Formação

Sentir-se cativo

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Neste abençoado mês do Coração de Jesus do ano centenário de nossa Igreja diocesana, serão ordenados três novos sacerdotes e, dias depois, quatro novos diáconos que, meses após, também serão padres. Uma Igreja jovem de 100 anos!

Dedico nesta festa da Eucaristia que é hoje a estes jovens, que Deus tocou com sua predileção, estas linhas inspiradas no Pequeno Príncipe de Saint Exupéry, muito bem lembrado recentemente, neste jornal, por um dos articulistas.

Neste pequeno e lindo livro, há um trecho que nos fala da beleza da flor. O botão pequenino prenuncia a aparição miraculosa da flor, que se preparava no seu quarto verde! Escolhia com esmero as cores mais bonitas, pois não queria sair como os cravos, amarrotada. Uma manhã, à hora do sol, ela acabou de se preparar e surgiu radiosa. O Príncipe cuidou dela e preservou-a dos ventos com uma redoma. Era a única flor do seu planeta.

Um dia o Príncipe veio ao planeta-terra e encontrou-se com a raposa que lhe pediu para cativá-la. Cativar é criar laços: “Cativa-me, por favor”, pediu a raposa. E, ao deparar-se com as rosas, quase iguais à única flor do seu planeta, o Príncipe entendeu o que era cativar ou, melhor, ser cativo. “Sois belas, mas vazias. Minha rosa sozinha é mais importante do que vós todas, porque eu cuidei dela – a minha rosa!” E, ao voltar, ouviu a raposa dizer: “Só se vê bem com o coração! O essencial é invisível aos olhos”…

Tomo esta passagem como uma parábola e explico-me. O seminário é a casa ou o quarto de preparação. Aí é que o botão se torna flor. A flor é plenitude. A vida, que agora se abre sorridente e esperançosa, aguarda a plenitude. Necessário preparar-se sempre mais, para ser flor em plenitude. Não flores vazias, como as rosas que o Príncipe encontrou. É preciso encher-se. Encher-se de amor: amor apaixonado a Deus, amor à Igreja, amor à vida, amor ao trabalho, amor à vocação. Assim nunca seremos vazios. E nos sentiremos cativos de nossa missão.

Um pensamento ainda. Note-se que “só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”. Enxergar pois com o olhar do coração. O que se vê com os olhos do rosto não é essencial. O que vale, o que fica para sempre, o que não passa, o essencial só se vê com a alma e com o coração…

Nesta festiva celebração da Eucaristia, mais do que cativar, necessário se faz, na condição de consagrado, deixar-se cativar, sentir-se cativo nas mãos de Deus, no amplexo maternal de nossa Igreja.

Dom Benedicto de Ulhoa Vieira

Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro

Fonte: CNBB


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