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Saúde mental: Tenha a certeza de que você nunca estará sozinho

Precisamos falar sobre a vida.

Foto | Unsplash

Gostaria de aproveitar o mês em que a Campanha do Setembro Amarelo (de prevenção ao suicídio) ganha cada vez mais visibilidade para falar a respeito da vida. E se falamos de vida, falamos também do sofrimento, que é inerente e parte da existência humana.

O que não devemos perder de vista é que a visão humana, psíquica e espiritual não se separam, e portanto, não é possível retirar as questões psíquicas da nossa vida. Devemos considerá-la sempre, dar importância e atenção.

É necessário que seja gerado em nós uma cultura de Saúde Mental que vai desde o acolhimento e sensibilidade à dor do outro até uma intervenção profissional. Digo sensibilidade, porque por vezes somos agravadores de questões existenciais das pessoas ao nosso redor sem nem nos damos conta. Mas calma, não se cobre ou se responsabilize por não conseguir mudar a forma de ver da pessoa que sofre. Isso é trabalho para um profissional que irá compreender de onde vem essa visão distorcida e provocar novos ensinamentos, a partir da compreensão individual e de técnicas que serão bastante úteis.

No entanto, você como leigo pode ser um ótimo aliado. Acolhendo, sendo apoio social e até um incentivador das potencialidades daquela pessoa. Afinal, se a pessoa em sofrimento faz parte do seu vínculo, você também a conhecerá bem e terá um grande poder de ajuda sobre ela. A responsabilidade maior deve vir para nós, profissionais da Saúde Mental (Psicólogos e Psiquiatras), e isso não pode ser negligenciado.

E o apoio espiritual, onde entra?

O indivíduo que sofre com pensamentos suicidas ou vazios existenciais, pode ter como fator de proteção a espiritualidade, e suas crenças religiosas o ajudam nessa empreitada.

Ademais, junto a essas crenças estão pessoas que são, geralmente, vínculos importantes, com valores altruístas e que se esforçarão para o vê-lo bem, e até orientá-lo com palavras. Também nesse ambiente, costuma surgir, além do apoio social, redes de vínculos sólidos que fazem esse indivíduo não se sentir sozinho.

É importante ainda, o olhar diferenciado para o indivíduo que sofre, e essa presença de pessoas importante para ele pode ser de grande valia, e inclusive ser um dos fatores que põe em cheque as suas ideações. Outro ponto a se considerar são os fatores de risco como a impulsividade e falta de planos futuros, ou desesperança.

Traçar metas, sonhar, compartilhar planos a médio e longo prazo também são fatores que têm mais força quando feito em comunidade. O sentido de pertença ganha um novo horizonte neste caso.

E só para não esquecer, nada de: “Isso é falta de Deus”, “isso é preguiça ou frescura”. A dor do outro é sempre dor e deve ser entendida. Abraço!

Wigna Sineiri Costa de Freitas, Consagrada de Comunidade de Aliança

Psicóloga na abordagem Cognitivo-Comportamental – CRP17/3947


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