Eu tenho pensado tanto sobre o Céu
Tentando imaginar como deve ser lá
Se tem café, açaí… Será que lá eu vou poder dormir?
Se vou reconhecer o meu avô que antes de mim chegou?
Eu tenho saudade do Céu
É tão confuso ter saudade do que nunca se viu
Mas, no fundo, eu sei que vim de lá
E vou vivendo na espera de voltar
Na estrada da vida, os dias passam sem demora
E a cada novo dia alguém bate na minha porta
Eu já recebi vários visitantes, cada um do seu jeito
O amor, a perda, a dor, a vitória e o medo
Cada visita deixa uma experiência e uma lição
Com os olhos fitos no Céu vou vivendo minha missão
Na porta da minha vida já teve de tudo
De vez em quando vem alguém pedindo um pouco de açúcar
Outro dia, o carteiro me trouxe uma carta de despedida
O que me fez compreender que tudo passa nessa vida
Por isso vivo aguardando o grande dia
Em que Deus vai me dizer: “Bem vinda ao que não passa, minha filha.”
Por Marcela Serrão
