Quando temos a nossa primeira experiência com o Amor de Deus começamos a repensar vários aspectos de nossa vida. Eu como um bom Nerd (sim, desses que curtem HQs, super heróis e livros de fantasia) passei a me questionar se os meus gostos eram ou não “coisa de Deus” e isso me perturbou por um tempo. Estaria eu em pecado ao assistir um filme de aliens? Ler um livro com dragões e magos? Vestir uma camisa do meu herói preferido?
Para quem não sabe, nerd é todo aquele que consome a chamada “Cultura Pop”. Um pacote formado pelo cinema, livros, séries, músicas, jogos de tabuleiro, de cartas e eletrônicos, videogames, computador e muito mais. E não só consomem, mas vivem, discutem, criam e seguem tudo relacionado a este mundo. Claro que eu não sou dos mais fissurados por tudo isso, mas com certeza estou “acima da média da população normal” e foi justamente isso que me fez pensar.
É fato que todos nós seres humanos somos dotados de imaginação, a tal da louca da casa, como dizia Santa Teresa. E justamente por ter imaginação e inteligência é que somos capazes de criar. Desde o início da humanidade criam-se histórias de coisas possíveis e impossíveis, contam-se histórias reais ou inventadas. Enfim, o homem é um ser dado à criatividade. Não seria isso um dom de Deus? Claro que é. E com certeza Jesus curtia uma boa história também.
No entanto, assim como nós homens, nossas criações também foram manchadas pelo pecado e com isso passamos a criar coisas que não mais eram tão puras e sem malícia. É aí que mora o perigo. Quando percebi isso tive a curiosidade de reparar naquilo que eu consumia como cultura. Nos filmes que vejo, nos livros que leio, na séries que assisto, qual o sentido final da história? Ela me fez crecer como homem? Ela me fere a castidade? Me faz defender o bem sobre o mal? O perdão sobre a vingança? A fé sobre o relativismo?
Pois é, tive que fazer um pente-fino sobre tudo e o resultado, para a minha surpresa não foi dos piores. Parei de ver algumas séries, passei a escolher melhor meus livros e não assisto alguns filmes, mas o que mais me transformou foi ver que de tudo, ou melhor, de quase tudo podemos tirar uma lição.
A fantasia me fez acreditar que existe algo além deste mundo dominado pelas trevas, que existe beleza nas amizades sinceras e que o poder por si mesmo só destroi. As aventuras me ensinam que a coragem e a perseverança tudo alcançam e que o bem prevalece ao mal. A ficção científica me faz crer que a humanidade pode avançar muito mais, mas se tentar ultrapassar os limites da ética e da moral pode destruir-se a si mesma. As comédias me fazem ver o lado bom da vida já as animações que mesmo adultos temos muito o que aprender. Com alguns filmes de terror, que existe um mundo espiritual e que mesmo que não o vejamos ele está entre nós.
Por fim entendi que não precisava deixar de ser Nerd pra ser Shalom nem muito menos para ser cristão. Eu só precisava formar a minha imaginação para filtrar aquilo que me convém como filho amado de Deus. E fica a dica: sendo Nerd ou não, em tudo o que você assiste, lê ou ouve, procure entender se aquilo lhe fará crescer e se não o levará ao pecado. E é claro, se realmente é uma boa história ou não, por que somos filhos de Deus e ninguém merece um filme ruim, né?
André Vinícius é postulante da aliança na Missão Shalom Campina Grande.
André Vinicius estou com um projeto e queria falar contigo em off. Me manda seu contato no e-mail.
Muito bom esse artigo. Temos um canal Nerd Cristão no Youtube onde tratamos temas da cultura pop na óptica cristã. Caso você quiser conhecer, acesse: http://www.youtube.com/bandodequadrados
Obrigado por comentar 😉 Parabéns pelo canal!