São Francisco amava o Natal mais do que todas as outras festas. Livre como era, suas emoções (sobretudo a alegria e a ternura) eram mais ressaltadas neste período do ano que marca a encarnação do Verbo de Deus, Jesus Cristo, que mudou o curso da história humana em todo mundo. Francisco gostava tanto de lembrar a humildade e a simplicidade de sua vida e da encarnação do Verbo, o amor e sua paixão pelo Menino Jesus, que nem desejava pensar em outras coisas que podiam lhe tirar a centralidade desse mistério.
Para ele, celebrar com alegria o nascimento do Menino Jesus era celebrar a festa das festas, o dia em que Deus feito menino, se amamentava como todos os filhos dos homens (Tomás de Celano – Vita Secunda, 199-200). Significava um momento oportuno para levar todos a uma profunda experiência com Deus pela via da simplicidade e da pobreza. No presépio, os pobres e os simples lembram-nos que Deus Se faz homem para aqueles que mais sentem a necessidade do Seu amor e pedem a sua proximidade.
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Na vinda de Cristo, o tempo foi fecundado pelo eterno, e os atos humanos ganharam novos significados na vida terrena. Através dela podemos construir a nossa salvação ou perdição. Crer num Deus que assumiu a condição humana é crer que toda pessoa tem uma dignidade e um valor fundamental pelo simples fato de viver, porque a vida é sagrada.
O ser humano, as criaturas, a natureza, as diferentes raças e culturas, todas as coisas dão testemunho da grande obra de Deus para nós e, de nossa parte, necessitamos por esta mesma encarnação fazer um caminho de volta. Por meio de cada pessoa e do mundo em que vivemos, podemos descobrir a presença de Deus que assumiu nosso rosto e nossas feições tornando-se um de nós. “Entre nós armou a Sua tenda e nós vimos a Sua glória” (Jo 1,14).
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Quando São Francisco de Assis, em sua inspiração original recriou o presépio em Greccio, uma expressão artística e poética do Natal, desejava experimentar e reviver na própria carne todo o mistério da vida de Jesus Cristo, o júbilo e a decepção, o amor e a dor, a contradição da glória divina revelada na pobreza e pequenez do Filho de Deus.
Desde então, compor um presépio nos dias que antecedem o Natal com figuras e materiais comuns e ordinários em casa, nos lugares de trabalho, nas escolas e hospitais, nos estabelecimentos prisionais e praças de nossas cidades tornou-se um ato de fé. Vislumbramos a presença de Deus encarnado em tudo o que constitui a vida. Para contemplar o presépio e nele descobrir a revelação divina no cotidiano humano, há uma condição: é preciso pedir “vem e reconstrói a minha casa” (Ag 1,2-8), é preciso mudar o coração e o olhar sobre todas as coisas, porque o mundo tornou-se um presépio.
Este é o sentido de compor e fazer memória do nascimento de Jesus Cristo nas mais diferentes situações e culturas. Ele é o índio, o negro, o pobre, o homem e a mulher comum da cidade, das comunidades e dos campos…porque todo ser humano tornou-se habitação do Filho, e todo lugar e cultura tornaram-se a morada da manjedoura de Belém. Universal não é o presépio, é sim o mistério da vida que só tem uma morada: o coração humano.
O apelo de Jesus a São Francisco “vai, e reconstrói a Minha Igreja” ganha sua plenitude quando toda a sua vida é reconstruída pela oferta total a Deus e a humanidade que sofre. Ganha força e vigor quando pelo convite a montar o presépio em Greccio ele realiza uma grande obra de evangelização e este lugar torna-se um refúgio para a alma que se esconde na rocha, deixando-se envolver pelo silêncio e contemplação do mistério da Encarnação. “O presépio manifesta a ternura de Deus: em Jesus, o Pai deu-nos um irmão, que vem procurar-nos quando estamos desorientados e perdemos o rumo, e um amigo fiel, que está sempre ao nosso lado; deu-nos o Seu Filho, que nos perdoa e levanta do pecado” (Papa Francisco, Admirabile Signum 03).
“O santo de Deus foi vestido com ornamentos de levita, pois ele era levita, e cantou o Evangelho com uma voz sonora. Ele proferiu palavras doces como o mel sobre o nascimento do pobre Rei e sobre a pequena cidade de Belém. Desejando chamar Jesus, em razão do amor extremo que ardia dentro dele, chamou balbuciando ‘a criança de Belém’.
Ali multiplicaram-se os dons do Todo-Poderoso e uma admirável visão foi percebida por um homem de virtude. Ele via naquela manjedoura uma criança sem vida; o santo de Deus aproximava-se e ela acordava rapidamente, como se a tirasse do torpor do sono. De modo apropriado, para aquele que repassa em espírito a infância de Cristo, a criança recém-nascida apareceu, pois por seu servidor fora chamada à memória de muitos, em corações que antes relegavam ao esquecimento.
Por fim, uma vez terminada a celebração e todos tendo voltado para casa, o feno do presépio foi conservado para que ali os animais doentes fossem curados, e para que mesmo mulheres e homens, através da ação da graça divina, fossem curados de seus males. Mais ainda, o lugar do presépio foi consagrado como templo do Senhor e um altar foi dedicado, com uma Igreja, à honra do bem-aventurado pai Francisco” (Tomás de Celano – Vita Brevior: a vida de nosso bem-aventurado Pai Francisco, 67-69).
‘Vem e reconstrói a minha casa’
Ainda estão abertas as inscrições para o Retiro do Advento 2023 da Comunidade Católica Shalom, que é um itinerário formativo e oracional para te ajudar a viver bem o tempo litúrgico de preparação para o Natal. Serão 29 dias, de 3 de dezembro a 1 de janeiro, em um itinerário de oração diária, iluminado pela Palavra de Deus.
O tema deste ano é “Vem e reconstrói a minha casa” Cf. Ag 2, 1-8.
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E para complementar toda a riqueza desse itinerário espiritual, o comshalom disponibilizará na página comshalom.org/advento conteúdos formativos, orações e notícias, além dos salmos dominicais do advento, homilia diária e outros conteúdos oracionais no canal do YouTube Capela Sh.


