Sempre fui de paróquia, mas eu nunca consegui ter uma profundidade. Então, eu frequentava tudo, mas superficialmente. Quando eu entrei na minha adolescência, eu comecei a vacilar com Deus. Ali comecei a querer descobrir novas coisas, comecei a ferir minha afetividade, além de ir muito pela cabeça das pessoas.
Enfim, queria me encaixar. Por esse motivo eu me distanciei do que Deus tinha para mim, mesmo permanecendo na paróquia. Vivia uma vida de mornidão. Lá e cá.
A primeira experiência e os traços do Carisma
Foi quando, lá pelos 14 anos, a minha irmã me convidou para participar de um encontro E.J.C. chamado “Aliança de Israel”. Aceitei.
Esse encontro me deu uma experiência muito forte. No segundo dia à noite, houve uma espécie de peça sobre a Paixão de Cristo e no final aparecia um Cristo Ressuscitado. Um indicativo do Carisma Shalom já.
Ele deixava que nós o abraçássemos. Quando o abracei, me senti então a pessoa mais pecadora do mundo e me joguei aos pés dele, que me acolheu e me disse: “Eu te perdoo, minha filha”. Ele não sabia de nada, nem sobre como eu estava me sentindo.
A minha inconstância e a insistência de Deus
Me decidi novamente por Deus, mas mesmo assim essa determinação só durou dois meses. Era uma grande experiência que não teve continuidade porque não se aprofundou na intimidade com o Senhor. E continuei a minha vida.
Então, um pouco antes de eu começar a faculdade, frequentar festas etc, eu ainda servia na paróquia. Fui a uma formação e aí Deus mexeu muito comigo em relação a uma vocação. Na época eu estava namorando, não me sentia bem no meu relacionamento, mas não entendia bem porque para mim só existiam as freiras e o matrimônio como opção.
Teve uma adoração em que eu chorei muito e a minha coordenadora veio rezar por mim.
Ela falou: “Você viu o pregador de hoje que estava nessa formação? Ele é do Shalom. É uma comunidade católica. Eu te vejo lá.” Aquilo feriu meu coração de uma maneira muito forte. Mas, mais uma vez, não dei continuidade. Sempre fui muito inconstante,
Terminei meu relacionamento e continuei com a vida velha que levava e me aprofundando nela. Deixei de lado a igreja e só ia na missa aos domingos.
Firmando os passos para Deus no Carisma Shalom
Na pandemia eu comecei a ficar mais reclusa, comecei a sentir saudades das coisas de Deus. Até que um dia me deu um estalo! Me lembrei do que a minha coordenadora tinha dito sobre o Shalom e fui pesquisar no YouTube, no Instagram, em tudo! Achei lindo tudo aquilo! E enviei mensagem pelo Instagram, pedindo para começar o vocacional. Na época, tudo já estava em andamento e entrei no grupo de oração. Porém, ainda na vida que levava.
Nesse período, começaram a acontecer muitas coisas complicadas. Perdi uma pessoa importante para mim e isso foi me causando uma tristeza muito grande, ia me perdendo cada vez mais em mim mesma. Eu nunca partilhava nada com ninguém.
Foi no Seminário do Alegrai-vos onde senti um retorno daquela alegria que eu tinha. Me animei e fui me aprofundando mais no Shalom, mesmo com quedas. Meus pastores me acompanhavam e me lançavam em tudo. Isso foi me distanciando das festas e das más amizades…
Vocacional: o divisor de águas
Ainda insistia na vida velha, mas ela teve um fim quando eu comecei a fazer o Vocacional. Quando eu estava rezando com o “Enchei-vos”, me deparei com a passagem da pecadora caída e aquilo foi uma recordação da minha experiência com Deus.
Assim que eu olhei para aquilo, na oração, percebi algo de diferente e disse: “Eu sou chamada a dar a minha vida porque um dia Ele teve misericórdia de mim. Essa foi a minha experiência com Ele, experiência de misericórdia. Então eu preciso dar a minha vida a Ele”. E ali comecei a entender que eu era chamada à Comunidade de Vida. De início, não quis. Queria seguir Jesus, mas não daquele jeito… e comecei a fugir daquilo.
A Fuga em contraste com a decisão de Deus por mim
Teve o Retiro Final e eu estava decidida a não ir. Fui, então, viajar ao Paraná. Lá uma tia minha, que é da igreja, falou que queria fazer um cenáculo na casa dela, me convidou e não sabia o que estava se passando comigo. Uma amiga dela, desse mesmo grupo de oração, veio rezar por mim. A moção foi a seguinte: “Eu vejo que o Senhor te levou para o lugar que você nasceu para viver nele, mas que muitas coisas te prendem aqui: sua família, seus amigos. Mas ele já está arrumando suas malas. Chegou sua hora. Vejo um homem pegando uma adolescente no colo e ele me fala que essa foi a tua experiência com ele.”
Chorei demais e tive uma inquietação de decisão. Voltei para São Paulo, fiz o Retiro Final, mas não era o momento ainda de pedir ingresso, pois eu ainda estava muito dividida.
Conhecimento de Deus e de si. Enfim, o meu “Sim”!
No início do outro ano, que foi o meu segundo ano de vocacional, eu desci a fundo em mim mesma. Percebi que o que me faltava desde a minha experiência com Deus aos 14 anos de idade era a decisão. Jesus é aquele que bate na porta. Mas se você não abrir, ele não entra. Porque ele é educado. Ele deixa a gente livre.
Começou um processo de organização interna e limpeza das minhas feridas, meus comportamentos. Como se Deus entrasse no meu quarto todo bagunçado e falasse: “Vamos arrumar aqui primeiro e, quando você arrumar isso, você vai entender a sua vocação”.
Fui compreendendo nesse processo quem eu era. De modo que, quando chegou no retiro final, já não havia nada a não ser dar o meu “sim”. Comecei a olhar para minha vida e perceber que tudo que me faltava e me questionava encontrava respostas na Comunidade de Vida.
Dicas para os vocacionados
Se decida pela vontade de Deus. Esse espaço se inicia na vida de oração porque, através da vida de oração, você vai conhecê-lo e se conhecer também. Foi Ele quem te criou.
Você vai entender quais são os excessos que te tiram daquilo que ele quer para você. Excesso é aquilo que não é a vontade de Deus. Permaneça com Ele e se abra.
Se você decide conhecê-lo, Ele acaba por te apresentar a você mesmo. Eu resumiria tudo em três pontos: oração, decisão e disponibilidade.
Kévelyn Ribeiro
Neodiscípula da Comunidade de Vida
E você? Quer descobrir sua vocação? Venha para o Vocacional Aberto! Faça a sua experiência e deixe-se tocar e chamar por Deus. Será dia 28 de janeiro, das 8h às 16h, no Centro de Evangelização da Missão Santo André.
Endereço: Rua General Canavarro, 280, Bairro Campestre, Santo André – SP. Mais informações pelo Instagram: www.instagram.com/shalomsantoandre
