Formação

São Justino, por sua sede da verdade, encontrou a Deus

Eis um grande filósofo cristão, sacerdote, um homem que buscou corresponder, diariamente, à sua fé, e ainda foi um missionário filósofo, que, além de falar, escrevia. A Sagrada Tradição foi muito testemunhada nos escritos deste santo.

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No dia 01 de junho, a Igreja volta seu coração e memória para o testemunho de vida de um grande servo de Deus, São Justino. Essa alma apaixonada pelo Senhor mostrou com sua vida e missão, que não há dissonância entre a capacidade de pensar e a relação profunda e madura com Deus. Foi de fato um excelente mestre de fidei et Ratio (fé e razão).Quando lemos a magnífica afirmação de São João Paulo II num de seus belos documentos, muitas vezes nos esquecemos que esses entendimentos se devem também aos esforços de gigantes como São Justino.

Leia: “A fé e a razão (fides et ratio) constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade. Foi Deus quem colocou no coração do homem o desejo de conhecer a verdade e, em última análise, de O conhecer a Ele, para que, conhecendo-O e amando-O, possa chegar também à verdade plena sobre si próprio (cf. Ex 33, 18; Sal 2726, 8-9; 6362, 2-3; Jo 14, 8; 1 Jo 3, 2).

Este Servo nasceu na Judeia Palestina, no ano 100, e teve sua páscoa no ano 165, na cidade de Siquém. Ele veio de uma família que infelizmente não conhecia Jesus e sua mensagem de vida e salvação. Não obstante, ele foi um alvo certeiro da graça de Deus, graça esta que já atuava de modo providencial, por meio de sua busca sincera e decidida pela verdade. Essa busca incansável fez com que Justino se encontrasse com um sábio ancião, que usando como recurso estratégico o universo filosófico e racional, apresentou-lhe o “algo mais” que ele tanto buscava, mesmo sem saber. Esse algo mais é Jesus, o Shalom do Pai, a paz completa.

Mestre de fé razão

Tornou-se por muitos conhecido como filósofo cristão e cristão filósofo. Sua vida e obra mostram como foi acertada essa definição. Seus estudiosos o veem como pertencente ao conjunto de pensadores que em cada período da história da Igreja formaram uma síntese da provisória sabedoria humana e das inalteráveis afirmações da fé cristã.

O seu percurso de conversão a Cristo passou por várias experiências: Estoicismo, pitagorismo, aristotelismo e neoplatonismo. Todas essas, influentes correntes de pensamentos filosóficos que formavam as consciências do mundo de seu tempo. Foi nesse esforço de busca que se desenvolveu e amadureceu sua adesão integral à verdade que é Jesus e a seu Evangelho de amor.

Com sede da verdade, encontrou-a em Deus

Sede da verdade, essa era constante na alma e no coração de Justino. Se você tem o hábito de fazer exercícios físicos, ou já fez a experiência de ficar por alguma outra razão, muito tempo sem ingerir água, sabe o que significa sentir sede. Sabe ainda como é maravilhoso e consolador, depois dessas atividades, poder tomar deliciosamente alguns bons goles de água fresca. Quanto maior o calor, quanto maior o cansaço, maior a desidratação e maior o anseio por água. No tempo de Justino, eram muitas as almas que buscavam saciar-se em lugares onde, no final, suas sedes foram triplicadas e morreram com desidratações existenciais.

Tornou-se servo da verdade

Esse caçador da verdade conta em seus registros que, insatisfeito com as respostas dadas pelas várias correntes filosóficas, fez um retiro pessoal num lugar deserto, à beira-mar, para meditar sobre as intuições que a bondade de Deus provocava em seu coração. Ali providencialmente encontrou um idoso que passava e partilhou com ele suas desilusões e anseios. Depois de ouvi-lo, o ancião respondeu-lhe: “Nenhuma filosofia pode satisfazer-lhe o espírito, porque a razão sozinha é incapaz de garantir a posse plena da verdade sem o auxílio da graça de Deus”.

Morreu de amor e por amor

Ele ficou conhecido como grande apologista cristãos (defensor da fé). Tornou-se filósofo, sacerdote e grande evangelizador. Um homem que buscou diariamente corresponder ao amor de Deus, por meio do anúncio da Verdade e da fé. A Tradição e teologia da Igreja foram muito iluminadas pelos seus escritos.

Não demorou para que esse santo servo, amante da verdade, fosse perseguido. Foi denunciado com mentiras por um outro pensador, de modo que foi julgado e flagelado. Todavia, nem a morte nem a dor o fizeram renunciar à sua fé, de modo que foi decapitado no ano de 167. Seu testemunho é muito atual, tanto que, hoje, a fé e a moral da Igreja igualmente têm sofrido inúmeros ataques, através de discursos supostamente científicos, mas que escondem propósitos ideológicos e políticos. Por isso, devemos constantemente repetir, iluminados pelo testemunho desse Santo Servo, as estrofes da canção do querido Padre Zezinho: “Não troco minha fé por outra fé. Não troco minha paz por outra paz”.

São Justino, rogai por nós


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