
A Igreja, sempre iluminada e assistida pelo Espírito Santo, em sua experiência nos ensina que os piores pecados são aqueles chamados por “capitais”. Capital vem do latim “caput”, que quer dizer “cabeça”. São pecados cabeça, isto é, que geram muitos outros. Por isso eles sempre mereceram, por parte da Igreja, uma atenção especial. São sete: soberba, ganância, luxúria, gula, ira, inveja e preguiça.
Mas há esperança! Um santo que disse que, se a cada ano vencêssemos um desses sete pecados, ao final de sete anos seríamos santos. Rejeitemo-los com o auxílio da graça de Deus e de nossa vontade!
O primeiro, a soberba, foi exatamente o que levou os anjos maus a se rebelarem contra Deus e consequentemente Adão e Eva à desobediência mortal. A soberba consiste na pessoa sentir-se como se fosse a geradora dos seus próprios bens materiais e espirituais. O soberbo se esquece que é uma simples criatura, que saiu do nada pelo amor e chamado de Deus, e que, portanto, d’Ele depende em tudo. Como disse santa Catarina de Sena, esse pecado “rouba a glória de Deus”, pois quer para si as homenagens e os aplausos que pertencem somente ao Senhor, já que Ele é o autor de toda graça.
E como vencer a soberba? A humildade é o oposto da soberba. Etimologicamente humildade vem de “humus”, aquilo que se acha na terra, pó. Pela humildade e pela humilhação Jesus se tornou o novo Adão que salvou o mundo (cf. Rm 5,12s). A Santíssima Virgem Maria, a Mãe do Senhor, tornou-se a “nova Eva”, como ensina a Igreja, porque na sua humildade destruiu os laços da soberba. E ela em louvor exultava: “Ele olhou para a humildade de sua serva” (Cf. Lc 1,39).
O humilde é aquele que reconhece o seu nada.
São João Batista também foi modelo desta virtude e nos ensinou sua essência ao falar de Cristo: “Importa que Ele cresça e que eu diminua!” (Jo 3,30). Isto diz muito. Muitos cristãos são cheios de boas virtudes, mas, infelizmente, tornam-se “inchados”, pensando infantilmente que essas boas virtudes são méritos próprios e não graças de Deus, para serviço dos outros.
Ser humilde é ser santo, é viver o oposto de tudo isso: é saber descer do pedestal, é não se auto-adorar. É preferir fazer a vontade de Deus à própria, é ser silencioso, discreto, escondido; é fugir das pompas e aplausos. Que Nossa Senhora, mestra do amor, nos ensine este caminho!
Formação Dez/2012
Uma modesta partilha e um pequeno sinal apontando para Jesus, o Senhor, a Palavra Viva do Pai. Um livro para ler e refletir a palavra de Deus. Frutos de meditações do autor com a Bíblia e em sua maioria publicados na revista Shalom Maná, entre os anos de 1998 e 2009.
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