Formação

São Sabas, um contemplativo na ação

O santo celebrado hoje viveu a vida monástica comunitária; depois, experimentou a vida solitária do mosteiro dos anacoretas. Esse tipo de vida, aliás, foi a preferida dele, pois gostava da vida de solidão desses monges.

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Hoje vamos fazer memória de mais um coração santo, seu nome é Sabas. Esse discípulo do Senhor, antes de sua conversão, empenhou-se na busca de tesouros materiais, Deus, porém, reservava para ele tesouros ainda mais preciosos, que jamais passariam. 

Sabas nasceu no vilarejo de Mutalisca, vizinho da cidade de Cesareia de Capadócia, no ano 439. A infância foi envolvida por inúmeros desafios, todos devido a disputas por heranças entre seus parentes. Desejando o fim das contendas, o pequeno Sabas dirigiu-se a um mosteiro em busca de ajuda, devido aos desafios que estava enfrentando. Naquele santo lugar, o garoto foi muito bem acolhido, foi amado e educado nas virtudes. Ele ficou tão feliz com sua experiência, que desejou abraçar a vocação monástica. Apesar da pouca instrução, tornou-se conhecido pela grande sabedoria, tanto sobre assuntos espirituais quanto doutrinais.

Na longa trajetória de vida monástica, São Sabas passou por vários mosteiros presentes em regiões palestinas. Experimentou tanto a vida monástica comunitária quanto a vida solitária do mosteiro dos anacoretas. Esse segundo, aliás, foi o formato de vida monástica preferido por ele, pois atraía-lhe a solidão em Deus, vivida por aqueles monges eremitas.

Além dessas experiências em vários mosteiros, São Sabas partilhou os bens que herdou da família entre os cristãos mais pobres e também entre os doentes. Trabalhou pela conversão de seus parentes e irmãos biológicos e foi muito bem sucedido nesse empenho. Dava apoio aos cristãos perseguidos, realizando ações concretas de caridade, sempre lutando pelos direitos básicos dos cristãos.

As provações e ousadias de fé na vida desse servo fiel

Naquela época, os cristãos foram muito perseguidos, tanto que foram aprovados decretos ordenando aos cristãos comerem a carne dos animais usados nos cultos pagãos. A regra era simples, se comecem, seriam poupados. Muitos cristãos enganavam os guardas, fingiam que comiam, depois cuspiam, alguns até vomitavam. Assim, salvaram suas vidas e de seus entes queridos. São Sabas, porém, recusou-se a endossar essa mentira.

Tanto que chegou a contestar publicamente essa prática. Ele fundou uma enorme comunidade de anacoretas, ou seja, monges solitários, no vale de Cedrom, que fica na Palestina. A comunidade recebeu o nome de “grande Laura”. A obra começou espontaneamente. Alguns eremitas começaram a ocupar cavernas ao redor daquela na qual São Sabas vivia isolado, na companhia dos animais. Aos poucos, construíram um oratório. Mais monges chegaram e nasceu o que se transformou no Mosteiro de São Sabas.

Suas orações eram sempre acompanhadas de inúmeros milagres. Um dos mais famosos ocorreu em uma época de grande estiagem, quando houve uma seca terrível, que ameaçava a sobrevivência dos nativos da região. São Sabas rezou e Deus enviou a chuva. Sabedoria e intercessão, dois dons de São Sabas que contribuíram para o crescimento da comunidade recém fundada. Esses dons faziam com que esse servo desfrutasse de grande liderança entre os fiéis e sobre o clero.

Servo da Palavra, ungido e convincente

São Sabas era também um grande servo da Palavra de Deus, um pregador inteligente, ousado e criativo. Suas pregações inspiradas levavam à conversão um grande número de pagãos. Tanto que passou até a gerar um certo incômodo nas autoridades, dando início a grandes perseguições. No entanto, não se intimidou, mesmo que suas palavras tenham provocado inclusive o imperador romano, na cidade de Constantinopla.

Esse monarca impunha impostos injustos sobre os pobres e São Sabas não conseguia ficar indiferente a isso. Além disso, ele chegou a organizar e a liderar um verdadeiro exército de monges, com o objetivo de dar apoio ao Papa e combater a heresia conhecida como monofisismo, que afirmava que Jesus Cristo tinha somente a natureza divina, negando o amoroso acontecimento da Encarnação do Verbo, ou seja, sua natureza humana.

Consumação de sua oferta de vida

São Sabas faleceu no dia 5 de dezembro do ano 532, em Israel. Tinha 93 anos de idade. A Igreja o considera como um dos mais importantes organizadores da vida monástica na Palestina. Ele é ainda reconhecido e homenageado com o título de “Pérola do Oriente”, devido a grande influência e sabedoria. Nos mosteiros fundados por ele, viveram homens muito virtuosos, entre eles, São João Damasceno, dois séculos depois, o qual celebramos no dia de ontem. 

Que Deus abençoe todos os religiosos de vida consagrada, para que, a exemplo de São Sabas, profetizem para o mundo a centralidade de Deus.  

São Sabas, rogai por nós.  


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