Formação

São José, o trabalhador mais honrado que existiu

Um homem justo que assumiu no casamento duas preciosidades de Deus, Jesus e Nossa Senhora, ele recebeu a missão de zelar pela casa que Deus lhe confiou.

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Nos Dias de São José Operário, comemorado anualmente em 19 de março e 1º de maio, temos a oportunidade de celebrar um dos santos mais queridos do povo brasileiro. A verdade é que o papel desempenhado por São José na História da Salvação foi de fundamental importância, motivo pelo qual o povo brasileiro se identifica com ele.

No dia 19 de março a Igreja celebra o esposo de Nossa Senhora. Ganha relevância este homem justo que assumiu no casamento duas preciosidades de Deus, Jesus e Nossa Senhora, acolhendo a missão de zelar pela casa que Deus lhe confiou. Não podemos desmerecer São José, ele também foi escolhido por Deus, soube dar seu “sim” aos planos do Criador. Os evangelhos de Mateus e Lucas apenas mencionam a pessoa de José, mas o que foi dito sobre sua pessoa, foi tudo. Diz os evangelhos que José era homem justo, isto mostra que estava à altura da nobre missão. Não era qualquer missão, era a de zelar por duas preciosidades de nosso Deus.

No primeiro dia de maio, mês que é dedicado a Santa Mãe de Deus, celebramos São José, desta vez, como operário. Pio XII desejoso de oferecer aos trabalhadores um padroeiro que fosse modelo, no ano de 1955 instituiu a Festa de São José Operário. O Santo Padre, na ocasião disse: “Queremos reafirmar, em forma solene, a dignidade do trabalho a fim de que inspire a vida social, as leis da equitativa repartição de direitos e deveres”.

“Um aspecto que caracteriza São José – e tem sido evidenciado desde os dias da primeira encíclica social, a Rerum novarum, de Leão XIII – é a sua relação com o trabalho. São José era um carpinteiro que trabalhou honestamente para garantir o sustento da sua família. Com ele, Jesus aprendeu o valor, a dignidade e a alegria do que significa comer o pão fruto do próprio trabalho.

Recordemos que o Papa Leão XIII, em 1891, se manifestou sobre a chamada “questão operária”, em uma época em que se começava a distinguir duas classes antagônicas: patrão e operários.

Em sua encíclica intitulada Rerum Novarum (Das Coisas Novas), ele definiu o trabalho como uma atividade humana destinada a prover as necessidades da vida, especialmente a sua conservação (RN 6). Salientou, ainda, que o trabalho tem uma dignidade e não se deve ter vergonha de trabalhar para ganhar o pão do dia-a-dia, uma vez que o próprio Jesus quis ser trabalhador (RN 15). Ainda, segundo esse Pontífice, o trabalho é pessoal e necessário: ‘pessoal’ porque a força empregada no trabalho é propriedade daquele que o exerce e o recebeu para a sua utilidade; é ‘necessário’ porque o homem precisa dele para sobreviver.

Destacamos, nessa história do 1º de maio, que em 1981, no aniversário dos 90 anos da Rerum Novarum, o Papa João Paulo II publicou uma encíclica sobre o trabalho, com o título Laborem Exercens (O Exercício do Trabalho) na qual aborda o trabalho como uma questão sempre atual e perene. Partindo do texto bíblico do Gênesis, o Pontífice distingue entre o trabalho em sentido objetivo (tecnologia) e subjetivo (o homem que trabalha) e conclui com o princípio ético de que o trabalho é para o homem, não o homem para o trabalho. O trabalho humano é uma vocação para transformar o mundo, um serviço de amor aos irmãos.

O Papa Francisco na sua Carta Apostólica “Com coração de Pai” afirma ainda que em S. José “nunca se nota frustração, mas apenas confiança”. Francisco frisa que “o seu silêncio persistente não inclui lamentações, mas sempre gestos concretos de confiança”. Por isso, “o mundo precisa de pais, rejeita os dominadores, isto é, rejeita quem quer usar a posse do outro para preencher o seu próprio vazio; rejeita aqueles que confundem autoridade com autoritarismo, serviço com servilismo, confronto com opressão, caridade com assistencialismo, força com destruição. Toda a verdadeira vocação nasce do dom de si mesmo, que é a maturação do simples sacrifício” – declara o Santo Padre.

Na mensagem para o Dia do Trabalhador  em 2020, o Papa Francisco definiu o desemprego atual como uma “tragédia mundial” e pediu a intercessão de São José por aqueles que perderam o próprio emprego ou não conseguem encontrá-lo de modo especial neste contexto de pandemia. E fez votos de que a figura de são José, “o humilde trabalhador de Nazaré”, nos oriente em direção a Cristo, sustente o sacrifício daqueles que praticam o bem neste mundo e interceda por aqueles que perderam o próprio emprego ou não conseguem encontrá-lo.

Por: Padre Ednaldo Alves Vieira


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