Vivemos dias em que a humanidade espera por tempos melhores, espera a cura para o novo Coronavírus, espera a recuperação de muitas pessoas que contraíram a doença, espera a recuperação da economia, espera a normalidade da vida…
Mas afinal, o que nos move nesta espera?
Nós fomos criados com uma aspiração de felicidade em nossos corações, com uma aspiração de eternidade, de plenitude, com a aspiração do que não pode passar nesta vida. A virtude da esperança responde à essa aspiração.
A oração, enquanto diálogo com Deus que é eterno, que não passa e que é a fonte de toda esperança cristã, é o alimento que nutre o nosso interior com a segurança de que estamos nas mãos do Pai. A palavra de Deus é rica de esperança e vem em nosso auxílio, como o salmo 40;2 nos diz: “Esperei ansiosamente o Senhor, Ele se inclinou para mim e ouviu o meu grito.”
Em Hebreus, temos: “Continuemos a afirmar nossa esperança, porque é fiel quem fez a promessa” (Hb 10;23).
Os santos que também passaram por grandes provas em suas vidas, nos ajudam a crescer na virtude da esperança. Santa Teresinha, nas tribulações de sua enfermidade, nos ensina:
“Espero tudo do Bom Deus, como uma criancinha espera tudo do seu pai.”
Santo Agostinho, um homem que tanto recebeu da misericórdia de Deus, nos diz: “Esperar significa crer na aventura do amor, ter confiança nas pessoas, dar o salto no incerto e abandonar-se a Deus totalmente.”
A esperança cristã nos protege contra o desânimo, nos dá alento em todo esmorecimento, dilata o coração na expectativa da felicidade eterna, é o que nos ensina o Catecismo da Igreja Católica (CIC).
A vida de Cristo é uma manifestação de esperança, Suas palavras são de esperança, sua vida desperta os homens para a esperança na Ressurreição, na eternidade, abre os olhos da humanidade para uma vida nova. Ele revela ao homem que a morte não é o fim, mas uma passagem, uma páscoa para junto dEle.
Jesus revela que o Amor é mais forte do que a morte.
Encontrar a Deus na oração, é receber do céu graças de esperança, pois ela nos traz a alegria mesmo na provação: “Alegrando-vos na esperança, perseverando na tribulação.” (Rm 12;12).
Nossa vida, certamente, voltará à normalidade, mas nós não podemos voltar a vivermos normalmente, como se nada nos tivesse acontecido. Vivemos em um tempo de decisão interior, como nos disse o Papa Francisco recentemente, em oração pelo fim da Pandemia.
É tempo de reajustar a rota da vida, de decidir o que conta e o que passa, de separar o que é necessário daquilo que não é.
A esperança própria destes dias de Semana Santa é a virtude certa para uma vida nova.
Permaneçamos unidos pela oração! Shalom.
José Felipe Junior | Missionário da Comunidade Católica Shalom
