“Meu nome é Larissa Dasso, tenho 34 anos, sou Obra Shalom há quase 4 anos. Administradora e acadêmica de Psicologia, nunca havia participado de uma comunidade até conhecer a Comunidade Católica Shalom. Logo que cheguei, uma das primeiras perguntas que fiz foi: “Vocês fazem ação social?”.
Quando criança, morava no centro da cidade de Manaus, que era repleto de crianças em situação de rua. Isso sempre me chamou a atenção. Eu não imaginava como elas tinham ido parar ali, não entendia e confesso que eu tinha medo de ser uma delas um dia. A caridade sempre foi um valor presente na minha família, não por falas, mas por exemplos, principalmente de minha mãe.
Ainda criança, mas um pouco mais velha, já mais embasada nos meus próprios critérios, mesmo entendendo que ajudar quem precisava era o certo a se fazer, algumas ajudas eu achava meio absurdas, exageradas e me perguntava: “Minha mãe não vê que esta pessoa está mentindo?”. Mais uma vez eu não entendia.
Quando adolescente, participava de ações sociais pela escola católica que eu estudava (ali já era evangelização e eu não sabia). Já adulta, os carismas que tinham como primazia o pobre me chamavam a atenção, e Deus me levou ao Shalom, sem nunca ter ouvido nada a respeito das ações de evangelização da Comunidade.
Depois de um ano frequentando o grupo de oração, me tornei voluntária nas ações do S.O.S. Rua, depois membro do ministério de Promoção Humana. O que eu chamava de ação social ganhou um outro nome: evangelização.
Logo nas primeiras reuniões eu ouvi que nosso objetivo não era o assistencialismo, que o pão, embora necessário, era somente um pretexto para evangelizarmos. Aquilo mudou tudo. Levar o pão é importante, mas levar Deus? É infinitamente mais! Então, por Deus, pela salvação daquelas almas, nós devemos suportar o sol quente, a praça suja, o mau cheiro, as nossas próprias limitações. Ali realmente o Cristo não é tão belo.
Logo nas primeiras reuniões eu ouvi que nosso objetivo não era o assistencialismo, que o pão, embora necessário, era somente um pretexto para evangelizarmos. Aquilo mudou tudo. Levar o pão é importante, mas levar Deus? É infinitamente mais! Então, por Deus, pela salvação daquelas almas, nós devemos suportar o sol quente, a praça suja, o mau cheiro, as nossas próprias limitações. Ali realmente o Cristo não é tão belo.
Foi no projeto Shalom Amigo dos Pobres, ação após ação, que eu entendi o que eu não entendia. Deus foi me dando a graça de ter essa experiência com o Seu amor através do pobre. Eu fui percebendo que mesmo quando usava máscara, eles percebiam meu sorriso pelos olhos e me sorriam de volta. Que estes mesmos sorrisos se abriam quando eu dizia um “bom dia” mais animado, perguntava como estavam ou os chamava pelo nome.
O medo foi dando lugar à disposição em ouvi-los. Tantas histórias, tantas dores. Separações, lutos, violência na infância, falta de afeto. Quantas mágoas, um sofrimento psíquico intenso. Nesses momentos de partilha e oração, com a graça de Deus, sinto que lançamos uma semente naquele coração e esperamos que ela floresça em algum momento da vida, nem que seja no último instante para a salvação daquela alma, assim como nossa amada Irmã Chiara, Missionária da Caridade, nos ensinou.
Mas aquela pessoa também lança uma semente no nosso coração, a semente do amor de Deus através do pobre, que é o próprio Cristo. Sim, é na simplicidade desse contato que esse amor vai se revelando.
Às vezes, confesso que me incomodava quando batiam à porta da minha casa pedindo algo, me dava vontade de ficar quieta e fingir que não havia ninguém, mas fazia o exercício de lembrar que ali estava Lázaro, um socorro de Deus para minha alma ,então, ia até lá.
Que não deixemos de acolher os Lázaros que Deus nos envia e aproveitemos a graça de comungar a Cristo nos pobres, enquanto há tempo.”
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