
Antes de iniciar sua oração, peça o auxílio do Espírito Santo, Aquele que inspirou os autores sagrados a escreverem aquilo que Deus quis, para que você entenda o quê e o para quê foi escrito. Oremos: “Ó vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis, acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e tudo será criado e renovareis a face da terra”. Oremos: “Ó Deus que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre de sua consolação. Por Cristo Senhor nosso. Amém”.
Tomemos hoje a passagem sobre a verdadeira videira do Evangelho segundo São João, capítulo 15, versículos de 1 a 6 (Jo 15,1-6) e façamos uma Lectio Divina com ela.
Na sua vida pública, Jesus contará duas parábolas sobre o tema da vinha. A primeira é a dos trabalhadores convocados para trabalhar em diferentes horas do dia e no final todos recebem o mesmo salário. (cf. Mt20,1-16 e a lectio: “Ide também vós para a minha vinha”) A segunda é a parábola dos vinhateiros homicidas, em referência aos chefes dos sacerdotes e fariseus que queriam matá-lo como os vinhateiros fizeram ao filho do dono da vinha (cf. Mt 21,33-45). Diferentemente das parábolas acima, aqui Jesus diz que Ele é a videira verdadeira. Por quê?
O tema da vinha era familiar para os judeus, pois vários profetas no Antigo Testamento como Oséias, Isaías, Jeremias e Ezequiel fizeram menções a ela. Para entendermos melhor o que Jesus diz no Evangelho, tomemos o cântico da vinha citado pelo profeta Isaías (Is 5,1-7).
Ele começa dizendo: “Vou cantar ao meu amado o cântico do meu amigo para a sua vinha. O meu amado tinha uma vinha…” A vinha era tão querida que o amigo até cantava para ela. Ele conta que havia feito tudo o que podia por ela. Cavou-a, removeu a pedra… Construiu uma torre e preparou um lugar para pisar as uvas e fazer o vinho (um lagar). Esperou então pelos frutos bons, mas vieram uvas azedas. “Que restava ainda fazer à minha vinha que eu não tenha feito?” Como a vinha não tinha produzido o esperado, o dono tomou a decisão de arrancar a sua cerca para que qualquer um pudesse entrar e pisar. Ela então seria reduzida a um matagal… E o próprio profeta explica a parábola: “A vinha do Senhor é a casa de Israel e os homens de Judá são a sua plantação preciosa. Deles esperava o direito, mas o que produziram foi transgressão; esperava a justiça, mas o que apareceu foram gritos de desespero.” (v. 7)
No Evangelho, Jesus diz: “Eu sou a verdadeira videira e meu Pai é o agricultor.” (Jo 15,1) Jesus declara-se, portanto, como o “novo Israel”, aliás, como o único e verdadeiro Israel, a vinha verdadeira plantada pelo Pai. E por extensão, a Igreja, na qual Jesus é a Cabeça e nós somos os membros, também somos chamados a fazer parte da vinha verdadeira, a agirmos segundo o direito e a justiça e não mais transgredirmos e gritar de desespero. Do mesmo modo que no Antigo Testamento, o Pai nos cumulou de toda a graça a ponto de nos dar o seu próprio Filho. E continua a nos perguntar: “Que restava ainda fazer a (você) minha vinha que eu não tenha feito?” Dá para sentir como somos preciosos para o Senhor?
“Todo ramo que em mim não produz fruto, ele o corta, e todo o que produz fruto ele o poda, para que produza mais ainda.” (v. 2). Quem já plantou uma parreira sabe que se ela não for podada não produzirá as uvas na estação seguinte. Há um tempo certo para a poda. Deixar-se podar não é fácil, mas é indispensável para produzir os frutos esperados. E você, tem se deixado podar por Deus ou ainda resiste e esperneia? Medite sobre os frutos que você tem produzido.
“Vós estais puros por causa da palavra que vos fiz ouvir.”(v. 3). Esta palavra foi dirigida em primeiro lugar para os apóstolos, mas continua válida para nós, os seguidores de Jesus de hoje. Veja como a Palavra do Senhor tem o poder de nos purificar. Como está a sua escuta atenta à Palavra?
“Permanecei em mim, como eu permaneço em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanece na videira, assim também vós, se não permanecerdes em mim.” (v. 4). O Senhor faz um convite e dá uma garantia. ‘Fique comigo, pois Eu estou (sempre) com você!’ ‘Não se afaste de mim, porque senão você vai secar e não vai produzir fruto algum.’ O que você escolhe: estar junto de Jesus ou pensa que pode produzir fruto longe dele?
“Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele, produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (v. 5) Dita por outra pessoa, esta última frase soaria como pretensiosa. Mas Jesus tem consciência de suas palavras e deseja apenas que os discípulos não caiam na tentação de quererem fazer algo sem Ele. Você tem perguntado ao Senhor o que Ele deseja que você faça? Ou você vai fazendo por sua conta, ‘e se não for da vontade dele, as coisas não darão certo…’ Será que é desta forma que agrada a Deus? Medite sobre isso em sua vida.
“Se alguém não permanece em mim, é lançado fora, como o ramo e seca; tais ramos são recolhidos, lançados ao fogo e se queimam.” (v. 6) Viu qual é a consequência de não estar unido ao Senhor? Torna-se galho seco porque perde a seiva que vem do tronco que é Ele. E galho seco só serve para ser jogado ao fogo e queimar… Triste o destino daqueles que se separam da videira!
Oração
Depois de tudo o que você meditou, inicie sua oração de forma livre e espontânea: “Obrigado Senhor, pois Tu és a verdadeira vinha. Obrigado, pois me fizestes para estar sempre ligado a Ti e para poder produzir os frutos que esperais… Perdão pelas vezes em que quis me afastar de Ti e por isso sequei. Dá-me de novo a tua seiva, a tua graça que renova a minha vida. Obrigado pelas oportunidades que me dás de retornar a ti. Obrigado pelas podas que já fizestes em mim. Hoje eu te dou a permissão para continuares esta obra de purificação de tudo o que me afasta de Ti. Oh, doce e suave jardineiro, corta os meus galhos secos e velhos para que novos floresçam…” Continue conforme o Espírito Santo o mover. Fique mais um tempo em oração de contemplação bebendo e saboreando as suas graças.
Não se esqueça de anotar em seu caderno o que o Senhor em seu amor lhe confiou neste dia.
Ó Santíssima Virgem Maria, rogai por nós que recorremos avós!
Shalom!
José Ricardo F. Bezerra
missionário da Comunidade de Aliança da Comunidade Católica Shalom
(artigo originalmente publicado na Revista Shalom Maná)