A Casa João Paulo II, do Shalom de Fátima, em Fortaleza, recebeu uma formação especial sobre a missão e a vocação da mulher, que com o seu carisma e sensibilidade tem um papel único aos olhos de Deus e a favor da humanidade. Adília de Castro, membro da Comunidade de Aliança Shalom, ressaltou pontos importantes sobre a identidade feminina, e fez questão de lembrar que a vocação da mulher para a Igreja nunca será inferior a do homem, como algumas pessoas imaginam.
Em referência ao livro do Gênesis, Adília esclareceu que a tradução do vocabulário hebraico bíblico, muitas vezes, faz com que algumas palavras cheguem à nossa língua com significados diferentes. No texto da Criação, a mulher é formada a partir da costela do homem, em linguagem figurada – a palavra costela, em hebraico, significa metade. “Nem o homem deixou de existir, nem a mulher é um mero pedaço do homem – ela é o complemento”, afirma Adília. “Quando há a referência ‘ossos dos meus ossos’, por exemplo, para os hebreus, a palavra osso significa sustento”, complementou a palestrante. Tais significados dão ênfase à verdadeira função da mulher, que no impulso de amar, olha para o outro com sensibilidade, vê os detalhes e as necessidades de quem está ao seu redor.
Adília também ressaltou que o homem pede ajuda à mulher, e a mulher ao homem: A dignidade é a mesma, mas as identidades, completamente diferentes. Não só as físicas, mas no que se diz respeito também ao lado psíquico e espiritual, e isso inclui os modos de ver, pensar e agir no mundo. Com essa afirmação, a pregadora fez questão de frisar que não deve haver uma competição entre o homem e a mulher, já que cada um desempenha um papel fundamental no meio em que vive.
“Hoje em dia existem casais que dizem: ‘Minha vida, tua vida, meu filho, teu filho’, e não pode ser assim, estamos vivendo em uma geração cada vez mais isolada, onde é mais fácil dar um tablet ao filho pequeno do que educar, instruir”, completou Adília.
O papel das babás também foi comentado pela pregadora durante a formação, que explicou que a babá não pode desempenhar o papel de mãe, como é feito em muitos lares. A mulher que gosta de trabalhar e precisa, deve trabalhar, é direito dela, e em muitos casos, é vocação também. Mas os filhos não podem ser deixados de lado, pois sem a família as gerações que chegam não serão educadas, norteadas. Segundo a pregadora, que é mãe, essa é uma das grandes causas da desestruturação dos lares e da sociedade. A mulher que sente o chamado especial à maternidade pode se equiparar a própria Virgem Maria, com uma missão singular de mãe, educadora e instrumento de amor. “A mulher ama como vocação e humaniza como missão”, concluiu Adília, em suas considerações finais.
A palestra foi finalizada com um breve momento de oração com as mulheres presentes, diante do ícone da Virgem do Silêncio, aquela que em tudo soube esperar e obedecer a Deus com paciência e serenidade.
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Cássia Carvalho
