Formação

São Pedro e São Paulo

comshalom

No dia 29 de Junho, toda a Igreja reúne-se para celebrar o martírio de São Pedro e São Paulo, e que liturgicamente é celebrado no Domingo seguinte ou que antecede. E neste ano é celebrado em toda a Igreja dia 04/07. Porém, cabe a nós nos perguntarmos: Qual a importância de se Celebrar como solenidade numa única festa o martírio de São Pedro e São Paulo? Primeiramente nos cabe a reflexão sobre a figura dos mártires.

Ora, os mártires são aqueles que ao assumirem e professarem a sua fé, dão como grande prova de amor sua própria vida, em vista da veracidade do anúncio de Cristo. Mas antes mesmo de anunciarem com a sua morte o real sentido da Páscoa de Cristo, é por meio, primeiramente, da vivência diária e gradativa da fé em Cristo por meio das ações, palavras, gestos, comportamentos, pensamento, ou seja, toda a vida. Assim, o mártir é antes de tudo aquele que vive por amor a Deus, e que por meio dessa vivência é capaz de pela graça dar a sua vida como grande prova de amor.   

    "Ó Roma felix Roma feliz, adornada de púrpura pelo sangue precioso de Príncipes tão excelsos. Tu ultrapassas toda a beleza do mundo, não por teu mérito, mas pelo mérito dos santos que mataste com a espada sangrante". É assim que os canta o hino das segundas Vésperas, que remonta a Paulino de Aquileia (+806). Eis o mérito do martírio de São Pedro e São Paulo: A Igreja celebra a mais viva esperança: A força e o amor do Cristo Ressuscitado! Cristo oferta a sua vida em resgate do seu povo, e São Pedro e São Paulo seguem a voz de Cristo e também se unem a Páscoa de Cristo. Eis a lembrança viva do Ressuscitado:

“O sangue dos mártires não invoca vingança, mas reconcilia. Não se apresenta como acusação, mas como "luz áurea", segundo as palavras do hino das primeiras Vésperas: apresenta-se como força do amor que supera o ódio e a violência, fundando assim uma nova cidade, uma nova comunidade. Em virtude do seu martírio, agora eles Pedro e Paulo fazem parte de Roma: mediante o martírio, também Pedro se tornou cidadão romano para sempre” (BENTO XVI).
A força do martírio, ou seja, seu grande fruto é a confirmação de que é possível vencer o ódio extremo do homem pelo amor divino que nos é dado por Cristo, a cada fiel que é chamado a esta oferta sublime de amor: O MARTÍRIO!

“Eu te darei as chaves do Reino dos céus” (Mt 16, 19). Assim, Nosso Senhor transmitiu as Chaves do Reino a Pedro, que de forma pessoal expressa a universalidade e unidade da Igreja, ao lembrarmos de que Cristo Ressuscitado deu-nos o Espírito Santo como fonte de toda unidade da Igreja. Paulo precisou ir e morrer em Roma. Pedro precisou ir e morrer em Roma. Mas qual o porquê desse desígnio divino a esse respeito? Vejamos como o Papa Bento XVI responde-nos:
“O facto de ter ido a Roma faz parte da universalidade da sua missão como enviado para junto de todos os povos. O caminho para Roma, que já antes da sua viagem externa ele tinha percorrido interiormente com a sua Carta, faz parte integrante da sua trarefa de levar o Evangelho a todos os povos de fundar a Igreja católica universal. O facto de ter ido a Roma é para ele expressão da catolicidade da sua missão. Roma deve tornar visível a fé ao mundo inteiro, deve ser o lugar do encontro na única fé (..)O caminho de são Pedro para Roma, como representante dos povos do mundo, insere-se sobretudo sob a palavra "una": a sua tarefa consiste em criar a unidade da catholica, da Igreja formada por judeus e pagãos, da Igreja de todos os povos. E esta é a missão permanente de Pedro: fazer com que a Igreja nunca se identifique com uma só nação, com uma única cultura nem com um só Estado. Que seja sempre a Igreja de todos. Que reúna a humanidade para além de todas as fronteiras e, no meio das divisões deste mundo, torne presente a paz de Deus e a força reconciliadora do seu amor” (BENTO XVI).

Assim, devemos olhar o martírio de São Pedro e São Paulo como um encontro misterioso que tem como grande fruto a autenticidade da unidade viva da Igreja e da radicalidade evangélica da oferta de vida: que a salvação dada por Cristo deve ser anunciada a todos os povos, a toda a humanidade. Que nessa Solenidade possamos renovar nas nossas vidas a expressão viva da radicalidade evangélica e da universalidade da Igreja.


Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião da Comunidade Shalom. É proibido inserir comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem os direitos dos outros. Os editores podem retirar sem aviso prévio os comentários que não cumprirem os critérios estabelecidos neste aviso ou que estejam fora do tema.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *