emprego e a devoção foi se intensificando. Descobri que muitos santos da Igreja tinham São José como intercessor e amigo, como Santa Teresa d’Ávila. E via que muitos títulos eram dedicados a ele em sua ladainha: prudentíssimo, obedientíssimo, castíssimo, espelho da paciência, amparo das famílias, modelo dos trabalhadores.
Ao conhecer a vocação Shalom, mais uma grata surpresa com meu amigo São José; ele é patrono da Igreja no mundo inteiro e também patrono da vocação Shalom. A intercessão dele confiamos as necessidades da Igreja e dos missionários em todo o mundo. “São José, providenciai” passou a ser uma invocação sempre mais presente em minha vida nos momentos em que clamava pela Providência Divina através da intercessão do meu amigo da providência. Ele também tem me ajudado a buscar ser fiel à Comunhão de Bens e de Dons e a desejar ser 15% mais pobre por amor a Deus.
No ano passado, o Papa Francisco convocou o Ano de São José, com a Carta Apostólica “Patris corde – Com coração de Pai”. O ano começou em 8 de dezembro de 2020 e vai até 8 de dezembro de 2021. Aprofundei-me na Exortação Apostólica “Redemptoris Custos” de São João Paulo II sobre a figura e a missão de São José.
“Foi precisamente no mistério da Incarnação que José de Nazaré ‘participou’ como nenhuma outra pessoa humana, à excepção de Maria, a Mãe do Verbo Incarnado. Ele participou em tal mistério simultaneamente com Maria, envolvido na realidade do mesmo evento salvífico, e foi depositário do mesmo amor, em virtude do qual o eterno Pai ‘nos predestinou a sermos adotados como filhos, por intermédio de Jesus Cristo’ (Ef 1, 5)”. (Redeptoris Custos)
São José vem se tornando além de um santo amigo da providência, também um modelo de oração, do encontro com Deus. Ele, que era o único “pecador” na santa família de Nazaré, pode ainda me ensinar muito sobre como caminhar em santidade nas pequenas coisas.
São José, rogai por nós e providenciai!
Por Terezinha Fernandes – Missionária da Comunidade Católica Shalom
