Não posso nem imaginar que alguém não tenha lido e meditado a mensagem pela jornada missionária do Papa Francisco com o lema “Juntamente com os jovens, levemos o Evangelho a todos. ” É a hora dos jovens no sínodo. Também teremos a Jornada Mundial da Juventude no Panamá. Tudo nos obriga a olhar com esperança a Igreja de amanhã, a humanidade, a família de amanhã, que será formada pelos jovens de hoje. Valiosos são os pontos que o Papa Francisco aborda na sua mensagem:
- A vida é uma missão;
- Devemos transmitir a fé até os últimos confins da terra;
- Devemos dar testemunho do amor que contagia a todos os que vivem o Evangelho
Cada um desses pontos é desenvolvido rapidamente, mas com força, como é o estilo do Papa que fala, não tanto à inteligência, mas ao coração, e cita três exemplos de grandes missionários, São Francisco Xavier, que com seu entusiasmo pregou o Evangelho com força e convicção por onde passava; Teresa do Menino Jesus, que desde o silêncio do seu mosteiro carmelitano queria ser missionária nos cinco continentes com a oração e o sacrifício e o Beato Paulo Manna, que não podendo mais executar o seu apostolado, na Birmânia, por causa de uma doença, deu origem a um movimento missionário dedicado à difusão da ideia missionária no meio do povo e do clero. Todos somos chamados a ser missionários onde nós formos, e neste mês missionário devemos, com os jovens, levar o Evangelho ao mundo todo, sem medo, com coragem e com amor. Sem imposição, sem autoritarismo; a nossa única autoridade se chama serviço e amor. Amanhã celebramos a festa de Santa Teresa de Ávila, a santa que não podendo pregar o Evangelho como gostaria decidiu viver a sua vida a serviço da Igreja e sendo oração para quem luta nas primeiras fileiras da Igreja, os teólogos e os pregadores do Evangelho. É belo redescobrir a nossa vocação missionária, que arde como chama de amor no nosso coração e nos obriga todos os dias, através da oração, a dar testemunho, a manifestar a alegria do nosso ser cristão. Não devemos nunca deixar de revelar Jesus, não importa onde estivermos, o que importa é que o nosso agir e as nossas palavras sejam conforme o seu Evangelho. Temos o nosso dicionário, que é a Bíblia Sagrada, e o nosso comportamento, que é a Palavra de Deus. É tempo de caminhar, de evangelizar com todos os meios. O Evangelho não entra com violência no coração das pessoas, mas como fermento e sal, e vai fermentando toda a massa de farinha e salgando toda a vida. A vida tem sentido quando você sai de si mesmo e começa a ver antes os problemas dos outros e depois os seus.
Dai-me a capacidade de escutar
O texto da sabedoria é de uma delicadeza e importância fundamentais para a vida de cada dia, a sabedoria de quem fala. A Bíblia não é uma cultura de livros que se adquire através do estudo que enche a cabeça e o coração e que nos faz ver os outros como ignorantes e nós como os únicos que sabem tudo. A sabedoria é um dom de Deus que nos é dado e que devemos preferir a todas as riquezas e bens da terra. Junto com a sabedoria nos são dados todos os bens da terra. A sabedoria é necessária, especialmente para sermos missionários, muitas vezes Deus dá a sabedoria do Evangelho aos analfabetos, às crianças, aos que nunca sentaram nos bancos de uma escola, mas sempre se ajoelharam na igreja diante do Santíssimo Sacramento e invocaram a sabedoria do Espírito Santo. O mundo de hoje tem a cultura, a ciência humana, mas não a sabedoria; perdeu o gosto da missão, porque adquiriu o gosto do dinheiro e do poder.
A força da palavra de Deus
O autor da Carta aos Hebreus aprendeu a sabedoria, conhece bem o Antigo Testamento e sabe fixar os olhos em Jesus de Nazaré, que é a grande novidade do Pai. Não se converte o mundo através da teologia, dos discursos, mas através da força da palavra de Deus, que é como uma espada de dois gumes, corta de um lado e do outro, penetra a fundo e nos faz discernir quem somos. É um espelho que nos permite ver com verdade a nossa vida interior. Podemos fazer maquiagem, mas não servirá, e nem serve plástica, somos o que somos. Sem a força da palavra de Deus podemos ser bons filósofos e até teólogos, mas não místicos e nem missionários. A Palavra de Deus é viva e eficaz, penetrante e cortante… palavra que deve ser meditada amiúde e compreendida. O missionário não defende a sua religião, ele a revela por meio da vida e dá liberdade ao outro de segui-la. E coopera com todos.
Vai, vende tudo, dá aos pobres… depois segue-me
O personagem do Evangelho não tem nome e nós o chamamos de jovem, mas o Evangelho não diz que era jovem. Eu penso que era velho, porque os jovens não têm muitos bens, andam sempre sem dinheiro e não têm nada para vender e dar, a não ser a vida. Eu, quando entrei nos carmelitas descalços, não vendi nada, não dei nada a ninguém, porque não tinha nada, mas tentei dar tudo o que tinha, a minha vida, mesmo que muitas vezes tenha tentado retomá-la, mas, uma vez dada, é difícil retomá-la. Devemos ler e reler este texto do Evangelho que fala deste fulano que dá uma de inteligente inicialmente e depois se embanana nas coisas pequenas, quer entrar no paraíso com o caminhão cheio de bens, e isto não é possível. Precisa dar tudo. Se não temos coragem de dar tudo, não entramos pela porta estreita. O difícil é dar o primeiro passo, depois se faz mais fácil; mas todos os dias devemos escutar Jesus, que nos diz “vem e segue-me. ” O missionário deve deixar tudo, dar tudo e ir para onde o Senhor o enviar, e normalmente Ele nos envia onde não queremos ir, mas devemos ir. Sempre o Senhor está conosco. A força da missão é a pobreza das coisas e a riqueza de Deus. A pobreza das coisas e a riqueza da fé. A pobreza de tudo e riqueza de Jesus.
Oração
Senhor, tenho medo de rezar com muitas palavras, te digo somente: Eis-me aqui e faze de mim o que quiseres, envia-me aonde quiseres. Amém.
Muito bom o artigo adorei o seu coteúdo.Gosto muito de ler este tipo de conteudo
Parabéns